Megaoperação da PM desmonta ponto de tráfico
Megaoperação da PM desmonta ponto de tráfico
Texto: Rita de Cássia Cornélio/Ieda Rodrigues
Policiais do Tático 4, após um mês de trabalho contÃnuo de observação, numa megaoperação, conseguiram desmontar, anteontem à noite, um dos maiores pontos de tráfico de Bauru, que estaria vendendo cerca de 150 pedras de crack todos os dias. No local, um terreno baldio do Parque Viaduto, foram apreendidas 114 pedras de crack e 18 invólucros de maconha.
Apenas o servente de pedreiro Carlos Alberto Lopes Júnior, 19 anos, morador da Vila Celina, foi preso em flagrante por tráfico. Mas a polÃcia, conforme explicou o tenente Jorge Duarte Miguel, com base em gravações em vÃdeo feitas no local, acredita que de oito a dez pessoas, incluindo menores, estejam envolvidas com o tráfico realizado no terreno baldio do cruzamento das ruas Mário Gonzaga Junqueira com Adilson Alves de Carvalho.
Moradores da região vinham sendo ameaçados pelos traficantes, para que não os denunciassem à polÃcia. Eles chegaram a exibir arma de fogo a alguns moradores e a atirar para o alto, como forma de inibi-los a qualquer denúncia. Há cerca de dois meses, uma viatura do serviço reservado da PolÃcia Militar, que passava próximo ao ponto de tráfico, foi alvejada por oito tiros, provavelmente disparados pelos traficantes.
Todo o trabalho de observação, feito pela polÃcia, foi filmado e gravado para que ficasse comprovada a ocorrência de tráfico de entorpecentes. Muitos moradores já haviam denunciado o caso, mas a polÃcia não tinha provas suficientes. A droga era escondida em vários pontos do terreno baldio, dentro de buracos e no meio de entulho, justamente para que os traficantes não fossem incriminados caso a polÃcia descobrisse o comércio.
Anteontem à noite, um policial, se passando por usuário de drogas, adquiriu duas pedras de crack e, sem seguida, deu voz de prisão em flagrante a Lopes Júnior. As notas usadas como pagamento da droga foram xerocadas e autenticadas anteriormente, para que ficasse comprovado a venda de drogas. Ele confessou o tráfico e levou os policiais aos vários pontos onde havia escondido as drogas. O pai do acusado, Carlos Alberto Lopes, afirmou que sabia do envolvimento do seu filho com o tráfico e que o havia alertado do risco de ser preso.
Os policiais do Tático 4 apreenderam com o servente R$ 180,00 em espécie e um cheque valor de R$ 113,00, do Banespa. Enrolado a um cobertor onde o Lopes Júnior e os adolescentes A.S.B., 17 anos, e M.S.B., 13 anos, estavam sentados, no terreno baldio, os policiais encontraram um revólver Rossi, municiado com quatro projéteis calibre 22, possivelmente a mesma arma que aparece nas gravações em vÃdeo.
Segundo a polÃcia, o servente estava fazendo do comércio ilegal um meio de vida. Ele já teria adquirido 15 terrenos no Parque Viaduto e estaria ganhando entre R$ 4,5 e R$ 6 mil por mês com a atividade. Cada pedra de crack era vendida por R$ 10,00.
Lopes Júnior, que não tem antecedentes criminais, foi autuado em flagrante por tráfico de entorpecente, artigo 12 da Lei 2328/76. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Bauru. Os adolescentes detidos no local foram liberados mediante termo de compromisso. As demais pessoas que aparecem nas gravações deverão responder a processo.
Traficantes tinham "olheiros"
Os traficantes, segundo o tenente Jorge Duarte Miguel, do Tático 4, tinham vários "olheiros" (pessoas que os avisavam sobre qualquer aproximação da polÃcia). Por isso, mesmo sabendo que naquele ponto do Parque Viaduto ocorria tráfico, era muito difÃcil para a polÃcia flagrar os traficantes.
Atuavam como "olheiros", segundo a polÃcia, várias pessoas, incluindo menores, que se posicionavam nas esquinas e avisavam, através de assobios, a presença da polÃcia no bairro. Um mototaxista e uma pessoa numa perua Kombi também teriam sido contratados pelos traficantes para "patrulhar" a área, além de um usuário que, a cavalo, também estaria atuando como "olheiro". Esse usuário aparece na fita gravada pelos policiais comprado crack.
Para driblar os "olheiros" e filmar a venda de drogas no terreno baldio, os policiais precisaram até rastejar por cerca de 80 metros, para chegar bem perto do local. Conforme contou o tenente Jorge, dois ou três policiais, munidos de filmadora, por cerca de oito vezes, à noite, deslocaram-se da Base Centro até o Parque Viaduto a pé. Ao chegar perto do local rastejaram e esconderam-se num arbusto para filmar a venda de drogas.
Os policiais filmaram um grande número de pessoas, aparentemente de vários pontos da cidade, comprando crack no local. Segundo o tenente Jorge, através da filmagem, foram identificadas dezenas de placas de carros, que deverão ser investigadas pela PolÃcia Civil.
O tenente Jorge ressaltou que a polÃcia sabia, há bastante tempo, da grande ocorrência de tráfico no Parque Viaduto. Mas como os traficantes adotavam a estratégia de esconder a droga debaixo de pedras, buracos, arbustos e árvores, sempre que eram abordados pela polÃcia acabavam sendo liberados já que não havia flagrante. No dia seguinte, segundo o tenente, voltavam a atuar. Trabalharam na operação, além do tenente Jorge, o sargento Freitas e os soldados Vaz, Zorzetto, Luiz Carlos e Marcelo.