Geral

Concordata

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Caio apresenta pedido de concordata

Caio apresenta pedido de concordata

Botucatu - Mergulhada numa dívida de R$ 60 milhões, a Companhia Americana Industrial de Ônibus (Caio), uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus urbanos do país, apresentou no início desta semana, no Fórum de Botucatu, pedido formal de concordata preventiva. A decisão foi tomada durante assembléia geral dos acionistas, realizada na última semana, convocada com a finalidade de encontrar uma saída emergencial para a crise da empresa, que está com a produção de ônibus totalmente paralisada.

Outra decisão importante foi o rompimento do compromisso com o Banco Bozano Simonsen, contratado há sete meses com a missão de recuperar a saúde financeira da empresa, com aporte de capital capaz de eliminar os problemas de curto prazo. "De lá para cá o banco não cumpriu com seus compromissos, nos trazendo sérias dificuldades", afirmou Cláudio Regina, um dos sócios-proprietários da Caio, durante coletiva de imprensa realizada na terça-feira, dia 4.

A consequência imediata disso foi o rompimento dos acionistas com a firma Applied, indicada pelo próprio Bozano Simonsen para gerenciar as atividades da companhia. "Esse grupo gestor adotou procedimentos que deixaram insatisfeitos fornecedores e clientes da Caio. Além disso, acionistas que dedicaram toda sua vida à empresa não eram informados sobre nada", desabafou José Massa Netto, que passará a ter o comando de toda a área técnica e administrativa.

A Caio tem o prazo de 30 dias a partir da apresentação do pedido de concordata, para reunir a documentação que leve ao sinal verde por parte do Poder Judiciário. Caso haja o deferimento, a empresa terá 24 meses para saldar suas dívidas, a juros de 6% ao ano.

Mas os novos controladores não querem perder tempo e já deram início às negociações. Ontem aconteceu uma reunião com a presidência da Mercedes Benz, maior fornecedora de chassis para a fábrica de Botucatu, na tentativa de retomar a produção. Segundo Cláudio Regina, um grande cliente da Caio, sediado no ABC, já se comprometeu a enviar 20 chassis. "É como se estivéssemos inaugurando a fábrica", comentou.

A direção da Caio pretende conversar, nos próximos dias, com fornecedores, bancos, clientes e funcionários, a fim de definir a rotina de trabalho daqui por diante. A prioridade

é a quitação da folha de pagamento de abril, que deverá ocorrer por volta do dia 15, com pagamento de pelo menos 50% do salário. "Aquilo que entrar será destinado a honrar os compromissos com nossos funcionários", garantiu Massa.

A direção da Caio vem mantendo contatos com lideranças políticas como o deputado estadual Milton Flávio

(PSDB); o secretário de Ciência e Tecnologia, José Aníbal e o ministro da Indústria e Comércio, Celso Lafer, na tentativa de provocar um reaquecimento das vendas. Para que isso aconteça, é fundamental que o Governo Federal reavalie a política de incentivos à produção no setor, garantindo que o Finame possa voltar a financiar 100% da fabricação do ônibus. "Hoje as vendas estão paralisadas, já que as empresas de transporte coletivo estão descapitalizadas. Como se não bastasse,

é cada vez maior o número de perueiros que trabalham de maneira clandestina, numa concorrência desleal", salientou Cláudio Regina.

Apesar das dificuldades que ainda enfrentam, os diretores da Caio acreditam ser possível recuperar a credibilidade e a saúde financeira da empresa. O retorno dos funcionários à fábrica está marcado para o dia 12 de maio, quando terminam as férias coletivas. Mas não está descartada a possibilidade de alguns setores começarem a funcionar antes desta data. A princípio, a direção da empresa não trabalha com a possibilidade de demissões.

"Faremos algumas mudanças, para adaptar a empresa a essa nova realidade, mas não passa pela nossa cabeça promover demissões", afirma José Massa. Nos

últimos cinco anos a Caio chegou a operar com 2.400 funcionários e hoje, por conta da modernização da linha de produção e da terceirização, a fábrica de Botucatu conta com cerca de 1.300 trabalhadores.

Investidores nacionais e estrangeiros ainda demonstram interesse na empresa, que segundo seus diretores, tem capacidade de faturar até R$ 200 milhões. "Uma injeção de R$ 15 milhões já seria suficiente para a recuperação da empresa. Mas estamos mantendo várias negociações que podem resultar em contratos de exportações que acabarão reaquecendo nossas vendas", anunciou Cláudio Regina.

Caio assume crise em comunicado

A Caio sempre foi líder de mercado na fabricação de carrocerias urbanas, estando presente em todas as frotas das empresas brasileiras e também no exterior.

Com 54 anos de existência, esta é a maior crise enfrentada pela empresa. Apesar de todos os esforços, não foi possível normalizar a produção. Há sete meses atrás celebrou um acordo com o Banco Bozano Simonsen e com a firma JR. Fagundes (Applied) visando a reestruturação institucional da empresa com aporte de capital.

Além dos objetivos não terem sido alcançados, o quadro econômico do país, a falta de financiamentos e a diminuição de 100% para 60% da participação do Finame levaram a empresa ao pedido de concordata, esclarece o comunicado da direção da empresa dirigido aos funcionários ontem.

Segundo a direção da Caio, as empresas de transporte das capitais também estão descapitalizadas, fazendo com que a produção de ônibus tivesse uma queda de 50%. A Caio ainda argumenta que Índice de Passageiros por Quilômetro (IPK) diminui mês a mês. O comunicado termina dizendo que "esta é a situação e a Caio nesse contexto foi obrigada a buscar apoio no remédio legal da Concordata Preventiva".

Comentários

Comentários