Geral

Voto de silêncio

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 5 min

Clausura ajuda na vidad de oração

Clausura ajuda na vida de oração

Texto: Andréia Alevato

Ter uma vida totalmente contemplativa, onde a prioridade é a oração. Viver dentro de um mosteiro o tempo todo até a morte, fazer voto de clausura. Não ler jornais e nem ver televisão e ver pessoas só separadas por grades. Assim é a vida das monjas da Congregação Imaculada Conceição, que vivem no Mosteiro da Imaculada Conceição e São José, em Bauru.

No total, são 14 monjas. A mais nova tem 15 anos e a mais velha 84. Todas elas se chamam Maria, por causa da tradição da Congregação. Em todo o Brasil, há 20 mosteiros dessa Congregação, que foi fundada em 1484, na Espanha, por Santa Beatriz da Silva. Em Bauru, o mosteiro existe desde 1.966. E até hoje, as tradições são mantidas, desde o uso do hábito, a guarda da clausura, os cerimoniais, os costumes, e a adoção do nome de Maria.

"A nossa Ordem foi a primeira Ordem religiosa que entrou na América Latina, em 1.540, em Guadalajara, no México", afirmou a irmã Inês Maria.

Para fazer parte desta Congregação, em primeiro lugar é preciso ter certeza de sua vocação. A idade mínima para entrar é 17 anos e a máxima, 28. Uma das exigências é ter terminado o segundo grau.

"Em primeiro lugar, a moça deve ter certeza que recebeu o chamado de Deus. No caso dessa menina de 15 anos, ela tem contato conosco desde os 9 anos de idade. Recebê-la nessa idade foi uma exceção. A idade ideal para entrar para a Ordem é entre 17 e 18 anos", disse irmã Inês Maria.

Para se tornar uma monja são necessários, no mínimo, seis anos de estudo, e no máximo nove. E as futuras monjas estudam no próprio mosteiro. Antes de entrar para a Congregação, há o contato entre as monjas e as aspirantes (moças que querem fazer parte da Ordem). Depois, já no mosteiro, há o Postulado, que são estudos de doutrinas, o Noviciado, que são o estudo das regras, constituições da Congregação e Mariologia (estudo de Maria), e por fim, o Juniorato, que são os estudos teológicos. Depois dessas fases, são feitos os votos perpétuos.

Irmã Inês Maria explicou que é muito comum moças que entram para a Ordem e depois dos três meses de experiência não se acostumarem e saírem.

"Um dos artigos de nossa Constituição diz que a moça que tem a aptidão para nosso estilo de vida, que é monártico e contemplativo, e não tem certeza da vocação ainda, pode fazer três meses de experiência dentro da clausura. Hoje em dia, já há mais abertura nesse sentido. Quando eu entrei não era assim, mas hoje já há essa possibilidade", completou irmã Inês Maria.

Por causa do voto de clausura, as monjas não lêem jornais ou revistas e nem assistem televisão. Irmã Inês Maria explicou que isso ocorre para não haver dissipação, o que ajuda a vida de oração.

"Mas as pessoas se encarregam de nos trazer as notícias", completou irmã Beatriz Maria.

O convívio com o mundo externo é grande, segundo irmã Inês Maria. Elas recebem a visita de familiares e de pessoas, além de cartas, telefonemas e pedidos de orações. As irmãs também fazem atendimentos de pessoas que precisam de oração ou simplesmente de uma conversa amiga. Esses atendimentos são feitos em uma sala, onde as monjas ficam de um lado e as irmãs de outro, separadas por uma grade.

"As grades são uma separação simbólica, que nos ajuda mais na vida de oração, de silêncio. Nós não ignoramos o que se passa aí fora, porque as pessoas nos trazem os problemas. Mas, nossa escolha foi livre, nós optamos pela clausura. Isso tem toda uma tradição. Essa separação nos ajuda a aprofundarmos mais na vida de oração, de intimidade com Deus, porque o barulho, o tumulto do mundo atrapalha. Mas nós não excluímos a convivência com as pessoas. Aqui ao lado do Mosteiro, nós temos uma casa de retiro, para quem quer ficar um dia, uma tarde, um final de semana", completou irmã Maria Inês.

Missas também são realizadas diariamente na capela do mosteiro. E é permitida a entrada de qualquer pessoa. De segunda a sábado, as missas são celebradas sempre

às 8 horas, e aos domingos, dia de maior participação da população, às 17 horas. Os padres que celebram as missas são marianos, freis, rogacionistas, franciscanos, enfim, de todas as Ordens. Nas missas, as irmãs também ficam separadas da população.

Desentendimentos entre as monjas acontecem, nada de muito grave, mas elas nunca perdem a amizade umas com as outras.

"Desentendimentos aqui dentro acontecem, mas os bem naturais, que acontecem na relação entre humanos, mas não há o corte de relacionamento, porque isso seria negar o amor", disse irmã Inês Maria.

"Mesmo porque, todas almejam a perfeição", completou irmã Beatriz Maria.

São raros, mas já aconteceram casos de duas viúvas que entraram para a Ordem. A viúva é aceita porque já terminou sua missão do matrimÃnio. E só são aceitas as viúvas que não têm filhos que dependam delas. As separadas, desquitadas ou divorciadas não são aceitas porque ainda são ligadas ao matrimÃnio.

Quando as monjas morrem, são enterradas nos cemitérios construídos dentro dos próprios mosteiros. Em Bauru, esse cemitério ainda está sendo projetado, por isso as monjas que já morreram foram enterradas em um cemitério da cidade. Quando o projeto ficar pronto, será feito a exumação dos ossos para o cemitério do mosteiro.

Para manter o mosteiro, as monjas confeccionam alfaias para igreja, fazem trabalhos artesanais, como cartões, velas pintadas, cartões pergaminhos, Agnus Day, terços e bordados. Os trabalhos são vendidos para a comunidade. O mosteiro também recebe a ajuda das pessoas.

"As pessoas já conhecem nosso trabalho e vêm aqui para comprá-lo. E nós também recebemos ajuda de amigos do mosteiro", concluiu irmã Inês Maria.

Serviço

O Mosteiro da Imaculada Conceição e São José fica no Jardim Santa Isabel. O telefone de atendimento para pedidos de orações é 230 4944.

Comentários

Comentários