Applied responsabiliza Caio
Applied responsabiliza Caio
Texto: Marcos Zibordi
Grupo gestor atribui à Caio a responsabilidade sobre a não resolução dos problemas da empresa
Botucatu - A empresa Applied, contratada pelo Caio para colocar em dia suas contas e a saúde financeira da fábrica de carrocerias, diz que as críticas feitas em relação ao trabalho desenvolvido em Botucatu são mentirosas. Antonio Gomes, 44 anos, sócio-fundador da Applied e uma das três pessoas que figuravam como diretor estatutário da Caio, diz que "elas não são verdadeiras. A Applied agiu com extrema lisura e transparência".
Segundo a direção da Caio havia dito, o grupo gestor da Applied teria adotado procedimentos que deixaram diretores, fornecedores e clientes insatisfeitos. Além disso, os acionistas da Caio não estariam sendo informados sobre as medidas administrativas tomadas pelo grupo gestor.
A Applied diz que, em termos de procedimento, os próprios fornecedores podem testemunhar sobre as medidas que estavam sendo tomadas. Com relação à suposta falta de informação aos acionistas das medidas tomadas pelo grupo gestor, Gomes diz que "nós tínhamos contatos diários, semanais e mensais, e tínhamos uma reunião a cada duas semanas com os acionistas. Nessas reuniões eles tinham, formalmente, cadernos de absolutamente tudo que você possa imaginar em termos da companhia, e era tudo dividido por tema; mercado, venda, finanças, produção e restruturação. Nós temos todas as cópias".
A Applied assumiu a Caio no final de setembro de 98 e denunciou
(pediu rescisão) o contrato no dia 7 de Abril, por decisão da própria Applied, e não dos acionistas da Caio, argumenta Gomes.
Os motivos básicos da denúncia do contrato foram três, segundo a Applied. O primeiro seria a não capitalização da empresa no período estipulado em contrato. A Caio deveria ter conseguido dinheiro, justamente para colocar em ação todo o plano estratégico desenvolvido ao longo de sete semanas de diagnóstico pelo grupo gestor. "A capitalização nunca existiu. Essa falta de capitalização impossibilitou que a estratégia desenvolvida fosse aplicada. Essa foi uma razão", diz Gomes.
Outro motivo levantado pela Applied foram as constantes interferências de pelo menos dois dos acionistas ao longo do processo. Essa interferência não era permitida pelo contrato. "Existia uma cláusula no contrato que dizia que nenhum dos quatro acionistas podiam interferir, sob qualquer pretexto, em tempo algum, durante um período de dois anos. Essa interferência houve e bastante".
O terceiro motivo que, segundo a Aplleid, reforçou a iniciativa de denúncia do contrato, foi um pedido de dois acionistas para que a própria Appleid encontrasse os investidores necessários à capitalização da Caio.
"Eles estariam dispostos a vender a Caio pela dívida, contanto que estes investidores colocassem dinheiro de capitalização. Não era obrigação da Applied. Nós conseguimos uma composição de investidores alguns dias depois e, através da Applied, foi feita a proposta dos investidores de compra de cem por cento da Caio pelo endividamento de aproximadamente R$ 72 milhões, com capitalização imediata da até R$ 25 milhões. Essa era a proposta". Segundo Gomes, os mesmos acionistas que propuseram a venda aceitaram de pronto a proposta. Mas outros dois não aceitaram. "Isso só reforçou o fato de termos pedido a denúncia do contrato".
A Applied é uma empresa de consultoria especializada em gestão temporária de empresas, com clientes como Embraer e Banco Banerj. Sua equipe tem mais de 20 anos de experiência nesse ramo de atividade e a empresa está no mercado desde 94.