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Mercado de trabalho

Luciano Augusto
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Emprego na construção está estagnado

Emprego na construção está estagnado

Texto: Luciano Augusto

O setor da construção civil, historicamente, sempre foi um dos que mais empregavam mão-de-obra no País. Entretanto, com a crise econômica, o setor amarga um período de estagnação, que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru e região, Cláudio da Silva Gomes, 37 anos, classificou como "queda estabilizada".

Na base do sindicato, que engloba aproximadamente 10 mil trabalhadores ativos, Silva revela que o número de homologações de demissões caiu nestes cinco primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a maio do ano passado foram registradas pelo sindicato 415 trabalhadores demitidos. Neste ano, no mesmo período, o número de demitidos é de 304. Percentualmente, a estatística é 26,74% menor do que 98. No nível de emprego, houve uma ligeira queda, que ficou entre 5% e 10%.

Para o sindicalista, o que falta para o setor é o Governo viabilizar mais rapidamente medidas que poderiam alavancar o setor novamente, incentivando o desenvolvimento na construção civil e, consequentemente, gerar empregos.

"O Governo, quando quer fazer um estímulo com seriedade para desenvolver o setor da construção civil, ele investe em infra-estrutura para poder gerar empregos e isso o Governo não vem fazendo", aponta o sindicalista. Seria, segundo sua explicação, a aplicação direta no setor, com investimentos em obras públicas.

Um outro ponto destacado por Gomes, diz respeito às taxas de juros. "Se as taxas de juros estão elevadas, o nível de emprego na construção acaba tendo uma redução". Com as quedas sucessivas dos juros praticados pelo Governo (atualmente a taxa está em 21,93% ao ano), o setor é reativado e as construções retomadas. Como as taxas brasileiras estão tendo quedas sucessivas, o representante sindical dos trabalhadores na construção acredita que a tendência é este juros estacionar num patamar mais baixo e impulsionar o setor, além de outros segmentos.

Seguindo pelas medidas governamentais, Gomes analisa que se o Governo desburocratizasse a liberação de empréstimos para as micro e pequenas empresas, o setor também voltaria a crescer e a empregar. Otimizar a arrecadação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também seria uma forma de ampliar a base de recursos destinados ao setor imobiliário.

Mesmo sem os investimentos em obras públicas, o líder sindical analisa que, com estas outras medidas, o Governo conseguiria, pelo menos indiretamente, estimular obras através da iniciativa privada.

A classificação de Gomes dizendo que há uma queda estabilizada faz sentido porque, segundo a Comissão da Indústria da Comissão da Indústria da Construção (CIC), o setor irá fechar, até o final deste primeiro semestre, perto 360 mil postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. De acordo com a comissão, o Construbusiness, que controla toda a cadeia produtiva da construção, já demitiu cerca de 60 mil trabalhadores diretos só nos quatro primeiros meses deste ano, correspondendo a 230 mil trabalhadores que foram também atingidos indiretamente.

Embora Gomes aceite que o setor está demitindo, ele contraria a estatística dizendo que essa previsão é catastrófica. "Na prática, vem ocorrendo uma redução, mas não é num nível tão elevado assim", complementa.

José Regino Júnior, 48 anos, diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), confirmou que até abril houve uma grande retração nos níveis de emprego na construção. Já a partir daquele mês, a tendência de fechamento de postos de trabalho perdeu força e alguns segmentos apresentaram melhoras, inclusive até com contratações.

Regino Júnior também criticou a falta de investimento governamental em obras públicas, a falta de financiamento para o setor e a alta de juros, "que inviabiliza os novos investimentos".

Seminário na Fiesp

Durante o 3.º Seminário da Indústria Brasileira da Construção (Construbusiness'99), realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, no dia 7 de junho, o empresariado paulista lançou o pedido para a adoção de políticas governamentais que incentivem os investimentos nos setores da habitação e de infra-estrutura, como forma de diminuir os fortes índices de desemprego no País.

Pelo levantamento feito pela empresa de consultoria Trevisan Associados, que abrange fornecedores de matéria-prima, construção civil e pesada, indústria de materiais, serviços e bens de capital, o Construbusiness responde por 14,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que é equivalente a R$ 128 bilhões. Além disso, o Construbusiness emprega mais de 13 milhões de trabalhadores, entre diretos, indiretos e induzidos e responde por 2/3 do investimento bruto (R$ 90 bilhões) por ano.

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