Posição do Brasil pode extinguir OIC
Posição do Brasil pode extinguir OIC
Texto: Paulo Toledo
A decisão do governo de se retirar da Organização Internacional do Café (OIC), caso os paÃses consumidores não concordarem em fazer algumas concessões, como a destinação de verbas para marketing internacional e a permissão de entidades não governamentais de consumidores entre os membros, substituindo os organismos governamentais que não fizerem parte. MaurÃcio Lima Verde Guimarães, 61 anos, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e membro do Conselho Deliberativo de PolÃtica Cafeeira (CDPC), que retornou de Londres, na Inglaterra, na última sexta-feira, onde participou da reunião da OIC, disse que a atitude brasileira pode inviabilizar a existência da Organização, da qual o PaÃs faz parte desde a fundação, há 38 anos.
O posicionamento do governo brasileiro foi colocado pelo embaixador brasileiro Rubens Barbosa, que recentemente foi transferido de Londres para Washington, nos Estados Unidos, porém mantém-se como presidente da Associação dos PaÃses Produtores de Café (APPC) até setembro. No entanto, na reunião preliminar com a comitiva brasileira, os representantes da iniciativa privada e os deputados ligados ao setor cafeeiro impediram, por meio de pressão, a retirada do Brasil da OIC e conseguiram que uma conversação fosse aberta.
Agora, foi marcada uma reunião para o mês de julho, no Rio de Janeiro, entre os paÃses produtores, para tentar uma proposta para o impasse criado. A próxima e decisiva reunião da OIC será realizada em setembro, em Londres, na qual pode ocorrer a atitude do Brasil de retirada da Organização, caso não ocorra um acordo com os paÃses consumidores. Lima Verde disse temer que a decisão do governo brasileiro não possa ser revertida, mesmo com a pressão dos deputados da área no Congresso Nacional.
O Brasil alega que a OIC, desde que deixou de atuar na área econÃmica, perdeu muito de sua força. Lima Verde disse que isso é uma realidade, mas defende a permanência e sobrevivência da Organização por ser o maior
órgão de estatÃstica do mundo no setor cafeeiro.
"É o único órgão de setor privado, de produtos primários, que consegue ter esse número de paÃses filiados (97). Uma representatividade muito alta", destacou.
Lima Verde destaca que o desejo do Brasil é a entrada do setor privado na OIC. Ele lembra que os Estados Unidos saÃram da entidade, por decisão do governo daquele paÃs, que não admite se envolver em acordo de controle de produtos primários. Porém, a Associação dos Consumidores Norte-Americanos, que é uma entidade de peso, quer participar. A OIC não aceita porque é composta, apenas, de órgãos de governo. "Essa é a maior alegação brasileira. A outra, que é uma alegação pÃfia, que saiu na Imprensa brasileira, é que havia necessidade do Brasil economizar os US$ 400 mil que paga por ano. É um dinheiro insignificante para um PaÃs que exporta US$ 3 bilhões por ano", afirmou.
Lima Verde defende que a OIC tem um grande peso na comunidade cafeeira mundial. Para o Brasil, hoje em dia, que o café não tem um peso tão importante na parte de exportação, mas conta com um aspecto social muito grande. O organismo tem um peso relativo. Porém, para os paÃses africanos, principalmente, que vivem exclusivamente da economia cafeeira, o peso da Organização é fundamental.
A APPC é uma espécie de cartel dos produtores, mas não tem a mesma importância da OIC. A associação surgiu, justamente, porque a Organização deixou de tratar das cláusulas econÃmicas. A liderança cafeeira afirma que o ideal seria que a OIC retomasse a parte econÃmica.
Lima Verde disse que, no momento, a situação das exportações é confortável. Mas, para o próximo ano, já é esperada uma safra pequena, que não vai atender à demanda. Se vier uma geada, a situação piora muito. Então, defende, é necessário que se tenha um órgão regulador.
No Brasil, até o dia 17 de junho, o endividamento do setor cafeeiro deverá ser solucionado. Robério Silva, secretário-geral da APPC, é o novo secretário dos Produtos de Base, do Ministério da Indústria e Comércio e deve buscar uma negociação definitiva. Inicialmente, fala-se em pagamento de 5% da dÃvida e o restante em 20 anos. Ao todo, são US$ 6 bilhões em dÃvidas.
Brasil pode fechar registros de exportação de café
O Brasil pode passar a fechar os registros de exportação para venda de café, toda vez que a cota de 1 milhão de sacas (de 60 Kg. cada uma) mensais for atingida. Essa sinalização foi feita pelo governo na reunião da Associação dos PaÃses Produtores de Café (APPC), em Londres, como forma de contornar a crÃticas recebidas em razão do estouro do primeiro semestre da safra, quando eram para ser colocados no mercado internacional 6 milhões de sacas e foram comercializadas quase 11 milhões, ou seja, 83% a mais.
MaurÃcio Lima Verde Guimarães, 61 anos, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e membro do Conselho Deliberativo de PolÃtica Cafeeira (CDPC), que participou da reunião, afirmou que o Brasil se desculpou pelo excesso de café vendido e se comprometeu a adotar medidas de contenção.
Os outros paÃses membros, principalmente a ColÃmbia, vinham criticando duramente o Brasil em razão da venda maior do que a cota estabelecida na APPC que, de acordo com eles, vinha prejudicando o preço no mercado internacional. (PT)