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Serviço médico

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

APM critica, mas usuários aprovam Sinam

APM critica, mas usuários de Bauru aprovam Sinam

Texto: Adriana Amorim

A regional da Associação Paulista de Medicina (APM) em Bauru não encontra vantagens no Sistema Nacional de Atendimento Médico (Sinam), uma espécie de convênio médico criado no ano passado pela Associação Médica Brasileira (AMB). O sistema oferece descontos de até 60% nos exames laboratoriais e os médicos cadastrados cobram R$ 39,00 por consulta. Os usuários, no entanto, só mostram vantagens na adesão ao sistema, que ainda

é desconhecido de grande parte da população.

Para o presidente da APM em Bauru, o médico Carlos Alberto Monte Gobbo, os valores são altos demais e previlegiam apenas a camada da população com padrão de vida médio e alto. Ele acredita que as pessoas que atualmente podem pagar R$ 39,00 por consulta poderiam estar vinculadas a planos de saúde.

"Até agora eu não consegui encontrar os benefícios desse sistema, nem para o profissional e nem para o público", afirma Gobbo. O médico classifica como 'irresponsável' a criação do Sinam, uma vez que, segundo ele, são os próprios médicos que acabam arcando com os problemas.

Segundo Gobbo, grande parte dos médicos já pratica uma espécie de Sinam nos consultórios ao ajudar pacientes carentes. Ele diz que os médicos não poderiam dar conta da procura caso o número de pacientes aumentasse.

"O que ia acontecer é que eu iria receber uma legião de pessoas pagando consultas por R$ 39,00 e achando que eu vou ter que resolver o problema delas com R$ 39,00. Vou ficar com a obrigação de pelo menos tentar resolver. Médico nenhum quer comprar esse problema e por isso não houve interesse médico pelo Sinam aqui em Bauru".

Como presidente da APM, ele diz que ignorou as solicitações de divulgação do Sinam feitas pela AMB. "Eu sabia que não ia ter apelo nenhum aqui em Bauru. Não existe fórmula milagrosa. O governo tem é que prestar atendimento decente para essa população".

Vantagens

Os usuários do Sinam em Bauru, no entanto, só citam vantagens do sistema. O comerciante Jaime Lopes de Oliveira aderiu ao Sinam em outubro do ano passado. Sem ter condições de pagar um plano de saúde, ele diz que o sistema é uma alternativa vantajosa porque o atendimento médico pode ser feito em qualquer cidade do País, desde que o serviço requisitado seja cadastrado no Sinam.

"Para quem não tem nada, essa é uma boa opção", frisa. Antes de ser credenciado, Oliveira e a família procuravam o serviço público de saúde. Depois que descobriu o sistema, ele passou a fazer a propaganda boca-a-boca.

O aposentado Severino Mariano da Silva conheceu o Sinam através do comerciante. Sem ter plano de saúde, ele fez a sua adesão e também se encarregou de fazer a divulgação.

"Acredito que quanto mais gente tiver, o atendimento, melhora". Agora, ele é também conveniado à Unimed, mas utiliza o Sinam como alternativa. "A Unimed deixa a desejar porque os médicos agendam consultas meses depois do solicitado. Numa situação de urgência, posso usar o Sinam".

A assessoria de imprensa da AMB esclarece que o Sinam também inclui atendimento hospitalar. Em Bauru, o Hospital Beneficência Portuguesa presta atendimento. Para a utilização, o usuário deve fazer o pagamento diretamente aos prestadores de serviços. A vantagem é que os integrantes do Sinam pagam o atendimento hospitalar com preços 50% mais baixos que os cobrados de particulares. Os valores integram uma tabela negociada entre o sistema e os hospitais.

O mesmo procedimento é válido para o atendimento odontológico. O usuário pode realizar todo tipo de exame e consultar médicos de todas as especialidades. O pagamento sempre é feito junto aos prestadores de serviços, uma vez que não existem mensalidades nem anuidades.

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