Aumenta procura por carro usado a álcool
Aumenta procura usados a álcool
Texto: Luciano Augusto
Com a demora na negociação entre governo, montadoras e trabalhadores sobre a renovação do acordo que reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) dos carros novos, não surtiu efeito sobre as vendas de carros usados e o mercado continua estagnado. Entretanto, a procura por usados à álcool, segundo as revendas de usados, aumentou nos meses de abril e maio.
Finalmente, um novo acordo foi acertado na quinta-feira e deve valer para os próximos 90 dias. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros populares, que havia sido rebaixado de 10% para 5% no acordo anterior, agora subiu para 7%. Para os carros médios, o imposto que era de 30% e 25% e havia passado para 17%, ficou em 20% nesta nova negociação. As montadoras ainda se comprometeram a dar um desconto de R$ 375,00 na compra.
Sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ele deve ficar 9,5%. No acordo anterior, o imposto tinha sido reduzido de 12% para 9%.
Mesmo sem representar muita coisa para as lojas de usados, a procura pelos modelos à álcool aumentou, motivada, principalmente pelo preço do litro do combustÃvel, que chega a custar menos da metade do preço de um litro de gasolina. Em época de recessão, esse motivo é o bastante para justificar o assédio dos consumidores.
Pedro Gonçalves de Oliveira, 43 anos, proprietário da revenda de carros usados, Pedrinho Automóveis, disse que a briga entre as fábricas e o governo não alterou em nada o movimento na loja. "Conseguimos vender quando tem mercadoria boa e com bom preço", afirma Oliveira. Ele, que costumava vender até 100 carros por mês, a três anos atrás, hoje negocia somente cerca de 25 automóveis. Em relação aos modelos Ã
álcool, "Pedrinho" afirma que "o carro Ã
álcool tem vendido bem por causa do preço da gasolina".
Na loja Pioneiro Automóveis, o gerente Paolo Waldir Pelegrino, 24 anos, confirma a maior procura por carros à álcool,
"que vem subindo nos últimos dois meses". Comparativamente, a diferença no preço do usado à álcool para o movido à gasolina, fica entre R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00, para modelos de mesmo ano.
O gerente reclama que o último mês de abril foi o pior do ano. Acostumados a vender perto de 30 carros por mês, Pelegrino revela que, no mês passado, conseguiu vender apenas 16 carros. Mesmo assim, ele acredita em dias melhores, "porque o carro zero está muito caro".
"A situação está cada vez pior, porque ninguém tem dinheiro", explica Ivaldo Misquiati, 47 anos, proprietário da Palito Automóveis. De acordo com ele, com as financiadoras baixando diariamente os juros, as pessoas não compram esperando quedas ainda maiores. Mesmo dizendo que poucos clientes têm interesse pelos modelos
à álcool, ele também apontou um crescimento na procura. Em sua revenda, as vendas destes veÃculos representam 10% do total dos negócios, revela.
A saÃda encontrada por Misquiati, foi trabalhar com vendas em consignação, com os ganhos em comissão.
Na Marcel VeÃculos, o gerente Pedro do Amaral, de 53 anos, analisa que o consumidor está esperando a definição das tabelas dos carros zero, para só depois se decidir por um modelo novo ou usado. Ele também acredita que a maior procura ao carro à álcool se deve mesmo ao melhor preço do combustÃvel do que a uma mudança de visão do consumidor.