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Fuga de presos

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 5 min

37 presos fogem da PII e oito são recapturados

37 presos fogem da PII oito são recapturados

Texto: Adriana Amorim

Trinta e sete presos fugiram ontem no final da tarde da Penitenciária 2, na primeira fuga em massa do presídio. Eles aproveitaram o atraso no fornecimento da refeição noturna e cortaram os alambrados. Até o fechamento desta edição, oito haviam sido recapturados.

Segundo informações prestadas pela Polícia Militar, a fuga aconteceu por volta das 18 horas, logo após o fornecimento da alimentação noturna. A informação transmitida pela diretoria através da Polícia é de que provavelmente houve atraso proposital na entrega da comida. Enquanto o jantar não é fornecido, os presos ficam soltos no pátio.

Ontem, parte dos presos entrou nas celas depois de receber a comida, inclusive naquela onde havia uma grade cerrada. A intenção de funcionários da Penitenciária era de recolher os detentos e descobrir qual deles teria cerrado a grade. Enquanto, alguns foram presos, outros fugiram.

Conseguiram escapar 16 presos do raio 1, cinco do raio 2 e 16 do raio 3. Eles cortaram o alambrado que fica mais próximo dos raios, pularam um segundo alambrado e chegaram ao terceiro, que dá acesso à área externa da Penitenciária, próximo ao transformador. No lado de fora, a Polícia encontrou alicates que foram utilizados para cortar os arames.

Segundo o comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar, que faz o patrulhamento nas penitenciárias, capitão Reginaldo Braga, policiais de duas torres externas chegaram a atirar. Um deles conseguiu evitar a fuga de oito presos e outro PM recapturou três, todos ainda nas imediações do alambrado.

Como houve disparos, a Polícia acredita que alguns detentos podem ter ficado feridos, hipótese que não foi confirmada. Há suspeitas de que os fugitivos estivessem portando armas de fogo, principalmente porque a última grande revista efetuada na P2 foi em novembro do ano passado. Na ocasião, foram apreendidos mais de 600 estiletes e uma arma de fogo.

Os fugitivos se separaram em várias direções e entraram no mato. Trinta e cinco policiais e nove viaturas foram acionados para efetuar buscas. PMs que estavam com turno cumprido e pertenciam à parte administrativa das companhias também foram acionados. O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1ª Companhia da PM, disse que a operação teria continuidade durante toda a noite e que hoje pela manhã voltaria a ser efetuada.

Todas as informações foram prestadas pela Polícia Militar, que só recebeu os dados completos cerca de 2 horas depois da fuga. Antes disso, a direção da Penitenciária não prestou esclarecimentos, afirmando não ter informações suficientes.

Alambrados antigos facilitam as fugas

Um dos motivos que facilitam as fugas da Penitenciária 2 são os alambrados, instalados há 8 anos. Para o comandante da 4ª Companhia de Trânsito, o capitão Reginaldo Braga, os alambrados estão precários e deveriam ser substituídos por muralhas.

Braga diz que a P2 é um presídio considerado de segurança média e por isso tem alambrados. No entanto, a penitenciária recebe detentos de alta periculosidade, tendo uma população que pode classificar o presídio como de segurança máxima. Por isso, ele defende a construção de muralhas, que têm cerca de 7 metros de altura.

Técnicos da Secretaria da Administração Penitenciária estiveram na cidade para analisar os presídios, mas até agora nenhuma informação sobre a possibilidade de substituição dos alambrados foi divulgada. A estimativa

é de que a construção de muralhas envolvam R$ 1,8 milhão, enquanto a troca dos alambrados exija R$ 800 mil. Embora os valores sejam bem diferentes, o capitão Reginaldo Braga frisa que os muros têm uma durabilidade muito maior que os alambrados.(AA)

Funcionário diz que P2 é mal administrada

Um funcionário da Penitenciária 2 que preferiu não se identificar afirmou que as frequentes fugas no presídio acontecem pela falta de comando da direção do local. Ele diz que a P2 é dominada pelo Primeiro Comando da Capital

(PCC), facção que chega a recusar integrantes de outros grupos.

"Essa diretoria é incompetente", afirma o funcionário. Ele trabalha há vários anos na P2 e diz que as administrações anteriores eram mais rígidas. "Atualmente nós estamos de mãos atadas", afirma. Segundo ele, muitos funcionários que não se enquadram nos esquemas que permitem a entrada de armas, drogas e telefones celulares são frequentemente ameaçados de morte.

O funcionário afirma que a direção da P2 aceita reivindicações do PCC e não impõe normas rígidas. No presídio, por exemplo, os detentos escolhem as celas nas quais passam querem ficar, uma vez que não obrigados a permanecer sempre na mesma cela. Segundo ele, um dos presos responsáveis pelo atraso no fornecimento da refeição de ontem é membro do PCC.

Policiais militares que trabalham na segurança do presídio também reclamam da insegurança no local. Eles dizem que a maneira como a penitenciária vem sendo administrada faz com que eles sejam vítimas em potencial. Através de ligações telefônicas, eles disseram ao JC que também estão de mãos atadas e com dúvidas da conduta que devem adotar em ocasiões de fuga. Ao mesmo tempo em que são orientados a evitar as fugas, não podem atirar pelas costas dos detentos, ficando em uma situação complicada. (AA)

Morador deve suspeitar e pessoas estranhas

A Polícia Militar orienta a população a suspeitar de pessoas estranhas nos próximos dias para evitar problemas com os fugitivos e contribuir para a captura. "Como grande parte deles não é da cidade, fica mais fácil suspeitar", completa o tenente João Costa Duarte.

Ele instrui os moradores a suspeitar de pessoas que habitualmente não frequentam o bairro onde residem. "Aquilo que fugir à rotina da região onde a pessoa mora deve ser avisado à Polícia", ressalta.

Sem dinheiro, eles podem pedir contribuição. A orientação

é para que em caso de dúvidas ou se for constada a presença de armas, a pessoa entregue o dinheiro sem reagir. Segundo o tenente, os detentos têm uniforme. Usam calças beges e camisetas brancas, mas provavelmente não devem estar trajando essas roupas para não levantar suspeitas. Qualquer suspeita deve comunicada à PM pelo telefone 190.

(AA)

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