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Produtores rurais

Paulo Toledo
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Produtores reclamam contra inchaço do Conselho Regional Agrícola

Produtores reclamam contra inchaço do Conselho Regional Agrícola

Texto: Paulo Toledo

A Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento quebrou o canal que os produtores rurais e representantes do agrobusiness tinham com o Governo do Estado: reformulou e inchou os Conselhos Regionais Agrícola (CRAs). A avaliação é de Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e do Conselho Regional Agrícola (CRA). "Se tínhamos um canal com o governo, agora vai isolar de uma vez", afirma. Para ele, a mudança causou um retrocesso de 20 anos nas relações e prevê que esse novo modelo de conselho não vai funcionar, em razão de seu inchaço e pela ocupação das pessoas que devem ser seus membros, entre os quais prefeitos e vereadores. "A comissão deixou de ser participativa", afirmou.

Lima Verde disse que o secretário João Carlos Meireles procedeu a mudança sem consultar ninguém e, com isso, desarticulou uma estrutura que vinha sendo montada há dois anos e proporcionando resultados positivos.

O vice-presidente da Faesp disse que, na região de Bauru, o conselho agregava 15 municípios e vinha funcionando muito bem, com reuniões entre produtores rurais e pessoas ligadas ao agribusiness, mensalmente.

Lima Verde lembra que os 40 CRAs, em todo o Estado, foram criados pelo ex-secretário de Agricultura e Abastecimento, Francisco Graziano, hoje deputado federal pelo PSDB, há dois anos. Porém, o Meireles extinguiu os antigos conselhos e instituiu novos, mais amplos, mas que na visão de Lima Verde foram concebidos para não funcionar, em razão do perfil. Entre os novos membro estão: prefeitos, vereadores, presidentes de sindicatos de trabalhadores rurais, presidentes de conselhos municipais agrícolas, presidentes de cooperativas, reitores de universidades, presidentes de associações comerciais, entre outros. "Não sei por que motivo, ele (Meireles) está tirando tudo o que o Graziano fez, o bom e o ruim", afirmou.

Para o vice-presidente da Faesp, a nova formação de cada conselho regional deve ter cerca de 60 pessoas, que deverão se reunir a cada quatro meses. Ele diz que esse tipo de órgão

é concebido para não funcionar, como ocorria no passado. "É tanta gente que fica sem condições. Tudo o que foi bom do outro conselho, que tinha assiduidade e interesse, acabou", afirmou.

Lima Verde diz que o CRA de Bauru estava com um projeto sobre embalagem de agrotóxicos bem adiantado e houve a necessidade de ser paralisado, em razão da desmobilização. Para ele, a Secretaria da Agricultura determinou uma volta a um passado ruim e ineficiente. As mudanças vieram por meio do Sistema Estadual Integrado de Agricultura e Abastecimento.

"É um retrocesso. Me lembro disso há 20 anos, quando tinha outro conselho agrícola que não funcionava em razão disso. Quando o Graziano começou, fui um dos que mais criticou em razão dessa experiência ruim do passado. Felizmente, deu resultado, mas, agora, tem esse retrocesso enorme. Fez para não funcionar", afirmou.

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