Queda capilar atinge mais de 60% dos homens e 10% das mulheres
Queda capilar atinge mais de 60% dos homens e cerca de 10% das mulheres
Texto: Sabrina Magalhães
A calvície pode ser causada por disfunções emocionais ou hormonais, por doenças infecciosas, tratamento quimioterápico ou acidentes
Ao contrário do que se pensa, a alopecia - doença caracterizada pela perda de pêlos no corpo - não
é um problema só dos homens. Estima-se que mais de 60% deles e cerca de 10% das mulheres apresente algum grau da chamada calvície no decorrer da vida. A queda anormal dos cabelos pode acontecer lentamente, levando anos para ser percebida, ou pode se manifestar em dias, como no caso dos pacientes que fazem quimio ou radioterapia.
De acordo com Pedro Luiz Barbosa, especialista em terapia capilar, existem diferentes fatores que causam a queda dos cabelos, desde disfunções hormonais até acidentes físicos ou abalos emocionais. Entre estas causas, a seborréia é a mais freqüente, segundo ele: "Seborréia é uma alteração na produção de gordura pelas glândulas sebáceas que temos no couro cabeludo. De repente, essas glândulas começam a eliminar um excesso de secreção, chegando a obstruir os poros. Com isso, há uma diminuição na atividade celular das raízes, de forma que os fios passam a ser produzidos com menor qualidade, o que prejudica todo o processo de renovação capilar" (veja boxe).
As disfunções hormonais congênitas vêm logo atrás, com a chamada calvície hereditária. Sendo genética, não é possível evitar, mas os especialistas garantem que há várias alternativas para retardar seu aparecimento.
Ainda por alterações hormonais, podem-se citar as alopecias oriundas de distúrbios emocionais, como o estresse e a morte de pessoas queridas. No caso específico das mulheres, há ainda o uso de pílulas anticoncepcionais e os períodos de gestação, pós-parto e menopausa. Nestes casos, é possível fazer uma dosagem de hormônios, determinar quais estão alterados e reequilibrá-los.
Doenças infecciosas
Segundo Barbosa, há também várias doenças infecciosas e alérgicas que podem resultar em queda de cabelo. Geralmente, estas alopecias estão relacionadas a falta de higiene ou descuido, como as contaminações por bactérias e fungos, que podem surgir em pessoas que passam muito tempo sem lavar os cabelos ou, ao contrário, pessoas que ficam muito tempo com o couro cabeludo úmido, favorecendo a proliferação dos germes.
Já nos casos alérgicos, os problemas mais comuns são a psoríase e a eczema, caracterizadas pela irritação do couro cabeludo. "Mas para essas doenças há sintomas anteriores à queda do cabelo, como coceiras no couro cabeludo, surgimento de feridas, semelhantes a espinhas, o aparecimento de caspa, aumento da oleosidade ou ressecamento, alterações que, se levadas em consideração precocemente, permitem procedimentos preventivos à queda do cabelo."
Traumas
Existem também as calvícies acidentais, quando o agente causador é físico. Neste sentido, podem-se citar os acidentes, como queimaduras e contato com produtos químicos e cáusticos. No ano passado, por exemplo, o JC divulgou o caso de uma mulher que teve todo o couro cabeludo arrancado quando, por descuido, uma máquina sugou seus cabelos. Ela teve que fazer um implante.
Por fim, o terapeuta citou o caso dos pacientes que perdem os cabelos depois de fazer tratamento quimio ou radioterápico.
"Nem todos os pacientes que passam pela quimioterapia perdem os cabelos, mas isso pode acontecer e precisa ser tratado."
Aparelho piloso - renovação capilar
De acordo com o dermatologista Ivander Bastazini, existe um aparelho piloso para a produção de cada fio de cabelo. Este aparelho é composto de raiz (o bulbo capilar), de uma glândula sebácea, de músculo eretor do pêlo e do pêlo, além da ligação com vasos sangüíneos, por onde toda essa estrutura recebe nutrição e oxigenação.
A produção de cada pêlo obedece a um processo cíclico, que tem três fases distintas. A primeira, chamada fase anágena, é a da produção do fio. Ele nasce, atravessa a pele, chega a superfície e cresce continuamente por um período que varia entre dois e cinco anos. Então, o bulbo pára de funcionar, o pêlo deixa de crescer e a raiz começa a atrofiar.
É a fase catágena, que dura duas a três semanas, até a queda do fio. Em seguida, inicia-se a fase telógena, em que o aparelho entra num período de repouso de cerca de seis meses. Descansada, a raiz reinicia o processo, com a produção de um novo fio.
A partir disso, pode-se afirmar que é a duração da fase anágena que determina o comprimento final dos cabelos. Se a pessoa tem um tempo de crescimento do fio de dois anos, o comprimento dos cabelos é de aproximadamente 20 centímetros
(considerando-se que o fio cresce cerca de 0,4 mm por dia). Se o anágeno durar cinco anos, os cabelos podem atingir 50 centímetros.
Neste sentido, a queda de fios normal diária tem relação direta com a quantidade de folículos pilosos e a duração da fase anágena de cada pessoa. Se o indivíduo tem 100 mil fios de cabelo com anágeno de três anos, ele tem queda de 100 fios por dia. Portanto, esta perda diária normal é extremamente variável de pessoa para pessoa.