Estragos continuam gerando críticas a Nilson
Estragos continuam gerando críticas a Nilson
Texto: Josefa Cunha
A administração Nilson Costa foi alvo de consecutivas críticas e cobranças na sessão da Câmara de anteontem. O motivo continua sendo a demora na recuperação dos estragos generalizados que as chuvas provocaram na cidade, principalmente na zona periférica. O secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, que esteve na sessão para acompanhar a votação do projeto de extinção do Fundo de Habitação dos Municipiários (FHM), disse que os reparos estão ocorrendo dentro do cronograma, embora tenha admitido atraso de um mês nos serviços de tapa-buracos.
O prefeito foi acusado de estar distante e de não se interessar pelos problemas da periferia, "que estaria clamando o socorro da Prefeitura", segundo o vereador pepebista Rino Biagio. Outro que criticou Nilson foi Salvador Afonso (PDT), que, ao cobrar ações para a recuperação de uma ponte no Jardim Godoy, ofereceu seu carro para levar o prefeito até a periferia. "Deve ser por falta de carro que ele não vai até os problemas, mas eu me disponho a levar ele (sic)", comprometeu-se. A ironia do pedetista fez Edmundo Albuquerque
(PSDB) sair em defesa da Prefeitura. "O vereador Salvador conhece bem o telefone da Prefeitura e teve oportunidade de levar suas cobranças em outras ocasiões, já que conversa sobre outros assuntos no Palácio", bicou o tucano.
João Parreira de Miranda foi mais além, acusando a administração de não priorizar a recuperação da cidade. Segundo ele, o governo municipal mantém preenchidos todos os cargos de confiança, "sem falar na Emdurb e no DAE, que continuam com os quadros lotados". "Estou até enviando requerimento para checar quanto a Prefeitura repassa à Emdurb. Acho um absurdo que ainda existam mais de funcionários lá. Temos também o caso das Administrações Regionais, que estão cheias de agentes comunitários. O Nilson só substituiu, não promoveu cortes. É por isso que eu digo que a prioridade não está na recuperação", atacou, cogitando, inclusive, apresentar proposta para a extinção da Sear. "No tempo do Tidei, não existia Sear, era apenas coordenadoria. Por que não enxugar a máquina se o município precisa de dinheiro?", lançou.
Mesmo que não movido pelas cobranças, o prefeito Nilson Costa, coincidentemente, esteve ontem de manhã acompanhando visita de secretários à Regional do São Geraldo, por onde teria andado e conversado com moradores.
A Prefeitura não se manifestou sobre as críticas recebidas, mas Leandro Joaquim encumbiu-se, antecipadamente, de defender as ações da administração contra os estragos que transtornam a cidade. "Há meses dissemos que se tratava de um processo demorado e trabalhoso e creio que não estão acompanhando nossas ações como deveriam. As providências estão sendo tomadas sim", garantiu.
Segundo o secretário, a avenida Elias Miguel Maluf deverá ter seu tráfego liberado até o final da semana, embora a continuidade das chuvas possam atrasar esse prazo. O local apresentava uma erosão imensa, na qual seriam necessários 12 mil caminhões de terra. A Prefeitura já colocou três mil caminhões, quantidade que permitirá, de acordo com Joaquim, o fluxo de veículos. Na rua Mara Lúcia, outra localidade afetada por erosões, o tráfego já estaria liberado.
Na problemática avenida Comendador José da Silva Martha, a Prefeitura calcula que pelo menos 300 metros de galerias pluviais de grande porte já tenham sido implantadas. A proposta da Secretaria de Obras é recuperar definitivamente o local através da colocação de tubos maiores
- 1,5 metros de diâmetros. A previsão é que a conclusão da obra consuma mais três meses de trabalho. A avenida Cruzeiro do Sul, cuja ponte de acesso ao Redentor está rompida há meses, começaria a ser recuperada nesta
última segunda-feira. As chuvas, entretanto, teriam atrapalhado o início do assentamento dos tubos de vazão d'água. Com o atraso, Leandro Joaquim estima que a ponte só esteja em condições de tráfego daqui a três semanas.
Já com relação aos serviços de tapa-buracos, Joaquim reconheceu que os consertos poderiam estar bem mais adiantados. Por falta de pagamento, o fornecedor de massa asfáltica suspendeu o envio do produto e a Prefeitura ficou cerca de 30 dias sem realizar qualquer reparo. Leandro Joaquim disse que a Secretaria de Finanças, numa atitude até contrária
às suas idéias, resolveu priorizar o pagamento dos servidores municipais, deixando o "tapa-buracos" para um segundo momento. Os R$ 33 mil devidos ao fornecedor teriam sido pagos anteontem e, a partir de julho, o trabalho deverá ser realizado em parceria com o DAE a fim de reduzir as despesas da Prefeitura.