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Bug do milênio

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 8 min

Faltam 225 dias para o bug do Ano 2000

Faltam 225 dias para o bug do Ano 2000

Texto: Luciano Augusto

Para os humanos, a zero hora do dia 1.º de janeiro de 2000, significa a entrada de um novo milênio. Mas, para as máquinas, a data causa tanta confusão que elas podem entrar em uma total confusão de dados, capazes de provocar prejuízos grandiosos, principalmente para as empresas.

É o chamado bug do milênio, a forma incorreta que os programas de computador (software) tratarão as informações referentes a datas posteriores a 31 de dezembro de 1999.

Conforme informações do site do Sebrae na Internet

(www.sebrae.com.br), empresários e profissionais liberais que utilizam e dependem de sistemas informatizados para controlar produção, faturamento, folha de pagamento, emissão de mala direta ou quaisquer outras atividades operacionais, ou então de equipamentos com funcionamento que depende do registro da data (controladores de processo numérico), e que ainda não se atentaram para o problema do bug do Ano 2000, correm sérios riscos de prejuízos, seja perdendo cliente, tendo queda na produtividade ou uma infinidade de outros problemas.

Quando os sistemas computadorizados foram criados, os projetistas definiram o campo do ano com dois dígitos, em vez de quatro, para se economizar espaço de armazenamento. Os sistemas resistiram ao tempo e não foram atualizados e carecem, no final do ano, desta atualização.

Quaisquer equipamentos que dependam ou tenham como componentes essenciais a manipulação e o registro correto de datas através de "chips"/circuitos integrados embutidos estão sujeitos ao mal funcionamento. Como exemplo, podemos citar: equipamentos de escritório, tais como secretárias eletrônicas, copiadoras, aparelhos de fax, agentes eletrônicas; equipamentos de edifícios como condicionadores de ar, alarmes contra roubo e contra incêndio; processos de produção ou controle, como centrais de abastecimento de água, linhas de produção automatizadas; transportes; comunicações, como serviços telefônicos em geral e serviços bancários; equipamentos médicos, como bombas de infusão e marcapassos; equipamentos domésticos, como videocassetes, condicionadores de ar e fornos de microondas.

Para os programas de computadores, as conseqüências podem ser as mais variadas, de acordo com o uso do computador ou equipamento. Um sistema de folha de pagamento, por exemplo, poderá apresentar um cálculo de férias bem acima do valor real. Ou então, um sistema de contas a pagar, pode entender que as parcelas já venceram e estão atrasadas e calcular multas erradas.

Entretanto, o Sebrae alerta que o mais provável é que muitos sistemas simplesmente deixarão de funcionar por não estarem preparados para realizar as operações com a mudança de data.

Mesmo não sendo possível estabelecer um número exato das empresas da região, entre micros, pequenas e médias, que já fizeram os ajustes necessários em seus sistemas informatizados, em consulta a diversos organismos pode-se perceber que são poucos os empresários que se atentaram para o problema. Entre as empresas de grande porte, o bug do milênio já está em adiantado processo de adaptação do sistema.

De acordo com o consultor de informação do Sebrae, João Luís Rosa, 32 anos, " a conscientização do micro e pequeno empresário não está muito ativa ainda para este aspecto". Rosa revela que de cada 10 empresários que procuram o escritório regional do Sebrae, apenas três deles sabem da existência do problema e da necessidade de se tentar resolve-lo o mais rápido possível.

O Sebrae analisou ainda os chamados grupos de risco, inseridos dentro da questão do bug do ano 2000.

O Bios (sistema básico de entrada e saída), programa utilizado por microcomputadores pessoais antigos terão problemas com a mudança da data. Por isso, os computadores precisam ser testados.

Para os profissionais liberais, como médicos, advogados, dentistas, ainda que as chances de problemas com a data sejam pequenas, é muito importante testar a compatibilidade do Bios de seus micros. Caso seja incompatível, o melhor é entrar em contato com o fabricante. Agora, se houver um sistema informatizado mais complexo, como de administração de todo um consultório, é bom fazer uma simulação para detectar eventuais problemas.

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), através do diretor regional adjunto, Sérgio Togashi, 53 anos, explicou que a entidade não possui um levantamento regional sobre a situação das indústrias em relação ao problema. Garantiu, entretanto, que este estudo deverá ficar pronto no final do mês de junho.

Para ele, os empresários "ainda não sentiram o problema". Nos contatos com outros industriais, o representante do Ciesp disse que até mesmo empresas de porte, ainda não iniciaram as adequações necessárias.

Em relação às micro e pequenas empresas, as chances de ocorrer algum problema é maior. Além dos testes de compatibilidade do Bios e da simulação,

é importante também entrar em contato com a empresa ou consultor que desenvolveu os sistemas informatizados que a empresa utiliza, para saber da necessidade de se fazer uma atualização do sistema.

