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Juros

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 6 min

Queda dos juros não chega ao crédito

Queda dos juros não chega ao crédito

Texto: Márcia Buzalaf

Com a menor taxa de juros básica desde setembro do ano passado, quando a crise russa repercutiu no Brasil, o mercado financeiro dá sinais de otimismo. Mesmo assim, as taxas de juros aplicadas aos financiamentos ainda está alta, e só deve ser sentida daqui há alguns meses. O economista e professor universitário, Reinaldo César Cafeo, lembra que a meta estabelecida pelo Fundo Monetário Internacional

(FMI) nos empréstimos que concedeu ao Brasil era de uma taxa básica de 28,8% neste ano. Considerando-se que o mercado operou nos primeiros meses de 99 com uma taxa de quase 50%, a perspectiva é de uma taxa bem baixa até o final do ano.

Desde a última quinta-feira, o Banco Central baixou a taxa básica de juros Selic de 29,5% ao ano para 27%. A sinalização

é somada pelo clima de otimismo que a crise passou (veja matéria na página ??) e gera mais segurança na mercado financeiro.

Desde setembro de 98, a taxa de juros básica subiu de 25,75% ao ano para 29,75%, depois, pularam para 49,75% ao ano. A redução da última quinta-feira foi a sexta em 48 dias. E ainda espera-se que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 19, as taxas caiam para 25% ao ano.

Entretanto, nem todas as boas notícias chega tão rapidamente ao bolso do consumidor nem ao caixa da empresa. De acordo com um especialista no mercado, "quando as taxas de juros referenciais sobem, sobem no mesmo dia no mercado. Quando elas caem, caem no mês".

De acordo com Cafeo, as taxas de juros não caem na mesma proporção porque, em seu cálculo, são somadas variáveis como a inadimplência e impostos, que não "caem" da noite para o dia.

A demanda por financiamento empresariais, segundo Francisco Vianna de Oliveira Júnior, 41 anos, gerente de unidade da agência da Vila Cardia da Nossa Caixa Nosso Banco, ainda está retraída. Ele diz que o crédito para pessoa física não segue a mesma característica de pessoa jurídica, já que está sempre ativo, dependendo mais de fatores sazonais do que econÃmicos.

Linhas de financiamento

O Hot Money é uma linha de financiamento voltada para cobertura de caixa das empresas. Com um limite pré-aprovado pelo banco, o recurso é geralmente usado para cobrir a conta por até 10 dias. Com taxa de juros menor do que a do cheque especial - 3,95% - a modalidade, para Cafeo, é indicada para quem quer cobrir alguma conta no curtíssimo prazo. Esta linha precisa do aval dos sócios como garantia. "É um dinheiro fácil de ser conseguido, rápido", afirma.

Outra modalidade muito pratica pelas empresas, segundo Cafeo,

é o desconto de duplicatas, cheques e, mais recentemente, de cartão de crédito. Com o prazo máximo de 60 dias, esta linha é mais usada como antecipação de fluxo de caixa, com as taxas que variam de 2,9% a 4% ao mês.

Esta taxa é chamada de antecipada, e é descontada juntamente com o Imposto sobre Operação Financeira

(IOF) no ato do financiamento. Por isso, Cafeo diz, a taxa de 4% ao mês deve sair por 4,16%. "Além disso, pagar uma taxa antes é diferente de pagar uma mesma taxa depois do contrato", afirma. A ressalva é que a empresa deve usar apenas títulos de clientes seguros, já que, se o cheque não tiver fundo, por exemplo, é o empresário que arca com o Ãnus.

Também existem as tradicionais linhas de crédito para financiar capital de giro das empresas. O prazo máximo deste financiamento é de 90 dias, e sua cobrança pode ser parcelada ou no final da operação. A garantia exigida para as empresas com "cadastro limpo" é o aval dos sócios, e o juros cobrado é de 4,5% mais IOF.

O cartão de crédito e o cheque especial têm custo mais alto do que qualquer tipo de financiamento, já que não possuem garantias. De acordo com Oliveira Júnior, da Nossa Caixa, a taxa atualmente usada é de 8,95% ao mês. Este tipo de crédito é recomendado para quem precisa de dinheiro urgentemente e por um pequeno período de tempo.

Outra modalidade de crédito para empresas é a conta garantia também chamada de cheque especial. Segundo Cafeo, este é o dinheiro mais caro do mercado, já que o banco deixa reservado este dinheiro. Se a empresa está em uma boa situação financeira, é exigido apenas o aval dos sócios.

A média dos juros cobrados no cartão de crédito, segundo Cafeo, é entre 8,40% e 10,5%. "Deve ser usado para cobertura de caixa momentâneo, de alguns dias", afirma.

Nas linhas de crédito para pessoa jurídica, Oliveira Júnior destaca o financiamento para microempresas, chamado de projeto MicroBanco. De acordo com o gerente, este crédito

é desburocratizado. No desconto de cheques pré-datados de até R$ 300,00, por exemplo, Oliveira Júnior diz que a taxa cobrada é de 2,60%.

Crédito pessoal

Na modalidade de pessoa física, Cafeo destaca o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que tem o prazo de até 12 meses,

é mais "barato" no banco - entre 4% e 5,35% - do que na financeira - entre 6,5% a 9%.

Em linhas de financiamento para pessoa física, a Nossa Caixa, por exemplo, dispõe de linhas de financiamento para veículos novos (2,90% mais TR), veículos usados

(3,20% mais TR), equipamentos para deficientes físicos

(0,95%) e para a aquisição de bens e de serviços

(4,70% mais TR), inclusive para o financiamento de casamento.

As financeiras, segundo Cafeo, cobram bem mais caro do que o banco já que leva em conta a inadimplência. Geralmente, quem vai à financeira, já procurou os bancos e não conseguiu crédito.

Conforme anunciou o órgão de defesa do consumidor, o Procon de São Paulo, os juros do cheque especial, modalidade bastante usada pela classe média, não caiu na mesma proporção das quedas de juros. A queda desta taxa no mês de maio em comparação com abril foi de apenas 0,07% (passando da taxa média de 10,99% para 11,06%).

A pesquisa realizada pelo órgão de defesa entre os dias 6 e 7 deste mês, detectou que a menor taxa é a da Nossa Caixa Nosso Banco, de 8,95% e, a maior, é a do Banco Real, de 13,40%.

Análise individual

O que está acontecendo, segundo Cafeo, é que as empresas já esgotaram as outras linhas de crédito e estão tendo que migrar para a conta garantida.

As garantias exigidas para as empresas, segundo Cafeo, são diretamente proporcionais à estabilidade da empresa. Segundo Cafeo, quando maior o risco real de inadimplência, maior a garantia "real" exigida pelos agentes financeiros, como imóveis, carros, máquinas e outros bens.

As taxas de juros, fala Cafeo, são negociáveis de acordo com cada cliente. A concepção de risco e reciprocidade com o banco, segundo o economista financeiro, são superimportantes para determinar as taxas de juros.

A taxa de juros usada no crédito pessoal pela Nossa Caixa,

é pré-fixada em 5,95%, e tem o prazo máximo de 12 meses. Segundo Oliveira Júnior, mesmo quem não

é correntista do banco pode adquirir esta linha de financiamento, contanto que apresente a garantia em cheque.

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