Geral

Interdição da ponte

Por Fábio Grellet | Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 7 min

Ponte sobre o Tietê pode desabar

Ponte sobre o Tietê pode desabar

Texto: Fábio Grellet

Informação foi fornecida pelo DER ao prefeito de Pederneiras. Construção de nova ponte começa em 3 meses e deve demorar 6 meses

Pederneiras - A ponte sobre o rio Tietê, interditada desde o dia 23 de abril, pode cair, se submetida a fortes rajadas de vento. Por isso (e também porque estava mesmo previsto pelas empresas responsáveis), uma nova ponte deve começar a ser construída em até três meses. Essas informações foram divulgadas segunda-feira pelo prefeito de Pederneiras, Rubens Cury (PSDB), que afirmou tê-las colhido durante uma reunião com o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Raul Cardoso, e o presidente da Centrovias (empresa que adquiriu a concessão para administrar a rodovia Bauru-Jaú).

Cury divulgou essas informações durante um debate realizado durante a noite de segunda-feira, na Câmara Municipal de Pederneiras, que reuniu diversas autoridades da região, para discutir os problemas causados pela interdição da ponte sobre o rio Tietê, na altura do km 199 da rodovia Bauru-Jaú. Desde o último dia 23, está paralisado o tráfego tanto de veículos automotores, por sobre a ponte, como de barcaças, na hidrovia Tietê-Paraná, por debaixo da ponte.

A reunião foi promovida em conjunto pela Câmara Municipal de Pederneiras e pela Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil sediada naquela cidade. Além do presidente da Subseção da OAB, advogado Luis Eduardo Franco, estiveram presentes vários vereadores de Pederneiras, o vereador de Jaú José Carlos Zanato, além dos prefeitos de Pederneiras, Rubens Cury (PSDB), e de Boracéia, Dirceu AntÃnio Massucato (PFL).

Vários outros prefeitos, vereadores e demais autoridades das cidades da região, afetadas pela interdição da ponte, foram convidados, mas não compareceram.

A reunião começou com uma explanação sobre as últimas interdições da ponte, realizada pelo vereador pederneirense Reginaldo Monteiro (PT).

Em seguida, os prefeitos de Pederneiras e de Boracéia, o vereador jauense José Carlos Zanato e o advogado Luiz Eduardo Franco falaram sobre a interdição da ponte.

O prefeito de Pederneiras, Rubens Cury, disse que a possibilidade de queda da ponte foi detectada através de estudos realizados pelo DER. Disse também que ainda não sabe se a nova ponte conterá várias pistas (caso em que seria desativada a ponte atual) ou apenas duas (caso em que a ponte atual seria apenas reformada e reforçada, para continuar sendo utilizada). O prazo para que a nova ponte seja finalizada, segundo vereadores presentes, seria de seis meses.

O prefeito de Boracéia reclamou bastante do crescimento do tráfego no trecho de estrada que liga a cidade ao local onde os veículos têm acesso à balsa que vai até Itapuí e é uma das alternativas para se chegar a Jaú. A estrada é utilizado pelos caminhões com mais de dois eixos ou com carga tóxica, impedidos de ir a Jaú usando a balsa que opera junto à ponte interditada.

O asfaltamento do trajeto entre a cidade de Boracéia e o acesso à balsa para Itapuí é de responsabilidade da prefeitura de Boracéia. Segundo o prefeito, o barulho e o perigo que a passagem dos caminhões representa (já que os pedestres estão habituados a caminhar pela rua, inclusive naquele trecho, e esse hábito, embora incorreto, conforme admitiu o prefeito, é difícil de ser alterado) são apenas parte dos problemas surgidos depois da interdição. Outro deles é a destruição do asfalto, produzido para suportar apenas o tráfego dos veículos leves

- já que a passagem dos pesados é excepcional. O prefeito de Boracéia sugeriu que o governo estadual assuma os custos da recuperação da pista, certamente necessária quando a situação se normalizar, e reclamou uma providência de Raul Cardoso, diretor do DER, com quem o prefeito havia mantido contato na própria segunda-feira. Mas reclamou que este não havia retornado a ligação, depois de prometer a ele que tentaria solucionar a questão e lhe daria retorno.

O vereador de Jaú José Carlos Zanato afirmou que as obras realizadas na rodovia Bauru-Jaú são habitualmente submetidas a influências políticas. Segundo ele, a construção de proteções laterais de concreto, na ponte, teriam acarretariam um peso não previsto para ser sustentado por suas pilastras, segundo o projeto original da ponte. Mas como empregava vários trabalhadores, durante um período relativamente extenso (alguns meses), a obra foi executada. Segundo Zanato, o adequado seria utilizar canos, pois são mais leves.