Grandes empresas de Bauru e outras que atuam na região já estão com as adequações em relação ao bug em um estágio bastante adiantado, inclusive com a realização de simulações.

Na Tiliform Informática Ltda, seu diretor-presidente, Ricardo Coube, 45 anos, informou que a empresa fez investimentos em um equipamento de capacidade superior ao existente na empresa e junto com esta nova máquina está sendo implantada também uma linguagem superior, visando uma mudança dos sistemas de informação da empresa.

A empresa fez um plano de informática para os próximos três anos e, dentro deste plano, estava inserida a questão do bug do ano 2000. Assim, segundo Coube, as simulações deverão acontecer até o mês de agosto. Todas as mudanças consumiram perto de US$ 120 mil.

"Para essa fase, agora, é o mínimo que podemos fazer para garantir uma passagem de ano segura", afirma Ricardo Coube. Além da preparação da empresa para enfrentar o problema, Coube disse ainda que 95% das empresas fornecedoras de suprimentos à Tiliform, estão em fase final de reorganização.

O Banco do Brasil (BB) também já está totalmente pronto para enfrentar o bug. De acordo com o gerente geral da agência centro do BB, Norton de Souza, 44 anos, disse que o banco está no processo desde 96 e até colabora com o Governo e empresas privadas para a erradicação da falha nos sistemas computacionais brasileiros.

Na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) testes de simulação foram feitos neste mês de maio. As simulações foram dirigidas aos microcomputadores responsáveis pelas informações das condições do sistema elétrico e pela execução de telecomandos no sistema elétrico e na rede de distribuição.

Os resultados das simulações, segundo a empresa, foram satisfatórios e representam a última etapa do processo de adequação técnica da CPFL aos efeitos do bug do milênio.

Caio Coube, 41 anos, diretor-superintendente da Tilibra S.A. Indústria Gráfica, a empresa também está totalmente preparada para o problema. A Tilibra já vem tratando do bug há, pelo menos, 18 meses.

A empresa está implantando um novo sistema de informação integrado, separado por módulos como industrial, financeiro, distribuição entre outros. Com isso, o problema do bug do milênio se inseriu neste contexto e está praticamente resolvido.

Questionado se a crise econômica não desviou a atenção do problema, o empresário disse que "a dificuldade direciona a energia do empresário para o funcionamento e para a sobrevivência do negócio", mas as pessoas com formação técnica ou atuantes na área de informática dentro das empresas estão preocupadas e atuando na adaptação dos sistemas. Financiando o problema do bug do Ano 200

Texto: Luciano Augusto

De uma parceria entre o Sebrae e o Banco do Brasil (BB) surgiu a ampliação das linhas de crédito oferecidas para micro e pequenas empresas (Mipem), com condições especiais para financiamento de "adaptação e/ou substituição de sistemas", numa preparação para o bug do Milênio

Para pleitear o financiamento, é necessário elaborar um projeto, através do Sebrae, seguindo o modelo padronizado pelo Banco do Brasil, já utilizado para outros financiamentos da linha normal do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger). O valor máximo do financiamento é de R$ 50 mil por finalidade, ou seja, adaptação e/ou substituição dos sistemas informatizados.

O gerente geral do BB, da agência centro, Norton de Souza, 44 anos, adiantou que, embora a linha já exista a algum tempo, desde janeiro de 99, é praticamente zero a procura pelo financiamento. "Muita gente está achando que não é com ele o problema", complementa.

Ele destaca também que o financiamento tem um custo bem baixo. Sobre ela incide uma taxa de juros fixa anual de 5,33% mais a taxa de juros de longo prazo (TJLP), que é variável. Atualmente, a TJLP gira em torno de 13% ao ano, mas a tendência

é de baixa.

Os prazos são estipulados de acordo com o cronograma físico-financeiro do projeto e a capacidade de pagamento do empreendimento e de beneficiário, observando a carência máxima de 12 meses, com prazo de amortização de 36 meses.

O público alvo e os percentuais financiados do projeto são os seguintes: 80% para microempresas, 70% para empresas de pequeno porte e 60% para empresas de médio porte. Poderá, ainda, ser financiado capital de giro associado, no limite máximo de 30% sobre o valor total do financiamento, desde que a finalidades esteja estipulada no projeto.

O gerente do BB alerta que quanto mais rápido os empresários se adequarem ao problema do bug do Milênio, menos gastos eles devem ter. Como disse, "deixando para última hora, o custo deve ser ainda maior, porque os profissionais vão cobrar mais caro".

"Tem que estar zerado" de pendências junto ao fisco, lembra Souza, para requisitar o financiamento. A empresa, por exemplo, não pode constar no Serasa, um serviço de verificação e proteção ao crédito, ou então ter o nome vinculado ao Cadastro de Devedores e Inadimplentes (Cadin) do Tesouro Nacional.

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