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Preço da seda

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 7 min

Seda consegue aumento de 33% do Estado

Seda consegue aumento de 33% do Estado

Texto: Márcia Buzalaf

O setor de sericicultura conseguiu um reajuste que fez com que o quilo da seda "A" passasse de R$ 2,00 para R$ 2,65 a partir do início deste mês. De acordo com o presidente da Comissão Técnica de Cericicultura da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e do Sindicato Rural de Duartina, José Yamaguti, o setor estava desestimulado até a desvalorização, que ajudou o preço do produto no mercado internacional.

Pelo menos para a cultura do bicho-da-seda, a desvalorização do real de janeiro ajudou. Até janeiro, o preço para o casulo com 15% de teor de seda líquida de casulos verdes era de R$ 2,00. Desde o início de junho, a Associação Brasileira de Fiações de Seda (Abraseda) permitiu que este preço passasse para R$ 2,65. Para os casulos de 2.ª, o preço está variando entre R$ 0,63 e R$ 0,89, e, para os casulos duplos, o quilo passou a custar R$ 0,39.

Os sericicultores vêm buscando várias formas de subsídio do preço de seus produtos. Em agosto de 98, a comissão da Faesp requisitou uma ajuda aos governos estaduais e federais para que o preço passasse para R$ 2,50.

A resposta dada aos sericicultores não foi positiva. O Governo Federal negou o recurso de R$ 6,5 milhões que subsidiaria em R$ 0,50 o quilo da seda de toda a produção brasileira.

O aumento foi sendo dado gradativamente, até atingir R$ 2,65 o quilo em comum acordo entre a Abraseda, a Fiação de Seda Bratac (maior do mundo), a Canebo Silk do Brasil - Indústria de Seda, e a Cooperativa dos Agricultores de Maringá (Cocamar).

Mesmo assim, Yamaguti afirma que o preço praticado ainda não é o ideal. Para ele, o governo do Estado não incentiva a produção de seda e o consumidor tende a valorizar o produto internacional. "Quando dizem que é seda japonesa, italiana, tem mais valor", afirma. Mesmo assim, ele diz, a seda importada que chega ao Brasil, muitas vezes, é feita com o fio da seda nacional, sem o consumidor saber.

O resultado é que apenas 3% da produção fica no País, que também não importa a matéria-prima.

Desistência

Até janeiro, muitos produtores desistiram da cultura do bicho-da-seda. De acordo com Yamaguti, a supervalorização do real durante muitos anos foi o entrave do preço do produto.

O motivo é simples: aproximadamente 97% da produção brasileira de fio de seda é exportada. O maior produtor de fio de seda no mundo é a China, que chega a comercializar o quilo do produto por R$ 1,00.

No Brasil, a safra 98/99, que vai de setembro a junho, teve uma produção no Estado de São Paulo de 900 toneladas de 900 criadores. A produção do Brasil todo nesta

última safra é de 11 mil toneladas, ou seja, 11 milhões de quilos de fio de seda.

Entre os estados que produzem o bicho-da-seda, estão Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás, Santa Catarina, São Paulo e o campeão, Paraná. Até 85, São Paulo era o principal produtor do bicho-da-seda, mas foi ultrapassado pelo Paraná desde então. Atualmente, a produção do Estado não representa nem 10% do total da sericultura brasileira. Nos outros estados, Yamaguti afirma, a produção ainda é muito pequena.

Aliás, com a desistência de alguns produtores e a falta de incentivo do governo, a produção brasileira

é bem menor do que a demanda. "Hoje, o produto está em falta", completa Yamaguti.

Ele conta que, além do subsídio, os sericicultores pediram ao governo do Estado uma linha de crédito específica para o financiamento da produção do bicho-da-seda.

Esta requisição foi aceita e, na última semana, foi anunciado o financiamento de R$ 1,2 milhões para os produtores de São Paulo. O recurso deve ser liberado dentro de 45 dias. O teto para esta linha é de R$ 6 mil por produtor, prevê uma carência de um ano, pagamento semestral e juros de 4% ao ano.

