Reajuste na energia onera custo das empresas, diz economista
Reajuste na energia onera custo das empresas, diz economista
Texto: Márcia Buzalaf
O reajuste da energia elétrica em 8,72% da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) deve aumentar significativamente os custos de todas as empresas, principalmente se forem computados os índices que permitiram o reajuste dos combustíveis desde o início do ano e a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF), a partir da próxima quinta-feira, de acordo com o economista e professor universitário, Wagner Aparecido Ismanhoto, economista e professor-chefe do Departamento de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), 35 anos.
O reajuste deve ser aplicado em três parcelas: a primeira, de 5,04%, desde o dia 10; a segunda, em 8 de julho, de 1,80%; e a terceira, em 7 de agosto, de 1,89%. A justificativa do reajuste
é o custo adicional decorrente da elevação do dólar em janeiro, da tarifa de suprimento da Cesp (energia comprada para revenda), entre outras.
Mesmo com o parcelamento, todas as empresas devem sofrer com o reajuste um grande dilema: repassar ou não o aumento para os produtos? Na opinião de Ismanhoto, o peso do reajuste deve ser diferente de acordo com a empresa, mas o caminho que elas devem seguir pode ser similar.
Se tiver uma certa segurança no mercado, a empresa tende a repassar o reajuste, na opinião do economista. Segundo ele, o tipo de empresa que não deve aumentar o preço dos produtos em decorrência do reajuste na energia elétrica são as que sofrem muita concorrência ou as que têm os importados como concorrentes.
Ismanhoto critica a posição não das distribuidoras de energia elétrica, mas, sim, o Governo Federal. Segundo ele, o mesmo governo que lança programas de incentivo à geração de empregos vem aumentando significativamente o custo de produção. "Combustíveis, energia... Tudo isso é custo produtivo, que cai em uma cadeia de produção. Baixar os juros somente não
é o único caminho", acrescenta Ismanhoto. Para ele, aumentar custos em época de baixíssima demanda
- que está inclusive gerando uma deflação mensal no País - é extremamente prejudicial para as empresas.
No anúncio do reajuste, a CPFL fez questão de afirmar que o reajuste tarifário não aumentará o lucro da empresa, garantindo que estes recursos serão integralmente repassados aos órgãos do setor elétrico.
Na opinião do economista, o reajuste é justificável se for considerado que o aumento vem para minimizar o problema orçamentário do governo. Mesmo assim, Ismanhoto questiona: "Até quando a má administração pública vai ser financiada pelo mercado?".
A perspectiva positiva da economia para o segundo semestre fica significativamente abalada com a série de reajustes que estão sendo aplicados partindo do Governo, na opinião de Ismanhoto. "Pelo que estou andando e conversando com pessoas do setor, não há nada de concreto que nos faça acreditar que teremos um quadro melhor ainda este ano", completa.