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Alergia

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 8 min

Conheça e evite as alergias respiratórias

Conheça e evite as alergias respiratórias

Texto: Gustavo Cândido *

A queda da temperatura não traz só a oportunidade de passar horas agradáveis embaixo do cobertor, "comendo pipoca, tomando cházinho e vendo um filminho", de preferência acompanhada. É no frio que um grande número de pessoas sofre com a dificuldade para respirar causada geralmente pelo aumento dos índices de poluição atmosférica, as variações de temperatura e o uso de roupas e cobertores empoeirados. É o cenário ideal para as crises alérgicas. Proteja-se e proteja a sua família, conhecendo mais sobre a rinite alérgica e a asma.

Segundo dados do II Consenso Brasileiro de Asma, de 1998, anualmente duas mil pessoas morrem de asma no Brasil, o que representa cerca de 0,8% do total de mortes. Nos serviços de urgência pediátrica, a doença tem atingido até 16% dos atendimentos e, 12% entre adultos. Segundo o Dr. Fábio Morato Castro, alergista do Hospital das Clínicas

(USP), nessa época do ano os casos de alergia respiratória têm um aumento de 70%. "Pesquisas do Serviço de Alergia e Imunologia Clínica do HC, de São Paulo, mostram que de cada dez pacientes que procuram tratamento por problemas respiratórios, sete têm rinite ou asma, mas não sabem que sofrem destas alergias, e a maioria confunde com gripes ou resfriados", diz o especialista. Daí a importância de saber diferenciar os sintomas e se precaver o quanto antes.

Doenças alérgicas

Neste clima de outono, com a temperatura em baixa, é comum o aparecimento de um número muito maior de pessoas com dificuldade de respirar. A ausência de ambientes arejados e o confinamento das pessoas favorecem o aumento de casos de gripes, resfriados e infecções virais. O aumento dos índices de poluição atmosférica, as variações de temperatura, o uso de casacos e cobertores empoeirados e as próprias infecções virais levam a crises de rinite alérgica e asma.

A rinite alérgica é a doença respiratória crÃnica mais comum e afeta cerca de 15% a 25% da população mundial. Rinite é a inflamação da mucosa nasal, causada principalmente pela inalação de alérgenos (ácaros, poeira, pêlos de animais, fungos e descamações de insetos), que rompem as barreiras de proteção nasal e promovem lesões. Quando esta inflamação resulta de reação alérgica denomina-se rinite alérgica. Os sintomas mais comuns são: nariz entupido, coriza, espirros sucessivos, sensação de cabeça pesada e coceira nos olhos, nariz, garganta e céu da boca. A rinite causa congestão e dificulta a respiração pelo nariz, fazendo com que o portador da alergia seja obrigado a respirar muito mais pela boca. Com isso, o sono e o repouso ficam prejudicados. No dia seguinte, "o alérgico está mais cansado, irritado, com dificuldade de concentração e com queda no rendimento na escola, no trabalho e nas atividades sociais, inclusive de relacionamento sexual", diz Wilson Tartuce Aun, chefe do setor de alergia do Hospital do Servidor Público Estadual. Mais freqÃente em crianças e adolescentes, a rinite alérgica também atinge adultos e idosos. Dados estatísticos indicam que homens e mulheres de meia idade com obstrução nasal, principalmente aqueles com sintomas crÃnicos de rinite alérgica durante a noite, são sujeitos a serem "roncadores" noturnos.

A doença manifesta-se a partir de uma pré-disposição genética. Estudos mostram que as chances de um casal vir a ter um filho alérgico

é de 15%. No entanto, quando um dos pais é alérgico esse número varia de 30% e, sobe para 50 a 70% se ambos forem alérgicos. Os custos de assistência médica associados à rinite alérgica são enormes. Nos Estados Unidos, em 1990, os custos médicos diretos estimados para o tratamento de rinite alérgica foram de US$ 1,16 bilhões. Além disso, os custos indiretos de dias de trabalho perdido daquele ano foram de aproximadamente US$ 639 milhões.

Asma

Também conhecida como bronquite asmática, a asma é uma doença inflamatória crÃnica das vias aéreas, que provoca crises de falta de ar, chiado no peito e tosse, particularmente à noite e pela manhã e, se não controlada pode levar à diminuição permanente da passagem do ar, com limitação física e social e até causar a morte por ataques graves. Fatores de risco são determinantes para o desenvolvimento da doença: história familiar de alergia (78% dos casos possuem antecedentes alérgicos), sexo masculino (na proporção de 1,7% para homens e 1% para mulheres), baixo peso no nascimento, além de fatores ambientais como exposição precoce a alérgenos (ácaros da poeira, pêlos de animais e restos de insetos, etc), a poluentes, tabagismo involuntário e infecções respiratórias de repetição. A asma também pode ser desencadeada por mudanças bruscas de temperatura e até mesmo por exercício físico. A maioria dos casos de asma (77%) tem início antes dos 3 anos de idade. E 75% dos casos a asma está associada com outras doenças alérgicas (rinite, dermatite).

