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Pequenas empresas

Paulo Toledo
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Faturamento das pequenas empresas caiu 5,4%

Faturamento das pequenas empresas caiu 5,4%

Texto: Paulo Toledo

O faturamento médio das micro e pequenas empresas paulistas sofreu uma queda de 5,4%, em abril, em relação ao mês anterior. Na comparação com abril de 98 a redução foi ainda maior: 10%. Os dados são da Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado

(Pecompe), realizada mensalmente pelo Sebrae-SP, em conjunto com a Fundação Seade, junto a 2 mil empresas, inclusive da região de Bauru.

De acordo com o estudo, o desempenho negativo registrado em abril foi liderado pelas empresas do setor de serviços, que apresentaram uma redução no faturamento de 13,2%, com relação ao mês anterior. As pequenas empresas industriais apresentaram uma redução de 12,9% e as do comércio uma queda de 1,1%. No acumulado do ano, o resultado do faturamento das Micro e Pequenas Empresas (MPE's) apresenta uma redução de 12,1% quando comparado com os quatro primeiros meses do ano anterior.

Paulo Roberto Tebaldi, gerente da agência de Bauru do Sebrae, afirma que mediante os índices de queda de faturamento apresentado pela pesquisa é possível verificar que as MPEs têm sofrido com a demanda fraca - devido ao aumento de desemprego, ao aumento dos juros e conseqüentemente a queda no poder

aquisitivo e aumento nos preços.

De acordo com ele, há, também, outro fator: o aumento dos preços dos fornecedores, ainda reflexo do aumento dos juros e taxas e a desvalorização do real.

Tebaldi destaca que o setor de serviços foi o que mais sofreu retração, isto como reflexo da queda das atividades da indústria e da diminuição do poder aquisitivo, ou seja, retração das atividades de seus dois clientes: das pessoas jurídicas industriais e da queda de compra das pessoas físicas.

O gerente da agência Bauru do Sebrae afirma que o comércio apresenta queda também na região de Bauru, como não poderia deixar de ser. Porém, ele acredita que há boas perspectivas devido ao rigor do inverno (demandando aquecimento das vendas de vestuário), além das datas festivas que costumeiramente aquecem a demanda

(maio - "mês das noivas" e "mães" e junho, "mês dos namorados"). "Bauru e região tem pensado em formas de aquecer a economia de forma geral, mediante planos de desenvolvimento econômico e até aproveitando melhor o fluxo de pessoas que visitam nossa região, caracterizando-os como turistas de negócios", destacou.

Para Tebaldi, se este fluxo for bem aproveitado pode fazer gerar demanda do comércio e serviço, além de aproveitar a mão-de-obra existente. "Para tanto, é necessário pensar num planejamento macro, ligando-se comunidade, potencialidades (turísticas, comerciais, educacionais, etc), entidades e um plano de ação", afirmou.

Emprego estável

Apesar do desempenho negativo do faturamento das empresas, o mês de abril foi mais um período de estabilidade no nível de emprego das MPEs. As contratações do setor apresentaram variações positivas de 0,9% quando comparadas com março de 99 e de 2,8% em relação a abril de 98. Esta estabilidade vem sendo garantida pelo setor de comércio, que emprega hoje em dia 12,6% a mais do que em abril de 98. Já com relação aos salários, o estudo revela que apresentaram uma alta de 0,6% em abril. Apesar disso, a remuneração média paga pelas micro e pequenas empresas paulistas aos funcionários ainda é 8,1% menor que a detectada em abril do ano anterior.

Reflexos da melhora demoram a chegar

O economista e consultor de empresas Reinaldo César Cafeo, 38 anos, afirma que o mês de abril foi ruim, como previu na análise do mês de março, em função da lenta recuperação da economia e pelo natural ciclo econômico, que indica que existe um "timing" entre os reflexos na ponta do comércio

(ou serviços) até ser chegar na indústria. Para ele, isso foi verificado no relatório divulgado pelo Sebrae - Seade.

Cafeo diz que, na leitura do ambiente econômico, não tinha ainda, naquele mês, as incertezas externas verificadas nos últimos dias - crise Argentina e possível elevação de juros nos EUA. Para ele, a marca do desempenho, em abril, foi mesmo o "engessamento" proposital da economia interna. "Vivenciamos uma clara política monetária restritiva (enxugamento de liquidez) e inibição da demanda (evitando alta de preços). Evidentemente que a combinação dos dois fatores tem como consequência a queda no nível de atividade", afirmou.

Para Cafeo, na prática, o varejista surpreendeu, mantendo seu nível de atividade (isoladamente cresceu 0,8% de março para abril). As promoções, o início do outono e a ligeira queda na taxa de juros (mesmo ainda com liquidez sofrível) podem ser os fatores que explicam esse desempenho. "Mas isoladamente não foi suficiente para evitar que o setor como um todo não tivesse queda, mesmo que, a menor, de 1,1%", destacou.

O economista diz que os números são mais desanimadores quando comparados a idêntico período do ano passado, ou seja, abril/99 com abril/98. As quedas são mais expressivas em todos os setores, salvando-se este ou aquele setor isoladamente. "Há claro indicativo que estamos mais pobres, operando abaixo do nível desejado", aponta.

Cafeo afirma que quando a análise recai para o Interior do Estado, verificam-se números abaixo do aceitável: indústria, queda de 10,7% abril/99 para março/99; comércio, queda de 1,6% em idêntico período; serviços, queda de 1,8% em idêntico período.

No comparativo abril-99 com abril-98 somente o comércio se salva, com aumento de 3,4%, mantendo o desempenho do estado como um todo.

Para ele, o que se verifica é o esforço em manter o pessoal ocupado. Mesmo tendo uma queda no ano de 12,1%

(estado) e 9,5% (interior) no consolidado do ano de 1999, o nível do pessoal ocupado cresceu 6% no interior e 0,8% no Estado. "As empresas preferem manter a estrutura a ter que dispensar, contudo, isso é mais observado no comércio do que na indústria. Indicando que efetivamente o setor terciário, do qual o comércio faz parte, está sendo o abrigo dos eventuais desempregados. (PT)

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