Entidades inciam hoje jornada de protestos contra o governo FHC
Entidades iniciam hoje jornada de protestos contra o governo FHC
Texto: Josefa Cunha
Representantes de partidos de esquerda, sindicatos e entidades estudantis abrem hoje, a partir das 10h30, na Praça Rui Barbosa, uma jornada de protestos contra a política administrativa do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A iniciativa partiu da militância jovem do PMDB e acabou agregando militantes da União da Juventude Socialista de Bauru, PC do B, PSB, União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Bauru (Umesb), Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, PT do B e do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito de Bauru.
O manifesto, que convoca a participação de "todos os contrários ao governo e favoráveis à recuperação da soberania nacional", pretende "desanestesiar" a população e cobrá-la de suas responsabilidades. Durante o ato, a militância estará relembrando a sucessão de escândalos envolvendo a equipe de FHC
- e o próprio presidente, no caso do grampo - e denunciando o desmonte do patrimônio público através das privatizações.
Os organizadores do movimento não receiam que o protesto acabe sendo mais uma tentativa frustrada de tirar o povo da apatia política. Ao contrário, crêem que o momento
é propício para o repúdio, principalmente em virtude do descontentamento geral - comprovado em pesquisas e nas ruas - e da própria desarticulação da base governista. "Nem eles estão se entendendo mais e achamos que esta é a hora de iniciarmos um movimento para derrubar FHC e chamar novas eleições", prega Alex Gasparini, secretário-geral da Juventude do PMDB de São Paulo.
Para os manifestantes, o modo mais eficaz de passar o recado à população é transferir responsabilidades a ela própria, retomando a velha tônica de que "quem elege também pode derrubar". "O povo está anestesiado, mas descontente com a situação, pior cada vez mais. É preciso que haja um pontapé para acordar as pessoas, para mostrar a elas que existem alternativas. Nós pretendemos trabalhar com a politização, porque acreditamos que só assim os resultados virão", avalia a União da Juventude Socialista de Bauru.
O movimento bauruense espera que o repúdio aos desmandos governamentais ganhe amplitude como os aqueles que derrubaram Fernando Collor, em 1992. Na opinião de Alex Gasparini, aliás, o ex-presidente do PRN foi retirado do cargo "por muito menos", referindo-se às mazelas que julga estarem sendo cometidas pelo atual chefe do Executivo Federal.
Segundo os participantes do movimento bauruense, os atos de protesto contra a política neoliberal de Fernando Henrique já
"pipocam" em várias partes do país. "O que precisamos é canalizar esse sentimento de repúdio em ações práticas. Precisamos aglutinar e extravasar", defendem os organizadores.
Apesar do predomínio jovem, o manifesto, provisoriamente denominado "fora FHC" - a espontaneidade acabou desviando preocupação com títulos -, conta com representantes cronologicamente mais experientes. O advogado Carlos Sandrin, por exemplo, militante de décadas na política local, integra o grupo, através do PT do B. "Precisamos nos mobilizar, porque o Fernando Henrique comprou e continua comprando a consciência dos líderes políticos. Os legisladores se irmanaram a ele e não abrem mais discussões", agravou o mais anoso componente do grupo.