Dados de pesquisa realizada em algumas cidades brasileiras (Curitiba, Itapira, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Uberlândia) e apresentadas no II Conselho Brasileiro de Asma, revelam a atual prevalência da asma. Na faixa etária de 6 a 7 anos, entre 13.204 crianças entrevistadas, a prevalência de asma diagnosticada oscilou entre 4,7% e 20%. Dos 17.555 adolescentes, de 13 a 14 anos, avaliados, os casos de asma variaram de 4,8% e 21,9%.

A asma foi a primeira causa de internação na faixa etária de 20 a 29 anos, em 1996, quando 350 mil pessoas estiveram internadas por causa da doença no País. O aumento das morbidade/mortalidade por asma é atribuído a diferentes fatores: a substimação pelo paciente e pelo médico quanto a gravidade da doença, o sub uso de anti-inflamatórios, o aumento da exposição a fatores ambientais e descontinuidade do acompanhamento médico, nos casos de pacientes de alto risco (aqueles que estiveram internados e precisaram de respirador e pacientes que não aderem ao tratamento por desconhecerem os sintomas da asma).

Como evitar

Para melhor controle das doenças alérgicas respiratórias algumas medidas práticas são necessárias: arejar bem o ambiente, melhor se for ensolarado; forrar com capas os travesseiros e colchões; limpar os ambientes com aspiradores com filtros especiais; tirar objetos que facilitem o acúmulo de poeira (livros, bichos de pelúcia, brinquedos em excesso); retirar plantas do dormitório; usar fungicidas; não permitir a entrada de animais dentro de casa; não permitir cigarro dentro de casa; retirar roupas guardadas por muito tempo e lavá-las ou colocar no sol; e lavar com freqÃência as roupas de cama. E, ainda, uso correto dos medicamentos.

Várias outras doenças podem ter causa alérgica, entre elas, otite, sinusite, dermatite de contato, eczema, urticária, e reações a medicamentos, alimentos, corantes, conservantes e picada de inseto. A urticária aparece subitamente em forma de placas vermelhas no corpo, coça muito e desaparece sem deixar marcas. Na maioria das vezes, é provocada por medicamentos como antiinflamatórios, analgésicos, antiespasmódicos e antitérmicos. A alergia por veneno de inseto (abelha de mel, vespa e formiga) pode provocar uma reação exagerada do organismo (reação anafilática). Uma simples ferroada pode levar uma pessoa à morte. a alergia alimentar freqÃentemente confundida com intoxicação alimentar, causada pela contaminação de alimentos por bactérias. Na alergia alimentar, a pessoa apresenta sensibilidade por algum dos componentes do alimento e pode provocar náuseas, vÃmitos, dores abdominais e diarréias. Chiado no peito, falta de ar, espirros, urticária e eczema e até a reação anafilática, também podem ser sintomas de alergia alimentar.

Consultoria

Dr. Fábio Morato Castro - Coordenador da campanha do Dia Nacional da Alergia, diretor da SBAI, São Paulo, alergista do Hospital das Clínicas (USP). Telefones: após as 15 horas no consultório (011) 3063-2271/ 3063-2272/ 853-9257 (telefax). E-mail: fmcastro@mandic.com.br

Dr. Wilson Tartuce Aun - Presidente regional São Paulo da SBAI, Chefe da Seção de Alergia do Hospital do Servidor Público Estadual. Telefones: após 14 horas no consultório (011) 887-2740/ fax 887-9836 e de manhã (011) 5088-8256, no hospital. E-mail: sbai@sbai.com.br.

* Com dados e informações divulgadas pela Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI)

Dia Nacional da Alergia

terá eventos pelo Brasil

A Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia

- SBAI prepara campanha em todo país, após instituir a data de 25 de maio, como o Dia Nacional da Alergia. O coordenador da campanha Fábio Morato Castro, diretor da SBAI, em São Paulo, e alergista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), enviou carta ao ministro da Saúde, José Serra, demonstrando sua preocupação com a crescente incidência das doenças alérgicas e com a total falta de informação da população. A campanha do Dia Nacional da Alergia tem como objetivos principais informar a população sobre as doenças alérgicas e o que elas causam na qualidade de vida das pessoas, e alertar as autoridades de saúde sobre o aumento da mortalidade por algumas doenças alérgicas, principalmente a asma. Os interessados em obter dados educativos, de como tratar e prevenir problemas alérgicos, podem consultar o site da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia, na Internet: www.sbai.org.br. Solicitação de mais dados sobre o Dia Nacional da Alergia ou sobre as doenças alérgicas podem ser enviadas para a SBAI: sbai@sbai.com.br

Rinite alérgica X Resfriado comum

O resfriado comum pode produzir sintomas semelhantes à rinite alérgica, como coriza e congestão. Portanto, é importante diferenciar entre os dois para assegurar um tratamento correto.

Resfriado Comum

Causas: Vírus

Transmissão: Contagioso; transmitido de pessoa a pessoa através de muco nasal, oral ou oftálmico

Início: Gradual

Sintomas: Congestão nasal; coriza

Duração 2 a 3 dias até 2 semanas

Rinite Alérgica

Causas: Alérgeno (pólen, poeira, etc)

Transmissão: Não contagiosa; entretanto, as pessoas são geneticamente suscetíveis

Início: Súbito

Sintomas: Congestão nasal; coriza

(coceira nasal e espirros freqÃentes são fatores distintivos)

Duração: Sazonal ou perene

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