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Paulo Toledo
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Região deve consumir R$ 7,8 bilhões em 99

Região deve consumir R$ 7,8 bi em 99

Texto: Paulo Toledo

A região central do Estado de São Paulo deve consumir cerca de R$ 7,83 bilhões neste ano, o que significa 1,48% do total nacional estimado em R$ 528 bilhões. A população de 1,489 milhão de habitantes, distribuída em 57 municípios considerados, numa área de 26.702 quilÃmetros quadrados, terá um consumo per capita de R$ 5,22 mil. Estas são algumas das conclusões do estudo Brasil em Foco 99 - Índice Target de Potencial de Consumo, que apresenta dados demográficos e potencial de consumo detalhado para cada um dos municípios brasileiros. A base de dados do Brasil em Foco é atualizada anualmente pela Target Pesquisas e Serviços de Marketing Ltda., com base em dados de instituições oficiais.

Desse volume consumido na região, 73%, ou seja, R$ 5,72 bilhões, serão realizados pelas populações urbanas dos municípios, que representam 91,22% do total da região, ou seja, 1,358 milhão de habitantes.

No município de Bauru, que se destaca como líder da região, a população rural representa apenas 1,02% dos 305.753 habitantes, espalhados em 84.542 domicílios, dos quais 881 são da zona rural. O total de consumo da população urbana e rural de Bauru deve chegar a cerca de R$ 1,937 bilhão. O consumo per capita do município chegará a 6,438 mil/ano, superior à média regional.

De acordo com análise realizada pelo economista, consultor de empresas e professor universitário Carlos Roberto Sette, 49 anos, a alimentação, saúde, transportes e manutenção do lar são os itens onde ocorrerão os maiores desembolsos no consumo geral da região de Bauru.

Sette destaca que a maior participação no consumo da região, encontra-se concentrada nas classes B1, B2 e C (veja divisão em quadro) que somadas representam 70,8% dos gastos. O número de empresas instaladas na cidade perfaz 13.902 unidades, com destaque para os segmentos de comércio e serviços, que juntos totalizam 12.465 unidades, ou seja, 89,66% das empresas. A indústria (1.337) representa 9,62% e a área rural (100) apenas 0,72%. Na região, são 58.179 empresas, sendo que as do comércio e as de serviços representam 50.206, ou seja, 86,3%. A indústria representa 11,32% das empresas da região, com 6.587 unidades. As empresas rurais representam 3,38%, ou seja, 1.386 (veja gráficos).

O potencial de consumo estimado dos bauruenses está concentrado nos itens de alimentação (22%), manutenção do lar (21%), despesas com saúde (9,8%), transportes e gastos com veículos (9,2%), eletrodomésticos (3,5%) e vestuário e calçados (1,3%). Os demais grupos em proporções menores fecham o total do consumo. Em Bauru, a concentração maior do consumo se dá nas classes B1, B2 e C, acompanhando a tendência da região.

Carlos Sette diz que o estudo mostra que a região de Bauru

é pouco industrializada e muito dependente das empresas das áreas de comércio e serviços. Ele destaca que economia agrícola tem pouca expressão na região. Porém, aponta que algumas cidades como Jaú de Marília têm uma industrialização maior do que Bauru. Porém, esses municípios têm potencial de consumo

é menor (veja quadro). A Quarta cidade com população maior do que 100 mil habitantes, Botucatu, também tem um bom índice de industrialização.

Nessas quatro cidades, o Índice de Alfabetização está acima de 85%, o que é considerado um excelente

índice, comparado com a média nacional. O consumo per capita/ano é respectivamente R$ 6,431 mil, em Bauru; R$ 6,119 mil, em Botucatu; R$ 5,668 mil, em Marília; e R$ 5,341 mil, em Jaú todas acima da média regional

(veja quadro).

De todas elas, a que tem maior percentual de concentração de consumo na classe C é Jaú, com 35,5% da população; e tem a menor concentração de consumo na classe A, com 13,3%. Na classe A, Bauru e Botucatu têm 20,7% e 19,6% respectivamente, enquanto Marília possui 18,7%. Já com relação à classe E, todas mantém um número entre 0,6% e 0,8% (veja quadro).

Coincidentemente, a classe B, englobando as classes B1 e B2 tem em todas as cidades um índice entre 39% à 41% do potencial de consumo da população. O potencial de consumo por classe sócio-econÃmica em Bauru é o seguinte: classe A tem 21%; classe B tem 41%; classe C tem 29%; classe D tem 8%; e classe E tem 1%.

Para Sette, Botucatu está se diferenciando na questão do consumo, já que tem uma população menor e em perfil muito semelhante ao de Bauru, em termos percentuais. O economista disse que o ideal para Botucatu é que busque o crescimento populacional mantendo o nível de consumo

Sette diz acreditar que o fato de Bauru ter um grande número de funcionários públicos, que estão há cerca de quatro anos sem receber reajustes de salários, possa estar influenciando para que os números de consumo do município não sejam melhores. Por outro lado, as características essencialmente comercial e de serviços fez com que a cidade sentisse menos a questão do desemprego que as cidades mais industrializadas. É por isso que os indicadores levantados pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) ficam muito abaixo dos níveis estaduais como um todo. "Jaú tem mais crise do que Bauru, porque o foco de lá é mais indústria, de calçado e de usina, setores que enfrentam crise, e pouco comércio. Botucatu já é mais diversificado, contando com um pólo industrial interessante e um comércio bom", afirmou.

Divisão por classe de renda (*)

Classe A

A1 - Acima de 40 salários mínimos

A2 - 30 a 40 salários mínimos

Classe B

B1 - 25 a 30 salários mínimos

B2 - 20 a 25 salários mínimos

Classe C - 10 a 20 salários mínimos

Classe D - 5 a 10 salários mínimos

Classe E - até 5 salários mínimos

(*) Referência: Institutos de pesquisas privados (os oficiais não fazem essa divisão oficialmente)

Geografia do consumo brasileiro

Os brasileiros deverão gastar em 1999 um valor próximo de R$ 528 bilhões em despesas de consumo. As classes mais abastadas, tecnicamente classificadas como A1, A2, B1 e B2 serão responsáveis por 55% deste valor, apesar de representar apenas 22% da população total. A classe E, pessoas de baixo poder aquisitivo, 13% da população do País, será responsável por 3% do consumo. Enquanto nas classes mais abastadas, o consumo per capta deverá ser de R$ 9,24 mil/ano, na classe E deverá ser de R$ 885,00/ano, menos de 10% do valor que será gasto pelos mais ricos.

Estas são algumas das conclusões nacionais do estudo Brasil em Foco 99 - Índice Target de Potencial de Consumo, que apresenta dados demográficos e potencial de consumo detalhado para cada um dos municípios brasileiros.

O estudo mostra disparidades, também, quando são analisados os dados dos municípios. As 27 Capitais, incluindo Brasília, concentram 35,5% do consumo brasileiro. As outras 4.947 cidades ficam com os 64,5% restantes. Quando analisamos os municípios segundo demografia, temos que pouco mais de 10% possuem mais de 50 mil habitantes, concentrando 63,5% da população brasileira e 77,7% do total do consumo, além de 74% do total de empresas do País, com destaque para o setor de serviços.

No outro extremo, com população até 50 mil habitantes, temos quase 90% dos municípios, obrigando 36,5% da população do País e apenas 22,3% do total do consumo. Nestes municípios temos apenas 26% da empresas brasileiras, com destaque para empresas de agribusiness.

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