Estelionatários sofisticam golpe
Estelionatários sofisticam golpe
Texto: Adriana Amorim
Medidas mais sofisticada adotadas pelos estelionatários já chegam em Bauru. Agora, além de utilizar cheques de terceiros, eles adulteram o documento, alterando o nome do correntista e o número da conta. Segundo a Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra) vários casos estão sendo investigados na cidade. Para comerciantes vÃtimas da modernização do estelionato, o golpe é novidade e sinÃnimo de prejuÃzo.
O delegado da DIG/Garra, JJ Cardia, diz que a prática do estelionado sofisticado tem aumentado nos últimos meses. Embora encontre dificuldade para esclarecer os fatos, ele garante que cerca de 60% das ocorrências são solucionadas. A prática, caracterizada como falsificação e estelionato pode render de 1 a 5 anos de prisão.
Os golpistas compram nos mais variados estabelecimentos comerciais e pagam com os cheques falsos mercadorias de diversos valores. Segundo a DIG/Garra, são derramados desde cheques com baixos valores entregues em pequenos açougues e supermercados até os de valores mais altos, como os emitidos na compra de veÃculos. Cardia diz que a maioria dos estelionatários não é de Bauru e que eles escolhem os comerciantes que impõem menos garantia de crédito.
Novidade
O comerciante Hélio Antonio Joaquini, que atua na atividade há 15 anos, conheceu neste mês a sofisticação dos golpistas. Ele perdeu R$ 362,00 com dois cheques falsos recebidos no prazo de cinco dias. O primeiro, do banco Santander no valor de R$ 167,90, foi emitido no dia 7 de maio. O segundo, da Nossa Caixa Nosso Banco, foi recebido no dia 12. Ambos serviram como pagamento das mesmas mercadorias: válvula e registro de gaveta.
Joaquini diz que consultou os cheques no Cerasa e não foi apontada nenhuma irregularidade. Os documentos foram depositados em uma agência bancária, que devolveu os cheq ues ao comerciante. "Quando eu pedi explicação, a gerência do banco pediu o número da conta, mas o número que está no cheque não existe na agência local", explica.
O endereço da agência que consta na parte inferior direita parece ter sido apagado e substituÃdo pelo da agência de Bauru. Há indÃcios de que o número da conta e o nome do correntista de um dos cheques também foram apagados. "Isso é novo para mim e acredito que para muitos comerciantes", afirma Joaquini.
Em um dos cheques, o golpista anotou o número de um telefone para consulta. O comerciante ligou para o local, casa de um pintor, que afirmou ter recebido várias ligações, inclusive ameaças de pessoas que pessoas lesadas.
Na agência da Nossa Caixa Nosso Banco a informação
é de que outros casos como o do comerciante foram registrados recentemente e que em muitos casos a assinatura no cheque é idêntica à do RG, também falsificado.
A DIG/Garra orienta os comerciantes a ficar mais atentos ao receber cheques, principalmente de pessoas de fora da cidade. Embora não ofereça segurança total, o delegado diz que a consulta do cheque é uma importante medida preventiva.