Raio de Bauru não existiu, diz Crea
Raio de Bauru não existiu, diz Crea
Texto: Paulo Toledo
O "raio de Bauru" que supostamente havia caÃdo na subestação da Cesp da cidade, provocando o blecaute do dia 11 de março, que deixou no escuro 11 Estados do PaÃs, não existiu. Esta é a conclusão preliminar da comissão coordenada pelo vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), engenheiro eletricista Luiz Antonio Moreira Salata, 45 anos, que ouviu, ontem, em Bauru, os operadores que estavam de plantão no horário do evento.
Salata informou que os relatórios enviados pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), somados a informes enviados pela Unesp e o depoimento colhidos até agora "mostram que não caiu raio na subestação. Agora, informa o vice-presidente do Crea, a missão é determinar as causas do blecaute que, muito provavelmente, não deve ter como ponto de inÃcio a cidade de Bauru. "Vamos avaliar em todas as direções, a questão operacional, até a questão do modelo de privatização", destacou.
Apesar de Salata não confirmar oficialmente, uma fonte informa que a comissão do Crea trabalha com ótica de que a Cesp está tentando ocultar o problema que, na realidade, teria ocorrido por falha do Operador Nacional do Sistema
(ONS).
Ontem, a comissão do Crea ouviu os operadores que estavam de serviço: Antonio Edgar Bressani Júnior, Renato Munhoz e José Adalto da Silva, que foram acompanhados pelo presidente da Associação dos Operadores de Usinas Geradoras, Transformadoras e Distribuidoras de Energia Elétrica do Estado de São Paulo, Pedro Wilson Pedroza, de São Paulo. O engenheiro Hamilton Spagolla de Lemos, o responsável pela Cesp-Bauru na época, será o último a dar as explicações.
De acordo com Salata, Pedroza deverá ser convocado para depor, também. O presidente da Associação já teria adiantado que o anel que supostamente foi atingido pelo raio teria continuado no local, em operação, mesmo após a volta do funcionamento do sistema, até o dia seguinte.
Salata disse que o relatório enviado pela Cesp, além de ser "uma piada" ainda contém irregularidades, por não estar assinado por nenhum técnico da empresa, como manda a lei. Segundo ele, o relatório fala todo o tempo que ocorreu a descarga. "Mas, não tem o raio de Bauru", afirmou.
O vice-presidente do Crea disse que solicitou os documentos meteorológicos dos sensores de descargas atmosféricas da Cemig, Furnas e do Semepar (Serviços Meteorológicos do Paraná), que são as únicas que fazem o monitoramento da região. Salata disse que, se alguma das requisitadas se recusar a fornecê-los, pretende solicitar a intervenção do Ministério Público Federal. De acordo com ele, muitos materiais chegaram
à comissão graças às matérias veiculadas pelo Jornal da Cidade sobre a investigação.
O relatório meteorológico enviado pela Unesp mostrou que não havia chuva no momento do suposto raio. Esse documento mostra que, somente após o evento é que caiu uma garoa fina sobre a subestação.
O vice-presidente do Crea disse acreditar que não houve problema operacional em Bauru. "A causa não foi Bauru, preliminarmente dizendo. Tem muitos documentos, ainda, a serem analisados, além daqueles solicitados às entidades oficiais que ainda não retornaram", afirmou.
A comissão do Crea está aguardando, ainda, os relatórios do ONS e da Agência Nacional de Ãguas e Energia Elétrica
(Aneel) sobre o blecaute. Para a Aneel foi pedida a cópia do relatório de fiscalização da subestação de Bauru e os registros e mapas baseados nos sensores para avaliar se caiu raio ou não, ou seja, todos os documentos sobre a análise do evento. De acordo com Salata, existem contradições que devem ser comparadas com os relatórios da Cesp.
A comissão foi criada no dia 29 de abril e teria que ser encerrada em 30 dias. Porém, em razão das dificuldades criadas pela Cesp, deverá ocorrer uma pequena prorrogação. Salata reafirmou que o relatório da comissão deverá ser encaminhado ao Ministério Público Federal, para que sejam tomadas as providencias, caso seja necessário.
Versão
A comissão foi formada para comprovar ou não a versão de que um raio, que teria caÃdo numa subestação da (Cesp), em Bauru, teria sido a causa do blecaute no dia 11 de março. O blecaute deixou sem luz 11 Estados e a versão de que um raio o teria provocado gerou polêmica em todo o PaÃs.