Geral

Abastecimento de água

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Quase metade da cidade pode ficar sem água

Quase metade de Bauru pode ficar sem água

Texto: Márcia Buzalaf

Toda a estrutura que mantém abastecida 43,26% de Bauru, ou aproximadamente 120 mil habitantes, a Estação de Tratamento de Água (ETA), está gravemente comprometida com rachaduras internas e externas causadas por infiltrações. As "trincas" despejam 120 litros de água por segundo, 24 horas por dia, sem parar. Alguns vazamentos se localizam próximos ao sistema elétrico, que pode desencadear a pane geral na única estação de tratamento de água de Bauru.

O problema pode estourar hoje mesmo ou daqui a algum tempo. Na opinião do diretor da Divisão de Planejamento do DAE, Sérgio Silva Macedo, o diretor da Divisão de Produção, Wilson Dionísio, e a diretora de serviços de esgoto, Giselda Rocha da Silva, a estrutura ainda se mantém porque flutua com a água. "O risco que a cidade está correndo é alto demais", afirmam, conscientes.

O problema vem desde a fundação do prédio, em 1970. O solo irregular da cidade acabou por comprometer a estrutura básica do prédio, que está visivelmente torto. O tempo foi passando e, hoje em dia, algumas janelas são feitas de madeirite porque, se colocar vidro, estoura. O problema até que foi detectado logo, mas a falta de recursos da autarquia impossibilitou reformas mais profundas.

Todo o prédio sofre com as rachaduras, e sofre ainda mais na chuva. O laboratório do ETA, que fica no último piso do prédio, é fortemente atingido pelas chuvas. Aparentemente, o terraço que cobre o piso superior não tem rachaduras tão profundas, se comparadas com as dos primeiros andares. "Mas, quando chove, a água escorre pelas rachaduras e o jeito é colocar baldes por todo o laboratório", explicam.

No piso inferior, a situação é pior. Na entrada do prédio, os vazamentos quase impossibilitam o caminho. As peças da galeria de filtros são tão antigas que impossibilitam uma troca eficiente. "Quando precisa trocar peça, a gente tem que mandar fazer a peça", conta Macedo.

A base da construção da ETA é composta por peças permanentes e de desgaste. As últimas é que mais sofreram com a infiltração. Como parte de toda a estrutura é composta por concreto e aço, a água facilmente infiltra no concreto e atinge o aço. O aço das peças está completamente oxidado.

A trinca atinge também um dos decantadores, uma das peças mais importantes do tratamento e o local onde a água começa a ser tratada. Dos 660 litros de água do Rio Batalha que entram na estação a cada segundo, 120 litros são perdidos depois do tratamento. "Isso depois de serem usadas as químicas todas para tratar a água", explica Silva.

Água viva

Apesar da estrutura comprometida do prédio, a água tratada na cidade continua sendo de primeira qualidade, garantem os diretores. "O bom é que não está comprometendo a qualidade da água que abastecemos", garante Dionísio. "Podemos parar de ter água, não parar de ter qualidade na água", afirma Macedo.

Quem entrar no laboratório de análise de água do ETA e não olhar para cima, pode nem perceber a fragilidade do prédio. Com várias máquinas que medem a pureza da água, o laboratório é usado até mesmo para verificar a qualidade de água de outras estações.

A tarifa de água cobrada em Bauru não absorve o custo destes materiais. De acordo com Dionísio, a tarifa paga aqui é a segunda menor do Brasil. Pelo tratamento de água e esgoto, o bauruense paga R$ 4,00, sendo R$ 2,50 pela água e R$ 1,50 pelo esgoto. Contabilizando a perda, a ETA perde, mensalmente, R$ 77,76 mil em água tratada.

Em série

Não há como solucionar problema por problema na ETA. A única solução apontada pelos diretores

é uma reforma completa. Seria refazer o alicerce de uma estrutura já feita, nas palavras de Macedo.

O custo de ser fazer uma reforma e manter o atendimento à quase metade da população é alto, e é o problema que a autarquia enfrenta. A estimativa dos diretores do local é de R$ 4,3 milhões para ter o problema totalmente solucionado.

As três alternativas apontadas pelo presidente do Departamento de Água e Esgoto de Bauru, Flávio Holanda Barrozo Uchôa, 43 anos, são: fazer a reforma, com recursos próprios, tentar sensibilizar os políticos ou buscar parcerias com a iniciativa privada.

Como a primeira opção é descartada pela falta de recursos para este fim, Uchôa apresentou um projeto para a reforma ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), em Brasília.

Sem resposta da segunda alternativa, Uchôa recorre para a terceira. A idéia seria fazer parceria com empresas da cidade para reformar a ETA e continuar abastecendo grande parte da cidade.

O pagamento aos parceiros dos custos da reforma seria feita através da própria tarifa cobrada pelo DAE. Uchôa conta que uma das estações de Jaú foi construída desta forma, na parceria.

Produção de água da ETA

1.256.040 metros cúbicos/mês = 1,256 bilhão de litros/mês = 43,26% de toda água distribuída em Bauru

Perda mensal de água tratada na ETA

120 litros/segundo = 432 mil litros/hora = 10,368 milhões de litros/dia = 311,04 milhões de litros/mês = R$ 80 mil/mês = 24,76% do total produzido pela ETA

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