Acib e BB assinam protocolo para liberação de crédito
Acib e BB assinam protocolo para liberação de crédito
Texto: Márcia Buzalaf
A Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) assinou, no inÃcio da tarde de ontem, o protocolo de intenções com o Banco do Brasil visando abrir linhas de financiamento para micros e pequenas empresas sem burocracia e com juros mais baixos do que o mercado opera.
O objetivo do acordo é estreitar relações com um segmento que fica alienado dos financiamentos tradicionais, mais voltados para a empresa de grande porte. O maior benefÃcio do acordo é a taxa de juros e a facilidade na obtenção do crédito.
Conforme afirmou o superintendente estadual do Banco do Brasil, Gladstone Medeiros de Siqueira, apenas os grandes empresários conseguem taxas de juros melhores nos financiamentos com os bancos.
De acordo com o superintendente da
região de Bauru do Banco do Brasil, José Marconi Guimarães Lima, este mesmo protocolo de intenções já foi assinado com a associação comercial e industrial de Bariri, Jaú, Avaré, Itápolis, Conchas, Barra Bonita e Dois Córregos. A assinatura do protocolo com as outras cidades que compõem a regional de Bauru está em andamento.
O acordo prevê a abertura de linhas de financiamento no prazo máximo de 36 meses, com 12 de carência, e a taxa de juros é de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 5,33% ao ano, o que significa aproximadamente 19% ao ano.
O ponto de partida deste acordo foi uma reunião entre o Banco do Brasil e o Ministério do Trabalho, visando mais linhas de crédito para o desenvolvimento da geração de empregos, com recursos advindos do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT). Depois disso, no dia 23 de abril, o banco assinou um convênio com a Federação das Associações Comerciais e Industriais.
De acordo com Ricardo Alves da Conceição, diretor de negócios rurais, agroindustriais e com o governo do Banco do Brasil, o convênio visa o financiamento para capital de giro, e tem limite máximo de R$ 50 mil, sendo que deste total, o cliente deve arcar com 20% e, o banco, 80%.
De acordo com o presidente da Acib, Cássio Nunes Carvalho, 44 anos, a linha de crédito aberta com a assinatura do protocolo já existe, mas com taxas de juros mais elevadas.
O diretor da Acib, Reinaldo César Cafeo, lembrou, na oportunidade, que a assinatura do contrato é apenas o inÃcio das atividades da Acib para desenvolver o comércio em Bauru.
Uma lista com o nome dos 500 associados ativos da Acib está sendo encaminhada para as cinco agências do banco na cidade. Deste total de associados, Cafeo lembra, 60% são micro e pequenos empresários. "Precisamos desenvolver uma pró-atividade, no sentido de dar consultoria e orientar o empresário sobre esta linha de financiamento", afirma.
Carvalho afirma que falta muita informação e atualização dos empresários bauruenses, até mesmo com o tratamento que é dado aos funcionários do comércio e da indústria. Para ele, desde a entrada do Plano Real os empresários brasileiros sofreram na retração ao consumo. Em Bauru, o efeito foi ainda mais grave, já que a cidade tem o comércio como sua atividade principal.
"O governo visou muito a economia externa e deixou a interna
à deriva", afirma ele.
Para Siqueira, o banco está "voltando a sua vocação inicial, que não é de especulação de mercado, mas, sim, de investimento na atividade produtiva e de desenvolvimento". Hoje em dia, Siqueira diz, o Banco do Brasil tem aproximadamente 430 carteira de clientes, cada uma com uma média de 60 clientes, sendo acompanhada por um gerente de contas especializada em assessorá-los.
Conceição lembrou que o Banco do Brasil libera por ano R$ 15 milhões, sendo que R$ 12 milhões é para o setor rural. Siqueira lembrou que o banco vem intensificando suas linhas de crédito para a exportação e para a economia informal.
Para todos os representantes do Banco do Brasil e da Acib, esta
é a única saÃda de uma crise que dá sinais de recuperação: o suporte e a capitalização das micro e pequenas empresas.