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Motociclismo

Redação
| Tempo de leitura: 10 min

Os adoradores da máquina selvagem

Os adoradores da máquina selvagem

Na década de 40, os moradores de Daytona Beach, Flórida

(EUA) ficaram assustados com a chegada de centenas de rapazes vestidos com

suas estranhas jaquetas de couro, coletes e botas extravagantes, acelerando suas barulhentas máquinas. No começo, eles pensaram que se tratava de uma invasão de "foras-da-lei", mas logo perceberam que era apenas um saudável encontro de entusiastas e apaixonados pelas motocicletas Harley Davidson. Aquela reunião foi o começo de uma curtição que se espalhou por todo o mundo.

Se em Daytona Beach a novidade foi bem assimilada, em Hollster, na Califórnia, a situação ganhou contornos mais complicados por conta da invasão de uma horda de quatro mil motoqueiros, os Booze Fighters, que acabaram com o estoque de bebidas da cidade, usaram e abusaram da poluição sonora e deram muito trabalho à polícia, na mesma

época.

Mas no fim tudo acabou bem, exatamente como nos filmes estrelados por Clark Gable, Roy Rogers, Elvis Presley e tantos outros astros que ajudaram a difundir o culto pela "moto que nasceu para ser selvagem" - e que hoje tem o durão Arnold Schwarzenegger entre seus

maiores adoradores.

Embalados ao som do blues e rock n' roll, os encontros de motos têm

a intenção de manter em evidência a marca Harley Davidson, além de

ampliar a amizade entre seus proprietários e admiradores. Adeptos de ideais e hábitos como liberdade, companheirismo e espírito de aventura, também participam de diversas gincanas, entre elas a tradicional prova da marcha lenta ou rodeio na qual vence quem conseguir rodar o mais devagar possível com a moto ligada, sem colocar o pé no chão. Em outra prova, vale colocar o pé no chão, mas o piloto tem que provar sua habilidade para empurrar com o pneu da frente um barril de chope por mais de 150 metros.

A malícia também está presente nas gincanas dos "harleiros". Em uma delas, a garota ocupante da garupa da moto deve pegar com a boca uma salsicha pendurada por um fio em um galho de uma árvore. Outra brincadeira, conhecida por "batata no feno" acontece quando as motos rondam em torno de um monte de feno recheado de batatas, e a cada parada a garota da garupa desce e apanha algumas batatas. Perde a dupla que não conseguir recolher batata alguma. Há também disputas de braço-de- ferro, tanto entre os homens como entre as mulheres.

Nos Estados Unidos, durante a semana de realização do encontro Daytona Biketoberfest, além de shows, festivais gastronÃmicos e concursos exóticos como o de arrotos, biquínis e tatuagem, também é tradicional o festival de luta livre em um ringue recheado de

repolhos.

Considerada uma das mais famosas e tradicionais marcas de motos do mundo, a Harley Davidson é conhecida pela maneira quase artesanal com que produz suas motocicletas: "Uma por uma, com igual cuidado". A filosofia da empresa era voltada para a durabilidade do produto e não para altos desempenhos. O modelo mais comum, adotado com padrão pela empresa norte-americana,

é o de 1.200 cilindradas. Apesar da potência do motor os modelos novos fazem até 180 quilÃmetros por hora, sendo que os mais antigos não passavam de 100 quilÃmetros.

No Brasil

Segundo estimativas de admiradores, o Brasil tem cerca de mil e quinhentas motos Harley Davidson. A pouca quantidade é um dos fascínios que envolvem essa máquina, vista como símbolo de rebeldia e liberdade das Américas. Existem mais de 30 modelos da lendária motocicleta. Os preços variam entre 15 a 50 mil dólares.

O comerciante e fundador do motoclube Brazilian Bikers de Jundiaí

(SP) Adílson Roberto da Costa, 33 anos, é apaixonado por motos desde criança, quando sua bicicleta já era incrementada com franjas, guidão e manoplas extravagantes, numa tentativa de imitar o modelo americano. Hoje, ele tem uma Indian 1951, avaliada em 12 mil reais.