Outra questão polêmica sobre o acidente anterior a este, exposta pelo vereador Reginaldo Monteiro, é que a barcaça que causou o acidente em novembro de 1997 pertencia

à Usina Diamante, e uma das barcaças operada pela Meca, empresa que realizava a travessia de veículos cobrando pelo transporte, pertencia à mesma usina.

Ao final da reunião, foi constituído um documento do qual constam as reivindicações das autoridades presentes.

Ninguém foi responsabilizado pelo acidente anterior

Desde 1996, houve três acidentes envolvendo a ponte e provocando seguidas interdições. A primeira aconteceu quando um caminhão com excesso de peso, trafegando por aquele trecho, abalou as vigas de sustentação da ponte. As demais aconteceram em razão de colisões entre as pilastras e barcaças que navegam pela hidrovia Tietê-Paraná.

Segundo o presidente da OAB em Pederneiras, Luís Eduardo Franco, no caso do segundo acidente, ocorrido em novembro de 1997, o laudo técnico, já finalizado, não responsabiliza ninguém na esfera penal. A Capitania dos Portos, porém, teria admitido que houve negligência do condutor da barcaça. Apesar disso, também na esfera civil ainda não foi impetrada nenhuma ação pedindo a responsabilização de alguém.

Reivindicações da reunião de Pederneiras

*Cobrança de rapidez nas decisões técnicas e um compromisso público do DER e da Centrovias para o início imediato da construção da nova ponte, adequada à nova realidade da hidrovia;

*Gestões no sentido de que o Estado e a Centrovias assumam o recape e conservação das vias alternativas (estradas usadas como desvio no trajeto entre Bauru e Jaú), inclusive nas áreas urbanas;

*Suspensão da cobrança de pedágio na praça próxima à ponte interditada, enquanto perdurar a interdição;

*Rigor na fiscalização de eventuais excessos de carga nas denominadas vias alternativas e revisão da sinalização e medidas de segurança nas áreas urbanas;

*Cobrar da CESP, que é a mantenedora da hidrovia, a imediata colocação de proteções nos pilares da ponte danificada, sapatas ou muros guias (proteções móveis); da CESP, medidas para a melhor sinalização sobre e sob a ponte, como medidas preventivas de novos acidentes;

*Solicitação para que sejam divulgadas as planilhas de custo das reformas anteriores ocorridas na ponte;

*Solicitação de informações junto

à Capitania dos Portos em Barra Bonita: 1) sobre os meios adotados para a responsabilização dos acidentes ocorridos na ponte; 2) para que seja emitido parecer técnico acerca da suficiência das bóias de sinalização nas proximidades da ponte; 3) questionamento sobre eventuais normas para a navegação, que orientem manobras preventivas das barcaças, durante a passagem por sob pontes; 4) obrigatoriedade ou não da existência de seguro obrigatório, que cubra eventuais acidentes com embarcações; 5) incidência outros acidentes similares, na área de atuação da Capitania dos Portos;

*Caso o Estado ou a Centrovias não assuma o recape e a conservação das denominadas vias alternativas, como medida preventiva dos excessos nos desvios alternativos, implantação de pedágios municipais nos municípios atingidos.

Gastos com reforma já somam R$ 1,3 milhão

Texto: Marcos Zibordi

Jaú - As três interdições ocorridas na ponte sobre o rio Tietê, de setembro de 96 até abril deste ano, geraram um gasto de R$ 1,340 milhão aos cofres públicos.

O primeiro dos três acidentes ocorreu em setembro de 96, quando um caminhão com excesso de peso passou pelo local e fez com com que as vigas da ponte cedessem. A reparação custou ao DER R$ 232 mil.

Menos de um ano depois, em agosto de 97, uma embarcação bateu contra um dos pilares da ponte, enquanto ainda se faziam os reparos do acidente anterior. Desta vez, mais o dobro foi gasto pelo DER para recuperação: R$ 516 mil.

Para fazer o conserto deste último acidente, o DER ainda não tem o orçamento final dos custos. Até agora, R$ 600 mil já foram orçados preliminarmente. Esta obra não será definitiva, sendo que o custo refere-se a um reparo em caráter de emergência, com escoramento provisório da ponte.

R$ 1,3 milhão dariam para...

... contruir um núcleo habitacional com 65 casas de 47 m2. As casas teriam 3 dormitórios, laje e custo do terreno incluído.

... comprar 20 ambulâncias UTI completas, do mesmo modelo das usadas pelas viaturas de resgate.

... asfaltar 100 quarteirões de 80 metros ou 10 quilÃmetros de estrada.

Comentários

Comentários