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Obesidade infantil

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 6 min

Comer não deve ser sinômino de obrigação

Comer não deve ser sinÃnimo de obrigação

Texto: Sabrina Magalhães

O momento da refeição tem que ser encarado como prazeroso. A família tem que cuidar para que a comida não se torne "um mal necessário"

Um grande erro que os pais cometem na educação alimentar dos filhos, de acordo com a psicóloga Maria Lúcia Nejn de Carvalho, é associar o horário das refeições a uma tarefa obrigatória. Para ela, desde que a criança

é bem pequena, a família pode mostrar que os alimentos são bonitos, coloridos, que têm formas e texturas diferentes, tornando a refeição um momento de prazer e diversão.

A criança está descobrindo o mundo, é curiosa, não suporta ficar parada por muitos minutos, olhando para algo comum. Então, a mãe pode criar receitas, sobremesas usando frutas, fazer esculturas com essas frutas, trabalhar a disposição das verduras de forma que o prato das saladas fique mais colorido e atraente aos olhos do pequeno "descobridor".

Neste sentido, a psicóloga condena práticas de ameaça e chantagem que algumas famílias adotam com relação

à alimentação, alegando que a criança não precisa ser forçada a comer: "Aquela prática do 'se você não comer, não ganha sobremesa' pode ser muito prejudicial. Na verdade, o objetivo é que a criança aprenda a comer bem, não que seja forçada, punida. É uma prática muito comum entre as famílias a mãe usar a comida como reforço positivo ou punição. Então, se a criança se comporta bem na escola, pode ganhar um chocolate. Se ela comer tudo, tem direito à sobremesa. Ou se não se comportou bem, não vai sair para a lanchonete. Então, essa questão do uso da alimentação como ameaça precisa ser revista pelos pais".

Na opinião de Maria Lúcia, quando a família se propõe a uma mudança de hábitos, adotando atitudes mais saudáveis, a criança ganha consciência de que comer é algo bom e, quando ela vai para um ambiente diferente, como o da escola, por exemplo, ela tem estrutura para saber o que pode ser maléfico para a saúde dela, resistindo, na medida do possível, às guloseimas da cantina e dos colegas. Claro que a vitrine vai chamar atenção, mas ela vai experimentar, não substituir.

Incutindo hábitos

Nos primeiros anos de vida, a principal tarefa dos pais é incutir regras e hábitos na criança. Em poucos aos, ela tem que estar preparada para enfrentar os limites da sociedade, respeitar horários, obedecer às normas. De acordo com a psicóloga, a família deve sempre estar atenta a esses resultados, para que a criança não adote hábitos inadequados.

Questionada a respeito das práticas de "fazer aviãozinho" ou contar histórias na hora das refeições, Maria Lúcia comentou que isto pode ser perigoso. "Estamos falando de hábitos, de hábitos saudáveis. Neste sentido, é importante ir ensinando à criança que ela tem horário para comer, horário para brincar, horário para ir para a escola, horário para passear."

Segundo ela, o que acontece, muitas vezes, é que os pais, preocupados em fazer o filho comer, adotam a prática de brincar. "Inicialmente isso pode ser positivo, mas com o tempo, torna-se um hábito inadequado. Porque com essas distrações, a criança, ao invés de aprender que na hora de comer ela tem que prestar atenção

à comida e sentir os sabores, ela vai misturar o momento com o brincar. Depois, essa criança vai ter dificuldade em aceitar a rotina da alimentação, vai querer comer em frente à televisão, vai querer comer andando, aquilo que a gente vê por aí, de ser preciso a família inteira correr atrás da criança na hora de comer."

No entanto, ela salientou que as regras devem ser ensinadas conforme a faixa etária da criança. Por exemplo, a criança por volta dos três anos ainda está explorando o mundo. Então, ela pode querer brincar com o grão de feijão, com a ervilha, com o milho. Neste momento, não se deve ser muito rígido com horário ou modos, para que a refeição não se torne algo chato.

E mesmo mais tarde, conforme a criança vai crescendo, os pais podem pedir a ajuda dela para fazer seu prato, ver o que ela quer comer, em que canto do prato ela quer que fique este ou aquele alimento, para que ela sinta vontade de participar do momento da refeição. "Talvez até cantando ou contando histórias, usando recursos lúdicos mesmo, mas sobre o que ela está comendo, sempre direcionando a atenção dela para o alimento."

Tempo

Outra prática que deve ser observada pelos pais é quanto à duração das refeições. Muitas vezes, a família quer que a criança sente, coma em dez minutos e volte a brincar. Mas Maria Lúcia lembra que o tempo do adulto não é o mesmo tempo para a criança. Se os pais seguem uma rotina porque têm que trabalhar, a criança tem o dia inteiro pela frente, sem compromissos. Ela só vai entender a regra "horário" quando começar a freqÃentar a escola, quando ela tiver que obedecer a horários. Enquanto isso, os pais devem saber equilibrar suas necessidades com as da criança.

Sedentarismo imposto reforça obesidade

Quem tem filhos sabe que é muito mais fácil dar um pacote de salgadinhos ou bolachas para a criança e colocá-la diante da TV, do que dar atenção e brincar com ela.

"Imagine a mãe ou a babá que tenha várias tarefas para desempenhar em casa e, ao mesmo tempo, precise cuidar das crianças. Elas não têm tempo de parar para brincar ou para preparar um lanche adequado. Então, optam por distrair os pequenos com guloseimas e televisão", afirma a psicóloga.

Ela destaca que muitas vezes até, a família tem estoques desses alimentos engordativos em casa, como bolachas e refrigerantes, um problema que ela considera cultural - os alimentos prontos, congelados e de caixinha.

"Às vezes, também, esta atitude não

é nem para distrair a criança. Muitos pais fazem isso exatamente para impedir que os filhos saiam de casa para brincar na rua, evitando, assim, que eles estejam expostos a riscos de violência e do trânsito. Sem opções, a criança vai para a frente da TV e se distrai com uma guloseima. É o que eu chamo de sedentarismo imposto. Isso precisa ser revisto pelas famílias."

Para a pediatra Nabia Aparecida Sabbag, para reverter os efeitos da alimentação industrializada, acrescida de diversos tipos de conservantes, os pais têm que incentivar os filhos a praticar atividades físicas diariamente. "E isso

é uma coisa para o resto da vida. Quanto mais cedo se começa, melhores os resultados. Uma pessoa que se inicia na atividade física aos 35 anos não vai ter os mesmos efeitos daquela que iniciou aos 15. E se ela começa ainda criança, vai virar rotina na vida dela. Ela sempre vai ter uma musculatura mais desenvolvida do que gordura."

A pediatra ressaltou que não é necessário muito, bastam 30 minutos diários de qualquer atividade

- natação, ciclismo, um jogo com os amigos. Então, a receita seria retirar os enlatados, adicionar os alimentos naturais e incentivar a prática de esportes.

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