Quase todo final de semana Adílson participa dos encontros realizados em diversos lugares do País e trabalha há seis anos como expositor, vendendo camisetas, botas, fivelas, luvas e outros acessórios. Segundo Adílson, uma das preocupações dos fanáticos pela

motocicleta e pelo estilo "estradeiro" ou "easy rider" é o visual. "Quanto mais acessórios, seja na moto ou na maneira de se vestir, melhor", comenta.

Sem destino

Sair em grupo sem destino e curtir a paisagem das estradas sobre uma moto, é uma das características dos motoclubes, marcados pelo companheirismo e pelo espírito de aventura.

"Não há como descrever a

sensação de guiar essas motos. É incrível!". O motoclube Brazilian Bikers está começando com 12 membros que, segundo seu fundador, são como irmãos.

Para participar, assim como em alguns motoclubes, é preciso passar por um teste que dura um ano. Durante esse período, o interessado tem de provar que é um cidadão de bem, sem antecedentes criminais e adorador do estilo moto-estrada ou Harley.

A consagração da Harley Davidson, assim como sua

"antipatia" junto à sociedade, se fortaleceu com o filme "Easy Rider" (Sem Destino), dirigido por Dennis Hopper em 1969. O ator Peter Fonda, a bordo de um modelo Chopper, evidenciou tanto a resistência da moto como a rebeldia de seu personagem.

A Harley Davidson proporciona a sensação de liberdade para aficionados e entusiastas do mito, conquistando até os dias de hoje, milhares de motociclistas de todas as parte do mundo.

O maior encontro

Em março de 1998, cerca de 500 mil ciclistas e motociclistas de várias partes do mundo compareceram ao "Bike Week", em Daytona Beach, Flórida, EUA. Esse evento de dez dias, realizado nos últimos 57 anos a cada inverno,, tem atraído imitadores através dos Estados Unidos, onde são realizados encontros de motociclismo quase todo final de semana em algum lugar.

Juntamente com o encontro, são realizadas no Daytona International Speedway a Daytona 200 a corrida de moto de maior prestígio nos Estados Unidos e a Daytona Supercross. Na década de 40, quando os primeiros grupos começaram a se reunir em Daytona, o cenário era bem mais "selvagem", tendência que se manteve até a década de 80. Os moradores locais dizem que o evento passou de um encontro de foras-da-lei para um organizado carnaval com desfiles e possibilidades de testar os últimos modelos.

Uma idéia na cabeça e duas rodas no chão

A história da Harley Davidson começou em 1901, na cidade de Milwaukee/EUA, com uma idéia dos amigos de infância William S. Harley, então com 21 anos e Arthur Davidson, com 20 anos. Eles trabalhavam para a mesma firma de automotivos manufaturados - William, como desenhista de esboços e Arthur, como criador de padrões. Assim, como os pioneiros dos automóveis, eles eram desenhistas por hobby e tinham seus próprios projetos.

O ano de 1903 foi marcado por grandes revoluções no mundo dos transportes, como a invenção do motor de combustão interna e o início da produção da motocicleta idealizada por William e Arthur. Por coincidência, naquele mesmo ano, outros pioneiros se destacaram,

entre eles Henry Ford e seu revolucionário automóvel Modelo "T", enquanto o brasileiro Alberto Santos Dumont, em Paris, e os irmãos Wright, nos EUA, inventaram quase juntos o avião.

A primeira fábrica foi montada no quintal da casa de Davidson em Milwaukee, Winconsin, num pequeno barracão de madeira, com 3,3 X 4,95 metros. A pintura do nome "Harley Davidson Motor Co.", na porta, marcou o nascimento da lenda. Ainda em 1903, foram produzidas as três primeiras unidades do modelo Milestone. Aos dois sócios, juntaram-se Walter e William, os irmãos mais velhos de Artur.

A produção em 1907 já era de 150 motos por ano, do novo modelo Silent Grey Fellow (silenciosa, cinza e camarada), assim chamada devido às suas características, como facilidade de operação, motor silencioso e a cor cinza, adotada pela Harley Davidson no início.

