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Redação
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MST tem que deixar área até domingo

MST tem que deixar área até domingo

Líder diz que não desocupará fazenda Santo AntÃnio em Brasília Paulista, sem um posicionamento do Incra

Piratininga - Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que invadiram a fazenda Santo AntÃnio, no distrito de Brasília Paulista, na madrugada da última quarta-feira terão que sair da área até domingo, em cumprimento à liminar concedida anteontem pelo juiz Luís Roberto Fink Júnior, de Piratininga. A ação de reintegração de posse foi ajuizada pela proprietária da fazenda na quinta-feira e no mesmo dia, após decisão juiz, os líderes do movimento foram notificados por oficiais de justiça que estiveram no local.

Um dos líderes do MST, Adaílton Manoel da Silva disse que, atráves de representantes do Instituto de Terra do Estado de São Paulo (Itesp) que estiveram em Bauru ontem, encaminhou documentação para o Incra relacionando questões que segundo ele contribuem para que a área seja considerada passível de ocupação e desapropriação. Na exposição de motivos, que fez ao Incra, o MST relaciona não pagamento de impostos, multas em atraso e estado de abandono da propriedade.

Sobre a determinação da Justiça para que eles deixem a área até domingo, Silva adiantou que

"possivelmente não vamos sair antes do prazo. Queremos uma posição por parte do Itesp, do Incra".

No Fórum em Piratiniga, a informação ontem era a de que na segunda-feira à tarde os oficiais de justiça devem retornar à fazenda em questão para conferir se a liminar foi ou não cumprida. Se não, uma das possibilidades é a autorização para que a polícia providencie e acompanhe a saída dos sem-terra da área.

Ameaça

O líder Adailton disse ontem que dois integrantes do movimento foram ameçados anteontem no começo da noite por quatro ocupantes de um Monza cor vinho. Silva disse que eles ainda não levaram o fato ao conhecimento da polícia, mas estão revoltados e preocupaddos com possíveis conflitos que possam surgir se algum tipo de ameça voltar a ocorrer. Os dois integrantes do MST, de acordo com Silva, ocupavam um Gol e se dirigiam para Bauru quando ainda dentro da fazenda, mas fora do acampamento foram parados pelo Monza que era ocupado por três homens e uma mulher armados. Ainda segundo Silva os ocupantes do Monza não quiseram se identificar e tentaram intimidar os dois.

Ocupação

A ocupação da fazenda Santo AntÃnio ocorreu na madrugada de quarta-feira. Aproximadamente 50 pessoas integrantes do MST invadiram a área que fica próxima ao distrito de Brasília Paulista, pertencente a Piratininga. A fazenda tem 320 alqueires e pertence a Cleide de Barros Peres, que mora em São Paulo. Segundo informações obtidas pela Prefeitura junto à Casa da Agricultura de Piratiniga, existem na propriedade cerca de 400 cabeças de gado e 100 equinos. Na Delegacia de Piratininga foi registrado um boletim de ocorrência relatadando a invasão.

Outras famílias

Segundo Adaílton Manoel da Silva, cerca de 50 famílias, integrantes de movimentos de sem-teto em São Paulo, devem chegar ao acampamento, provavelmente neste final de semana. As famílias que já estão na fazenda são de Bauru, Duartina e Piratininga. Conforme Silva, essas pessoas foram arregimentadas para participar das invasões através do "trabalho de base" que o MST desenvolve - segundo ele, consistente em reuniões articuladas por pessoas ligadas ao movimento, em diversos bairros das cidades envolvidas. Durante esses eventos, são expostos os objetivos e a forma de atuação do movimento, e os presentes são convidados a integrá-lo.

O dirigente afirmou que não há intenção de transferir as pessoas atualmente acampadas às margens da rodovia Bauru-Jaú para o novo acampamento. Apenas ele próprio e alguns poucos coordenadores daquele acampamento se transferiram para a fazenda, para coordenar a nova ocupação.

A quantia de comida trazida pelos invasores, conforme Adaílton, permite sustentá-los por cerca de 10 dias. Depois disso, ele pretende obter comida através de campanhas de arrecadação e, também, mediante auxílio do Incra.

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