Geral

Auto-cura

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

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Método focaliza o sistema imunológico

Texto: Sabrina Magalhães

De acordo com os adeptos do Self-healing, o corpo humano está preparado para enfrentar qualquer doença, mas é preciso estimular essa função

"O método do Self-healing parte do pressuposto de que as pessoas não necessitam estar doentes. Ou seja, que o nosso organismo tem condições de se preservar e, quando apresenta uma lesão, de se curar. É uma idéia baseada no conhecimento do sistema imunológico, uma idéia de que você pode potencializar seu próprio sistema imunológico, fazendo, com isso, sua auto-cura." A afirmação é da professora e terapeuta ocupacional da Universidade Federal de São Carlos, Jussara Pinto, que adotou o método há cerca de dez anos.

De acordo com ela, o objetivo da terapia é trabalhar com movimentos corporais, exercícios de respiração, massagens e uma técnica oriental chamada visualização. Aliando tudo isso à disciplina, o indivíduo estaria colocando todo o seu corpo numa condição ótima, fazendo com que seu sistema de defesa funcionasse a pleno vapor, resolvendo vários problemas, melhorando doenças degenerativas ou prevenindo novas patologias.

O Self-healing foi a solução para a cegueira de nascença de Meir Schneider (veja história no boxe), que hoje é capaz de dirigir automóveis. Tendo obtido bons resultados com alguns exercícios, começou a divulgar as técnicas e desenvolver outras. Hoje, percorre o mundo dando palestras sobre como melhorar o funcionamento do organismo humano. Ele acaba de lançar seu terceiro livro e esteve no Brasil há cerca de 15 dias propagando seu conhecimento.

Função

De acordo com Schneider, o principal objetivo do Self-healing

é ensinar ao corpo como ele deve funcionar e como fazer o melhor uso possível de suas capacidades. Para isso, num primeiro momento, o paciente é orientado no sentido de descobrir sua força interna, fazendo uma melhor conexão entre o cérebro e o corpo. Depois, ele aprende a reconhecer e usar músculos que ele sequer conhecia, como os que movem os dedos dos pés. Paralelamente a isso, ele aprende a importância de uma respiração adequada, da postura correta e do movimento.

"Nós não temos por hábito usar os músculos pequenos. A gente usa músculos mais fortes, sobrecarregando-os. Com isso, chega-se a um total desequilíbrio. Por exemplo, todos usam os flexores das mãos, que fazem os dedos de moverem para cima e para baixo. Mas não usamos os extensores, que fazem a abertura dos dedos. Quem usa os dedos do pé? As pessoas que não têm braço podem se alimentar usando os dedos dos pés. Podem até trocar fraldas usando os dedos dos pés, enquanto que a maioria das pessoas não consegue nada além de um leve movimento."

Ele explicou que os padrões conhecidos de uso dos músculos acabam levando a um endurecimento do corpo. Com o método, a intenção é aumentar a flexibilidade, minimizando sintomas e retardando o aparecimento das chamadas doenças da idade. Pelas técnicas de auto-cura, o paciente deixa de ter um comportamento passivo diante da doença, passando a ser o único agente ativo contra o problema.

Ou seja, em geral, as pessoas atribuem aos médicos a responsabilidade por sua cura. Se o médico diz que não há remédio, ele se entrega. No self-healing, o paciente é encarado como o único responsável pelo mau funcionamento de seu corpo. Sendo, portanto, o único capaz de reverter a patologia. Com o Self-healing, a pessoa aprende a perceber as mensagens do próprio organismo, intuindo quando algum órgão está sobrecarregado ou estático demais.

História de Meir Schneider

Meir Schneider nasceu na Ucrânia em 1954. Portador de catarata congênita e outros problemas visuais, passou por cinco cirurgias e diferentes tratamentos na infância, até que, aos sete anos, foi declarado legalmente cego. De tudo o que havia tentado, só conseguir enxergar vultos, mal distinguindo a luz das sombras. Mas ele não aceitava a afirmação de que seu problema era "incurável" e iniciou uma busca pela visão.

Aos 17 anos conheceu um rapaz que lhe ensinou exercícios de estímulo para os olhos. Depois de seis meses de trabalho persistente, começou a reconhecer objetos. Em um ano e meio ele, que até então só lia em Braile, começou a ler sem o uso de óculos. Em 1982 conseguiu sua carteira de motorista sem qualquer restrição. Com resultados tão positivos, ele resolveu ensinar seus conhecimentos para outras pessoas. Emigrou para os Estados Unidos em 1975, onde deu continuidade a seus estudos, desenvolvendo mais e mais exercícios, obtendo mais e mais resultados. Dois anos mais tarde, fundou o Centro para a Visão Consciente, na cidade de São Francisco. Em 1980 criou o Center for Self-healing, onde atende atualmente.

Sua maior batalha hoje é ajudar os filhos, também portadores de catarata congênita, a recuperar a visão. O filho de nove anos já enxerga quase normalmente, usando

óculos. A filha, com seis anos, já conseguiu desenvolver 65% a 70% de uma visão normal.

Desenvolvimento do cérebro

"Na primeira meia hora depois do nascimento, o bebê está impressionado com o que ele vê, com a intensidade de luz comparada à escuridão do útero da mãe. Depois, ele não olha para mais nada. Ele está muito ocupado com seu desenvolvimento e o desenvolvimento de outras capacidades, como mamar, chorar e ouvir. Com oito semanas de vida

é que ele começa a olhar o mundo. Se até a 16.ª semana você tem uma obstrução nos olhos, provavelmente ele vai ficar cego para o resto da vida."

Schneider explicou que só há 30 anos é que a Medicina convencional descobriu este "cronograma", fazendo experiências com macacos e gatos recém-nascidos, tapando-lhes os olhos. Mesmo sem qualquer patologia, os animais que tiveram seus olhos tapados na fase e desenvolvimento ficavam cegos. "Então, todo o que os bebês fazem na oitava semana de vida, eu fiz aos 17 anos. Eu aprendi a olhar o todo, depois para os detalhes cada vez menores. Com o tempo, eu aprendi a distinguir entre a parede a uma porta, uma janela e um ar condicionado, o nariz do rosto, até conseguir visão suficiente para ler a uma distância próxima ou dirigir."

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