Esse modelo tornou-se popular, com motor de um cilindro e 163 cc. Em 1908, o motor foi ampliado para 570 cc, sendo capaz de fornecer 4 cv e levar a moto a uma velocidade máxima de 70 km/h. Em 1909, a Harley Davidson lançaria o primeiro motor de dois cilindros em "V", inclinados a 45º com 994 cc e 7 cv, que podia levar a Silent Grey Fellow, versão Twin, a 100 km/h. Essa arquitetura básica de motor em V iria tornar-se a "marca registrada" da fábrica americana até hoje.

A filosofia da empresa Harley Davidson era voltada para a durabilidade do produto e não para altos desempenhos. Novas versões mais potentes dos motores monocilíndricos integraram as linhas de produção, assim como modelos especiais de motos, adaptadas com grandes baús para transporte, que acabaram muito populares pela versatilidade, usadas para entregas a domicílio.

Na guerra

Em 1917, quando os EUA entraram na Primeira Grande Guerra Mundial, as Harley com motor em "V" de 994 cc, chamado popularmente Knucke-head - cabeça de nó foram junto. Neste período foi criada a Harley Service School, escola especializada em dar treinamento aos militares usuários de Harley, que existe até hoje, bem como a revista "Enthusiast", criada para mandar "notícias de casa" aos soldados-motociclistas que estavam nos campos de batalha.

A década de 50 marcou uma grande expansão do mercado e a de 60, o final de concorrentes acirrados na Europa e mesmo na América, deixando a Harley Davidson como líder na produção americana de motos. Os anos 70 e 80 foram marcados por crises, entre elas o avanço das marcas japonesas no mercado americano. Mas a Harley Davidson conseguiu sobreviver, graças à ajuda do governo americano.

Em 1986, foi lançada a nova e moderna linhagem de motores Evolution, que agora contam até com injeção eletrÃnica. Os anos 90 foram marcados pela "redescoberta" da Harley, que até hoje tem sua produção em ritmo de crescimento.

Números

O Harley Davidson Owners Group (HOG), criado em 1983 com o objetivo de unir os proprietários da marca em todo o mundo, é considerado o maior grupo de entusiastas de motocicleta patrocinado por uma empresa. Tem mais de 400 mil membros em cerca de mil filiais no mundo todo, de acordo com o Guinness 1999 O Livro dos Recordes.

* Em 1913, a Harley Davidson foi anunciada como a primeira motocicleta a cobrir mais de 100.000 milhas, e continuar funcionando com suas peças originais.

* Em 29 de junho de 1908, a Harley Davidson participou de sua primeira competição, o enduro New York's Catskill Mountains, com o próprio Walter Davidson correndo com a

única Harley da prova. Entre 61 corredores, Walter foi o campeão.

* A Harley Davidson comemorou seu aniversário de 75 anos com uma

viagem gigante, cruzando o país, em 1978.

* Em 22 de fevereiro de 1921, a Harley foi a primeira moto a ganhar uma corrida com a velocidade de 100 milhas por hora.

* O sucesso nas estradas era tão grande quanto nas pistas. Além de contar com excelentes máquinas, a Harley Davidson também tinha pilotos de primeira linha, com Walter Villa, Corky Keener, Randy Goss e Jay Springsteen, que ganhou campeonatos de 1976, 77 e 78, além de quebrar vários recordes.

* Em 1948, a Harley ganhou 19 dos 23 campeonatos nacionais.

* Durante a Segunda Guerra, o governo norte-americano convocou suas duas maiores fábricas de motocicletas, Harley e Indian, para suprir as forças aliadas com motos, já que os nazistas haviam destruído as fábricas inglesas. Imediatamente após o ataque a Pearl Harbor, toda a produção da Harley Davidson voltou-se para o governo. Até o fim da guerra, aproximadamente 90.000 motos haviam sido construídas e despachadas para a Europa e peças para construção de outras 30.000 sobraram nos EUA. Isto gerou para a companhia o prêmio de excelente produção em tempos de guerra. (E.B./AE)

Fonte: História da Harley Davidson/http:www.harleydavidson-brasil.com.br

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