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Percussionista

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 5 min

Da África para o Brasil

Da África para o Brasil

Texto: Ricardo Polettini

Percussionista Afonsinho Menino e seu grupo promovem hoje uma pequena mostra de percussão no Centro Cultural, a "Ilu Brasil". Mostrando diversos instrumentos de origem africana, ele também fala sobre suas histórias e influências na música brasileira.

Reunindo cerca de 20 instrumentos de percussão diferentes, alguns confeccionados a partir de sucata, o percussionista Afonsinho Menino, 35 anos, mais um grupo de músicos promovem a mostra

"Ilu Brasil". Durante quase uma hora, eles vão mostrar diversos ritmos diferentes que nasceram na África e ainda hoje influenciam diretamente a música popular brasileira. O evento é de graça.

A palavra "Ilu", de origem africana, em português, significa "tambor". E é nos instrumentos de percussão que está a maior contribuição da África para a música feita no Brasil.

"Os ritmos do continente africano chegaram até nós principalmente pelos rituais religiosos, como a umbanda e o candomblé", lembra o percussionista, que há mais de vinte anos se dedica

à pesquisa envolvendo não só tambores, mas outros instrumentos ligados à cultura negra, como ganzás, cuícas, agogÃ, djambês e o berimbau.

Roteiro

Para a mostra de hoje, Afonsinho Menino preparou um roteiro que segue desde a concepção rítmica mais primitiva até a música feita nos dias de hoje, como o funk. Na primeira parte, o primitivismo percussivo será conseguido utilizando sucata vários materiais diferentes, inclusive chapas de raio x. "Neste primeiro momento, a idéia

é apenas mostrar como se compõe um ritmo e como tudo o que quisermos pode soar como música", revela. Segue uma sessão rítmica feita apenas com panelas.

Logo depois, um dos ritmos africanos mais antigos, o afoxé, uma espécie de "forró primitivo" bastante usado pelos Filhos de Gandhi, na Bahia, executado com congas, agogà e xequerê.

Esse último, é feito com uma cabaça envolta em uma trama de barbantes e contas, que produz um som parecido com o bater das palmas da mão. "Esse instrumento foi inventado para isso. Nos rituais do candombé, as pessoas marcavam o ritmo com as mãos, depois, isso foi substituído por instrumentos musicais, como o xequerê", afirma.

A mostra continua com o ritmo vamúnia, feito com varetas e congas, também bastante utilizado no candomblé. Depois, serão ouvidas levadas com berimbau e pandeiro, passando pelo samba-de-roda, o coco nordestino até chegar no funk moderno.

Grupo de percussão

A intenção de Afonsinho Menino é criar um grupo em Bauru formado só com percussionistas para apresentações na cidade. Além de ensinar a tocar os instrumentos e falar sobre a história de cada um dele, o pesquisador também pretende mostrar como se constrói instrumentos de percussão.

"Nosso grupo ainda é pequeno, mas a idéia é fazer o trabalho crescer e divulgar o instrumento de percussão em toda a região", diz.

A próxima apresentação do grupo em Bauru está marcada para o próximo dia 15 de maio (sábado), durante o evento "Quilombo Groove", que vai reunir diversas manifestações artísticas num mesmo espaço

(leia matéria nesta página). Nesse dia, além das percussões, outros instrumentos vão fundir ritmos africanos com vertentes mais modernas, além de servirem de base para um número de dança.

O Músico

Antes de morar em Bauru, o mineiro Afonso Menino trabalhou em São Paulo em projetos sociais envolvendo música e crianças de rua. Alguns de seus trabalhos tiveram grande espaço na capital paulista ao lado de outros percussionistas, com apresentações e oficinas nas unidades do Sesc do Carmo e Pompéia.

Atualmente ele dá aulas de percussão em sua casa, na rua Saint Martin, 13-29, Centro. Contatos com o músico podem ser feitos pelo telefone (014) 234-3717.

Serviço

Mostra percussiva "Ilu Brasil", grátis, hoje, a partir das 16 horas, no Centro Cultural, avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (014) 235-1072 / 235-1092.

'Quilombo Groove' promove interação entre as artes

Alegria contra a opressão. Esta é a palavra de ordem do evento cultural "Quilombo Groove", que vai reunir artistas de todas as vertentes, no próximo sábado

(dia 15), em Bauru.

Alguns dos principais nomes da nova geração, como a banda Mercado de Peixe, os artistas plásticos Gastão Debreux e Rosa Isawa, a bailarina Viviane Bastos, a Cia de Teatro-Dança Salve Arte!, o DJ Kosmic Karmo e o percussionista Afonsinho Menino vão se apresentar no evento.

A idéia do grupo, que está plugado nas tendências da nova arte, como o multiculturalismo, é juntar forças e reciclar a arte produzida na cidade.

Inspirados em movimentos como o Mangue Bit, o Tropicalismo e a Semana da Arte Moderna, um dos conceitos do grupo é resistir

à invasão cultural pura e simples, se apropriando de elementos das culturas estrangeiras e modernizando a cultura popular.

A primeira festa realizada pelo grupo vai acontecer em um galpão próximo à Rodoviária, na rua Aparecida, 6-70.

O evento tem promoção da Ummagumma Eventos, a mesma que realizou a "Technofest", a primeira rave de Bauru.

Os realizadores ainda buscam apoio de empresas interessadas em oferecer apoio cultural para o evento. Informações:

(014) 972-8366. (FA)

Ummagumma assume o Original Bar

A Ummagumma Eventos, realizadora da "Technofest" e promotora do Quilombo Groove, assume o Original Bar a partir da próxima semana.

A idéia dos sócios Fausto Garcia e Daniel Franco Martins, um dos proprietários do novo espaço, é transformar o lugar em um mini-centro cultural, com exposições e mostras de artes em geral, além de trabalhos envolvendo crianças de rua.

No futuro, com o dinheiro arrecadado no bar e em eventos da produtora, a Ummagumma planeja construir um espaço voltado exclusivamente para crianças carentes.

No dia 15 de maio (sábado), acontece o primeiro evento que terá a dupla à frente, a festa "Han Power", em que cinco bandas de fora vão estar se apresentando. Em junho, o bar vai fechar por um mês para uma reforma. Na reabertura, o Original muda de nome. (FA)

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