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Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

Casos de Aids caem 81% no último ano

Casos de Aids caem 81% no último ano

Texto: Adriana Amorim

O número de casos de Aids registrados em Bauru estão chegando à estabilização, seguindo uma tendência constatada pelo Ministério da Saúde em todo o País. De acordo com o boletim epidemiológico referente ao período de novembro de 98 a fevereiro deste ano divulgado esta semana pelo Ministério da Saúde, Bauru possui 820 casos notificados, apenas cinco a mais que no trimestre anterior.

O maior número de casos foi registrado em Bauru em 95. A partir de 96, houve queda, acentuada nos últimos dois anos. Em 97, foram notificados 88 casos, enquanto no ano passado e este ano registrou-se 16 casos, uma diferença de 81%.

Com os novos dados, o coeficiente acumulado de incidência de Aids no Município - que mede a incidência da doença em cada grupo de 100.000 habitantes - está em 338,2, o que coloca Bauru no 16º lugar no ranking dos municípios com maior incidência divulgado pelo Ministério da Saúde. O índice verificado entre 98 e os primeiros meses deste ano é 5,7, mais baixo que no início da epidemia.

O médico infectologista Fernando Monti diz que a tendência de estabilização tem sido percebida recentemente, o que para ele é uma consequência natural da evolução da doença, o que ocorre também na maioria das patologias.

"Essa é a dinâmica da epidemia", afirma. Ele explica que a incidência chegou em um patamar máximo, onde a tendência é de estabilização e não de crescimento.

Monti acredita que, além do desempenho natural da doença, o aumento da prevenção contribuiu para a queda do número de casos. "Temos que reforçar, no entanto, que a estabilidade não significa queda e por isso não podemos ficar numa situação confortável diante disso", explica.

Mais mulheres

O boletim do Ministério da Saúde mostra mais uma vez que aumenta a incidência da doença nas mulheres, embora ainda haja a predominância de homens. No início da epidemia, na década de 80, a cada oito homens com o vírus HIV existia uma mulher. Essa relação atualmente é de três para um. "O 'estoque' dos grupos suscetíveis no início da epidemia, que eram os homossexuais, acabou. Com isso, a incidência maior mudou de faixa, atingindo os heterossexuais", explica o médico.

A coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis/ Aids (DST/Aids), Eliane Regina Catalano Monteiro, explica que esse novo perfil de contaminados está mudando a linha de atuação dos trabalhos desenvolvidos no Município. Para este ano, a Secretaria Municipal de Saúde pretende intensificar a orientação

às mulheres, principalmente no período pré-natal.

"Nós incentivamos o teste de Aids durante o pré-natal, uma vez que está disponível gratuitamente, mas muitas elas não seguem", explica.

A intenção é intensificar também as informações em escolas e tentar incentivar os adolescentes a ingressar mais tarde na vida sexual. Eliane diz que deve ser desenvolvido um trabalho de capacitação de promotores de saúde nas escolas públicas da cidade para que eles levam as informações para os estudantes, adaptando os dados à linguagem dos alunos. Serão distribuídos ainda gibis e cartilhas. Além disso, os profissionais da cidade passarão este ano a receber os boletins informativos do Ministério da Saúde para que se mantenham informados sobre o assunto.

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