Geral

Eleições

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Temer se posiciona como candidato

Temer se posiciona como candidato

Texto: Nélson Gonçalves

Presidente da Câmara dos Deputados diz que reformas saem este ano. Michel Temer vai se posicionando como candidato ao governo do Estado

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB) comentou ontem, em Bauru, que as principais reformas para o País serão votadas ainda este ano no Congresso. Temer cita como as mais importantes as reformas Tributária, do Judiciário e do Sistema Financeiro. O deputado federal acredita que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) não atrasam a agenda de votação no Congresso.

Em visita a Bauru para uma palestra exatamente sobre as reformas, no auditório da ITE, Michel Temer também comentou sobre sua peregrinação política no Estado.

É sabido que o deputado prepara sua pré-candidatura ao governo do Estado pelo PMDB, daqui há três anos e meio. Sobre o assunto, Michel Temer não desmente. Ele comenta, como todo candidato em potencial, que vai "se posicionando e se acontecer". Para tentar desconversar, Temer diz que ainda "é cedo para falar no assunto". O deputado também tenta descaracterizar que sua liderança no PMDB signifique o anti-quercismo. Veja os principais pontos da entrevista coletiva à imprensa:

Imprensa - Das reformas, qual o ponto mais importante para o País?

Michel Temer - Temos duas questões fundamentais para o País. De um lado há um desejo muito grande da sistematização de toda a cobrança tributária no País. Isso vai importar basicamente na desoneração do setor produtivo, atingindo o objetivo da ampliação do mercado de trabalho. De outro lado, há outro desejo de redistribuição de recursos privilegiando os municípios. O outro ponto é a Reforma Judiciária. Todos querem uma Justiça mais rápida. Uma reformulação

é a necessidade.

Imprensa - O Imposto Único agrada na Reforma Tributária?

Temer - Acho que é uma das idéias. O ex-deputado Luiz Augusto Ponte tem comparecido à comissão da reforma sustentando seu projeto, exatamente o do imposto único. Acho difícil a hipótese de um único imposto, mas a redução acho que é necessária até.

Imprensa - E a proposta de fim do juiz classista?

Temer - A tendência é de se estabelecer um juizado especial na Justiça do Trabalho. Ao invés do longo caminho, de recursos e mais recursos, para as instâncias, se adequaria a figura do juizado especial, integrado com os juízes togados e leigos. Talvez os chamados juízes leigos possam ser juízes conciliadores que podem ser indicados pelas categorias profissionais, do empresário e do trabalhador. Mas talvez pagos pelas próprias categorias profissionais.

JC - Mas a agenda política do Congresso vai fazer quando todas essas reformas?

Temer - Nós estamos fazendo o possível para isso. Por isso nós estamos lançando a tese da reforma Tributária, do Judiciário e estamos lançando na próxima terça-feira a reforma do sistema financeiro do País. Isso tudo teria que ser amanhã. Mas no processo legislativo temos que dar oportunidade a uma ampla discussão. Estimo que ao longo deste ano, ainda nesta seção legislativa, nós teremos promovidos essas reformas todas.

Imprensa - E a revisão de competências?

Temer - Também está na pauta. A revisão do pacto federativo é redistribuir competência entre União, Estados e Municípios. E até para o meu gosto, eu sei que essa é uma matéria difícil, complicada, se houver uma descentralização beneficiando o Município acho extremamente útil para o País.

JC - Como o senhor vê sendo colocado como um representante do anti-quercismo no PMDB de São Paulo?

Temer - Não se trata de eliminar o quercismo ou não. A única coisa que eu postulo dentro de São Paulo é que haja uma democratização do partido, como nós fizemos na área federal, porque há uma grande discussão. Não há nenhuma divisão com o quercismo. Mas nós queremos um PMDB muito oxigenado, muito democratizado.

Imprensa - Qual a posição do senhor sobre a CPI dos Bancos?

Temer - Acho útil, que temos que investigar e a fundo para que se estabeleça no País a moralidade. Se não encontrar nada muito bem, mas o simples fato da Comissão Parlamentar de Inquérito já revelou que o País precisa apurar fatos como este.

JC - O anteprojeto do novo Código Penal coloca o crime de publicidade opressiva. Como o senhor vê esse ponto?

Temer - É preciso verificar bem as dimensões deste item, porque está muito ligado a idéia da lei de imprensa. Nós temos no Brasil uma imprensa responsável, com limitações de natureza democrática de maneira que não possa exagerar, mas tendo em vista basicamente que a imprensa livre é um dos pilares da democracia. Nós não podemos cerceá-la ou limitá-la ao ponto de impedir a divulgação de fatos de interesse da sociedade brasileira. Acho que esse item vai se somar na discussão com a nova Lei de Imprensa, sem sufocar a liberdade de informação.

Imprensa - O senhor se prepara para uma futura candidatura a governador do Estado?

Temer - Você sabe que nessas questões políticas a gente não postula, nós nos posicionamos. Eu vou me posicionando, se lá pra frente acontecer, tudo bem. Mas ainda é muito cedo para falar sobre isso.

JC - O PMDB já posiciona o senhor como possível candidato?

Temer - Fico muito honrado com isso. Mas eu vou esperar dois anos.

Comentários

Comentários