Higiene é fundamental na prevenção
Higiene é fundamental na prevenção
Texto: Sabrina Magalhães
Uso de produtos quÃmicos inadequados e técnicas mal aplicadas podem agravar a doença
Para Pedro Barbosa, o procedimento básico para prevenir a calvÃcie é a higienização adequada, usando-se produtos também adequados. "Temos uma quantidade tão grande de produtos no mercado hoje que até atordoa as pessoas. Eu costumo dizer que cada caso é um caso. Tem gente que usa as coisas mais esquisitas no cabelo e não acontece nada. Outras, por mais que cuidem, sofrem com a queda. Então, a gente orienta os pacientes a usar produtos de qualidade que higienizem, sem agredir os cabelos. A escolha do produto é o primeiro passo."
Depois, segundo o terapeuta capilar, é preciso aprender a técnica adequada de lavagem dos cabelos, o que depende do tipo do fio e do couro cabeludo. Para cabelos e couro normais, sem qualquer problema seborréico, a higienização deve ser diária, com um produto neutro. Se o couro cabeludo
é oleoso, a lavagem diária é obrigatória, devendo-se usar um produto mais adstringente. E quem tem couro cabeludo seco, se notar que a lavagem diária vai danificar os fios, pode optar pela higienização em dias alternados.
Questionado a respeito da afirmação feita há alguns anos de que o couro cabeludo leva 48 horas para secar e que a lavagem freqÃente faz o fio apodrecer, Barbosa garantiu que é um mito. "Lógico que quem tem uma densidade de cabelo maior, o couro cabeludo demora mais para secar do que o daquela pessoa que é quase calva. O que eu oriento é que a higiene diária deve ser feita pela manhã. Se não for possÃvel, que seja feita pelo menos cinco horas antes de dormir, para dar tempo do couro cabeludo ficar bem enxuto."
Ele lembrou que a umidade por tempo prolongado favorece a proliferação de fungos e bactérias, além de estimular o aumento da secreção sebácea. Por isso, deve ser evitada.
QuÃmica
De acordo com o especialista, é muito comum hoje, principalmente entre as mulheres, o uso de produtos para embelezamento que acabam agredindo os cabelos. Como exemplo, podem-se citar as fórmulas que prometem "milagres", como mais brilho, mais ou menos volume. Condicionadores também devem ser considerados agressivos aos fios, "a menos que a pessoa tenha um cabelo tão ressecado que se não usar o condicionador, o traumatismo provocado ao pentear acaba sendo maior que a agressão da quÃmica".
Mais agressivos ainda são as tinturas, alisamentos, reflexos e permanentes. Barbosa afirma que não é contra produtos estéticos, já que a auto-estima elevada é altamente benéfica. Porém, ele adverte que o couro cabeludo e os fios que sofrem tais agressões precisam ser preparados. "Imagine uma mulher com 25 anos que tenha cabelos brancos e resolve tingi-los. Ela tem que se projetar aos 60 anos de idade, ainda usando tinturas. Nos primeiros dois, três anos, pode não acontecer nada, mas uma hora o organismo vai gritar."
Segundo ele, então, quem opta por fórmulas mais agressivas deve fazer um tratamento preventivo do couro e dos fios, com nutrição, hidratação e estimulações fisioterápicas que melhorar a oxigenação e irrigação sangÃÃnea. E logo depois da aplicação do produto, nova hidratação e nutrição. "O que acontece é que as pessoas não têm consciência do que estão usando. Muitas vezes nem o cabeleireiro tem. Ele sabe como fazer a mistura, como aplicar, mas não está apto a orientar o cliente dos prejuÃzos que a fórmula vai lhe trazer e das alternativas que ele tem para minimizar esses efeitos negativos."
História da calvÃcie
A principal função dos cabelos é proteger o crânio contra traumatismos e radiações solares, mas, além disso, eles constituem um importante adorno sexual, o que os fez ser venerados pelos impérios, por diferentes religiões, pela mitologia. Os primeiros registros da preocupação do homem com a calvÃcie são de quatro mil anos atrás, nos papiros egÃpcios. Naquela época, estudiosos citavam fórmulas e poções, como uma mistura, em parte iguais, de gordura de leão, hipopótamo, crocodilo, ganso e cobra. Cleópatra receitou para seu amado Júlio César, que era calvo, rato, dente de cavalo, gordura de ursa e medula de veado. Outros estudiosos ainda pregavam massagens com óleos especiais, elixires, e até rituais de exorcismo.
Do ponto de vista médico, os estudos da calvÃcie começaram em 1942, com Hamilton. Mais tarde, Erasmus Wilson descreveu a calvÃcie como fruto de um couro cabeludo muito esticado, mencionando também a hereditariedade. Depois disso, foram feitas pesquisas sobre a dermatite seborréica
(1895), com o uso de chapéus e boinas, sobre congestão cerebral e muitas outras, até que, em 1942, Hamilton estabeleceu que a alopecia seria um processo normal, que apareceria em folÃculos geneticamente predispostos a perder sua função com o passar dos anos.