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Fechamento de hospital

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Vereadores defendem união contra fechamento do Manoel de Abreu

Vereadores defendem união contra fechamento do Manoel de Abreu

Texto: Josefa Cunha

A desativação do hospital Manoel de Abreu monopolizou os discursos dos vereadores na sessão de anteontem. Praticamente todos os parlamentares defenderam publicamente a união de forças políticas locais e regionais a fim de pressionar o governo do Estado a tomar providências urgentes contra a crise que abala a unidade de saúde, referência regional no tratamento de pacientes com tuberculose e aids. Apesar da medida drástica, a maioria acredita que o fechamento

é necessário para forçar uma solução definitiva de um problema que há anos vem deteriorando o hospital.

A mobilização política em favor do Manoel de Abreu já teve início ontem. Em São Paulo, o deputado Pedro Tobias (PDT) teceu pesadas críticas ao secretário da Saúde, José da Silva Guedes. O pedetista tentou reunir-se com o secretário, mas só conseguiu agendar uma audiência - que ocorreria ainda ontem

- depois das críticas feitas no plenário da Assembléia Legislativa. "Ele foi avisado há 20 dias que o hospital poderia fechar, mas não agiu, não interferiu e nem deu esperanças. Isso não é postura de um secretário de Saúde. Tenho para mim que ele é um insensível, um tecnocrata", classificou Tobias.

Ontem também, o prefeito Nilson Costa (PL) estaria comunicando o problema ao presidente da Câmara Federal, deputado Michel Temer (PMDB), com quem tinha encontro agendado em Brasília. O objetivo do encontro entre o chefe do Executivo bauruense e Temer era outro, mas, diante do fechamento do hospital, assumiu o compromisso de solicitar providências. Uma delas seria pedir ao deputado a comunicação do fato ao ministro da Saúde, José Serra (PSDB).

Enquanto deputado e prefeito tentam buscar soluções junto ao Estado e à União, os vereadores organizam uma mobilização em âmbito regional. Prefeitos e deputados das cidades vizinhas já estão sendo convidados a participar de uma reunião nesta sexta-feira, a partir das 15 horas, provavelmente na Câmara Municipal. Segundo a vereadora Maria José Majà Jandreice (PC do B), da comissão de Saúde do Legislativo, o encontro objetiva traçar estratégias de pressão para que os governos estadual e federal intercedam pela retomada dos atendimentos no Manoel de Abreu.

A desativação quase total do hospital é tida pelos vereadores como um "mal necessário". Vários deles lembraram que o estabelecimento vem enfrentando problemas há anos, mas acham que somente diante de uma medida radical será possível estancar a crise. "A deterioração do Manoel de Abreu vem sendo gradativa e ocorre há anos; vários leitos e setores já foram desativados. O problema é que, enquanto se pode contornar a situação, as pessoas permanecem acomodadas", considerou Majà Jandreice.

A questão financeira abala praticamente todas as unidades de saúde pública do país, mas no Manoel de Abreu o problema maior refere-se à estrutura física. Várias alas estão condenadas e ameaçam ruir, sem falar da caldeira que oferece risco de explosão. O governo do Estado vem sendo alertado há mais de um ano sobre o fato, mas não tomou e nem manifestou qualquer interesse em tomar providências. Há cerca de um ano, A DIR-SUS

- que representa o Estado em Bauru - e a Vigilância Sanitária encaminharam um laudo sobre a situação do hospital. A indiferença foi a mesma. Segundo especula-se, o secretário de Estado da Saúde, José da Silva Guedes, teria

"lavado as mãos" em relação ao problema, dizendo "que feche" quando do recebimento de reivindicações de melhorias para o hospital. Para alguns políticos, a postura do secretário deixa claro que os governos de FHC e Mário Covas intencionam o sucateamento das unidades públicas de saúde com vistas na privatização.

Os vereadores do PSDB evitaram rebater as críticas feitas

à política administrativa do partido, mas concordam com a necessidade de um movimento regional para pressionar providências e ações governamentais. Edmundo Albuquerque, por exemplo, disse que a Associação Hospitalar de Bauru

(AHB) - mantenedora do Manoel de Abreu - só está

"de pé" ainda porque o governo Mário Covas, diferentemente de seus antecessores, prestou auxílio financeiro. Ainda assim, ele admite que a contribuição não foi e nem é suficiente. Em sua opinião, o problema da AHB e dos demais hospitais públicos só será resolvido depois que o governo federal pagar melhor pelos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Já o vereador João Parreira de Miranda (PMDB), além de apoiar a mobilização regional, acha que o Estado pode solucionar definitivamente a questão hospitalar em Bauru se tiver vontade política de concluir as obras do Hospital Regional. Ontem, o peemedebista encaminhou requerimento nesse sentido ao governador Mário Covas, argumentando que ao invés da reforma do Manoel de Abreu, o Estado poderia custear o término da unidade regional, ampliando os atendimentos públicos na cidade e região. A construção do Hospital Regional foi iniciada há cerca de seis anos e há pelo menos quatro está paralisada. A proposta de Parreira é apoiada por outros vários políticos, inclusive pelo deputado Pedro Tobias.

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