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Inverno

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 4 min

Inverno chega mais cedo e rigoroso este ano

Inverno chega mais cedo e rigoroso este ano

Texto: Adriana Amorim

O frio deste ano chegou um mês antes do período considerado como normal e já apresenta indícios de que vai ser mais rigoroso que o de anos anteriores. A intensidade do inverno que a população está sentindo na pele é confirmado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de Campinas, que registrou este ano média de temperaturas mínimas mais baixas dos últimos 30 anos.

De acordo com o Instituto, as primeiras frentes frias que trazem massas de ar frio chegam normalmente ao Brasil na terceira ou quarta semana de maio. Este ano, o fenômeno começou na terceira semana de abril. Na semana passada, uma nova frente de frio atingiu o País. Em ambos os casos, a massa de ar frio alcançou uma grande área: as regiões sul, sudeste, centro-oeste e até o sul da região norte.

O chefe de operações do centro de previsão do tempo e estudos climáticos do Inpe, Prakki Saytamurty, diz que o inverno antecipado também está mais intenso este ano. Prova disso são as média de temperaturas mínimas registradas. Nos últimos 30 anos, a média foi de 16º no mês de abril e 13,5º em maio. Este ano, a média caiu para 12º em abril. "Para este mês, a média com certeza deve ter caído cerca de 3º", afirma.

O frio já gerou neve na região sul do País e geadas em outras áreas. O Inpe diz não é possível prever exatamente como vai ser o inverno daqui para frente, uma vez que os resultados de estudos mais precisos podem ser emitidos com apenas quatro ou cinco dias de antecedência.

"O que dá para dizer com certeza é que este ano o inverno será mais rigoroso".

Saytamurty diz que são constatadas geralmente até quatro frentes frias durante o inverno, o que mostra que a população deve ficar preparada para novas massas de ar frio como as que atingiram a cidade na última sexta-feira, quando o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) registrou 7,8º, e no dia 18 de abril, data em que Bauru ficou sob frio de 5,6º.

As causas da queda na temperatura e a antecipação do inverno ainda são desconhecidas. O Inpe explica que as razões só serão descobertas através de estudos realizados depois desse período. O chefe de operação, no entanto, diz que uma das causas prováveis

é o fenômeno La Niña, que se intensificou a partir de agosto do ano passado. O fenômeno tem características contrárias ao do El Niño, provocando o esfriamento das águas dos oceanos.

Saytamurty explica que o rigor durante o inverno não significa que todos os dias serão frios em excesso. Entre as massas de ar frio as temperaturas sobem e acontecem longas estiagens provocadas pelo bloqueio das frentes frias, que ficam contidas no oceano ou no máximo na região sul do Brasil.

Médicos constatam virose mais resistente

As viroses, doenças características na entrada e saída do inverno, estão mais resistentes este ano. A constatação é de médicos do Pronto-Socorro Municipal, que chegam a atender pacientes com problemas que se estendem por até 10 dias.

As viroses geralmente se manifestam durante três a cinco dias. Elas saram sozinhas através de reações do próprio organismo, que extermina os germes. Atualmente, as doenças desse tipo têm permanecido o dobro do tempo nos pacientes. "Por se arrastar por mais tempo, debilita o sistema imunológico", explica o diretor do Pronto Atendimento Infantil (PAI), Felinto dos Santos Neto.

O organismo enfraquecido se torna mais vulnerável e a virose evolui facilmente a quadros inflamatórios, ocasionando sinusites, bronquites e amigdalites. O médico explica que a as variações climáticas e a grande quantidade de vírus mutantes fazem aumentar os casos de gripes no PAI. Nos últimos 10 dias, foram registrados 30% a mais de casos.

Crianças e idosos são considerados grupos de risco. Até os 6 anos de idade, as crianças estão com o sistema imunológico em formação e os idosos já estão com os mecanismos de defesa em deterioração.

O clínico geral do Pronto-Socorro Municipal, Paschoal Mazzuca Neto, não tem números, mas afirma que os idosos também estão procurando atendimento médico com mais frequência nos últimos dias. Além das variações climáticas, ele diz que as viroses estão mais resistentes porque a população passa por dificuldades para conseguir alimentação e remédios. "Além dos vírus estarem mais fortes, as pessoas estão mais carentes, o que as torna vulneráveis".

As dicas dos profissionais de saúde são as mesmas para crianças e idosos. O ideal é tomar bastante líquido, comer e dormir adequadamente, evitar ambientes empoeirados e aglomerações. As frutas devem ser consumidas em maior quantidade porque são reservas de vitamina C, que inibe as viroses.

Na Vila Vicentina, os idosos ainda não estão sofrendo problemas respiratórios devido à intensificação do frio. Freiras que prestam atendimento a eles explicam que os idosos receberam vacinação contra gripe e estão preparados para enfrentar o inverno. A comunidade do local, no entanto, já mudou a rotina para se adaptar ao frio. Por volta das 18 horas vão para a cama e só levantam por em torno das 7 horas do dia seguinte.(AA)

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