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Filme sobre lendas

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru verá "No Coração do Gigante"

Bauru verá "No Coração do Gigante"

Texto: Marcos Zibordi

Filme sobre as lendas da serra de Botucatu é uma produção independente de sucesso

Botucatu - Já ouviu falar de um caminho subterrâneo construído entre Macchu-Picchu e o Atlântico? E que este caminho passaria sob a formação rochosa conhecida como Gigante Adormecido, na serra de Botucatu? Se não ouviu falar e, mesmo que ouviu, não tenha visto, a oportunidade está próxima. O filme "No Coração do Gigante", rodado no ano passado por alguns jovens cineastas de Botucatu, tem data marcada para estréia em Bauru. A produção independente conta a história de um grupo que parte em busca da lenda e do chamado caminho de Peabirú, que teria sido construído pelos Incas no período Pré-Colombiano.

Praticamente um milagre tecnológico, os equipamentos envolvidos na produção e edição do filme se resumiram a um vídeo, um computador com um bom programa de edição e uma câmera manual (dessas usadas para filmar aniversário de criança ou férias na praia).

Domingos Meira Jr., 20 anos, e Paulo Furtado, 22, coletaram 12 horas de imagens e editaram uma hora e dez minutos de "No Coração do Gigante". O título explica-se através do nome da formação rochosa, o Gigante Deitado, que serviu de cenário para o filme e por onde passaria o caminho de Peabirú.

A estréia em Botucatu em setembro do ano passado levou mil pessoas ao teatro municipal. Em seguida, 50 cópias do filme foram colocadas nas locadoras, gratuitamente, durante seis meses. Sete mil pessoas assistiram a fita. Até a Câmara Municipal homenageou o filme com uma "menção honrosa de aplausos".

Segundo os produtores, além do interesse pela lenda regional da serra de Botucatu, o filme ainda resgata aspectos da ecologia e do turismo, mostrando as cachoeiras, serras e belezas naturais da "Cuesta Botucatuense".

Com esses argumentos, eles esperam estender para Bauru o mesmo esquema de apoio para colocação do filme nas locadoras. Os patrocinadores terão comerciais gravados nas fitas e produzidos pelos próprios cineastas, sem custo adicional. Além de "No Coração do Gigante", a fita inclui o novo filme do grupo, "Um emprego no céu", curta-comédia que concorre na fase municipal do Mapa Cultural Paulista.

"Um emprego no céu"

Imagine que você já está em cima do banquinho, corda enlaçada no pescoço, pronto para se suicidar. Quando a corda vai esticar, você vê escorregar por debaixo da porta aquela carta de emprego que tanto esperava. Mas, como você tropeçou no banquinho quando ia desistir do suicídio, sua carteria de trabalho só vai ser assinada no céu...

É mais ou menos este o gancho do curta tragi-cÃmico que está concorrendo por Botucatu no Mapa Cultural Paulista e será exibido na estréia do "Coração do Gigante" em Bauru. Todo o filme foi rodado em 48 horas, porque a Secretaria de Cultura havia informado a data errada para entrega dos trabalhos. Na correria, eles mobilizaram o corpo do bombeiros da cidade para a tomada com "grua" da abertura do filme. Conseguiram mais dois atores de última hora, filmaram e editaram tudo para entregar em tempo hábil.

Esse curta é mais um trabalho que vai definindo as características da produção da dupla Meira Jr. e Paulo Furtado. Fãs do Realismo Fantástico, de García Marques e cinéfilos viciados, eles são capazes de rodar filmes "non-sense" só pelo prazer da edição. Um deles, curta de lutas marciais, gravado numa danceteria, é o fino da sátira e da ironia das sessões Van-Dame.

Desde 93, a dupla fez vários curta-metragens. Os primeiros são quase todos sobre sátira de arte-marcial. O primeiro é "Combinação Mortal", definido por eles como "baboseira marcial". Tem 40 minutos de duração e foi filmado em VHS colorido. Depois vieram "Pelas Próprias Mãos" (40 min. em VHS) e quatro vídeos de 1 minuto cada, também de baboseira marcial. São eles "A Velhinha",

"A Velhinha 2, A Missão", "Aventuras de Napoleão" e "O Touro (in) Domável".

Após esta fase, em 95 foi produzido "A Sorte Vem de Caminhão", na mesma linha tragicÃmica de "Emprego no Céu". O filme de oito minutos foi filmado com duas câmeras e escolhido para fase regional do Mapa Cultural Paulista de 95.

Outro projeto do mesmo ano e que fracassou seria um filme sobre vampiros patrocinado por uma funerária, um longa metragem previsto para uma hora e meia. Um terço das cenas chegou a ser filmado em 8 milímetros.

Em 97 a produção seria forçada a uma pausa. A dupla foi convocada para o famoso "Tiro de Guerra", mas acabou produzindo um documentário sobre o pelotão e vendendo 180 cópias para os soldados. O documentário tem 2 horas, filmado em 8 milímetros e também foi vendido em 98.

O dinheiro ganho com as fitas foi usado na produção mais ousada da dupla, o "Coração do Gigante". O filme foi gravado com uma câmera super 8 milímetros.

A produção mais recente é "Um Emprego no Céu". O filme é a primeira atração da noite de estréia de "No Coração do Gigante", na Semana Cultural de Bauru, dia 5 de agosto, na Universidade do Sagrado Coração (USC). Será exibido um documentário mostrando o Gigante Deitado, o Caminho do Peabirú e belezas naturais de Botucatu. A grande atração, na sequência, será "No Coração do Gigante". A exibição será gratuíta.

Após a estréia, cem fitas estarão disponíveis nas principais locadoras de Bauru para serem retiradas gratuitamente.

O roteiro do próximo filme está pronto. Aos interessados, o "Futuro do Pretérito" é um média metragem considerado por eles seu melhor roteiro e deve ser rodado no fim deste ano.

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