Unesp desenvolve projeto de agricultura de precisão

Desde maio, os pesquisadores da Fundação de Pesquisas Agropecuária e Florestal (Fepaf) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Botucatu, estão disponibilizando os resultados de um projeto de agricultura de precisão que visa permitir ao pequeno e médio agricultor usar um conceito de gerenciamento rural para aumentar sua produtividade. O serviço

é pioneiro e visa democratizar o uso de tecnologias na lavoura.

De acordo com um dos coordenadores do projeto, o engenheiro mecânico Kléber Pereira Lanças, professor do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agronômicas

(FCA), do câmpus de Botucatu, o projeto disponibiliza equipamentos de analise das principais propriedades do solo, racionalizar a aplicação de adubos e defensivos agrícolas e determinar o momento e o local em que a preparação do solo deve ser feita.

Por exemplo: no caso de ser solicitada uma análise de solo, um técnico vai à fazenda tracionando uma carreta com seu próprio veículo, levando os equipamentos e instrumentos necessários para a amostragem do solo.

No campo, a carreta é transferida para um trator que vai fornecer a energia hidráulica para operar os instrumentos e tracionar a carreta nos talhões que deverão ser analisados. Enquanto as amostras são retiradas, os equipamentos testam a compactação, coesão e adesão do solo. Todas as informações são registradas instantaneamente em um armazenador de dados.

Depois, todas as amostras são encaminhas para análise em laboratório. Com o cruzamento dos resultados, será elaborado um mapa que deve retratar as condições da terra, permitindo determinar com precisão o preparo diferenciado para cada área, a correção de nutrientes, a quantidade e o tipo de insumo a ser utilizado. O mapa é usado para indicar em quais áreas da lavoura há maior incidência do problema, o que permite determinar a dose do produto conforme a gravidade da infestação. O sistema também determina a quantidade de defensivo a ser usado.

O método também evita o disperdício na aplicações de defensivos em um mesmo local.

O projeto de agricultura de precisão é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com um investimento de aproximadamente US$ 50 mil.

O mapa com a análise de solo, por exemplo, custará entre R$ 15,00 e R$ 20,00 por hectare. Estes equipamentos valem mais do que US$ 60 mil.

Serviço

Mais informações podem ser obtidas pelo fone: (014) 821-3883, no Departamento de Engenharia Rural da Unesp de Botucatu.

Agenda

A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) está lançando duas publicações dirigidas para o processamento da carne suína e da cultura do palmito pupunha, através da instrução prática 258 e 261, respectivamente. Dirigidas a produtores e trabalhadores rurais, as instruções abrangem vários pontos de cada produção e cultivo. O preço de cada publicação é R$ 10,00. Mais informações pelo fone: (019) 241-7191; ou pelo e-mail: carmem@cati.sp.gov.br.

Expocorte

O grande destaque do mês de junho é a V Expocorte, que deve reunir 1.500 animais de 21 raças diferentes, entre os dias 13 e 20. Ao todo, são 380 expositores no Parque da Água Funda. Entre os destaques da feira, estão a presença de produtos veterinários, inseminação artificial, equipamentos, implementos, produtos e serviços. Informações: (011) 820-0828.

Rédeas

De 10 a 12 de junho, a Ford vai realizar dois eventos voltados para o agrobusiness: a "1.ª Copa dos Criadores" e a "1.ª Ford Open". A premiação

é de R$ 100 mil na modalidade rédeas. O evento será realizado na Fazenda São Jerônimo, em Americana. Informações: (011) 530-2863

Formiguinhas

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) estará realizando, entre os dias 4 e 8 de julho, o XIV Encontro de Mirmecologia, na instância turística de São Pedro. As questões centrais da discussão devem ser as formas de combate e prevenção às formigas. Conferências, palestras, mesas-redondas e apresentações de trabalhos estão entre as atividades do encontro. Informações pelo fone: (011) 5589-8523.

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