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CEI das finanças

Gisele Hilário
| Tempo de leitura: 3 min

População fica sem auditoria nas finanças

População fica sem auditoria nas finanças

Texto: Gisele Hilário

Depois do Executivo indicar que a prometida auditoria ficará em casos isolados, ontem os vereadores abortaram a CEI das Finanças

O antigo bloco de oposição à gestão Izzo Filho na Câmara Municipal lutou, brigou por vários meses para que a CEI das Finanças pudesse ser aprovada em plenário. Mas a CEI das Finanças acabou encontrando obstáculos políticos pelo caminho. O presidente da comissão, Rino Biagio (PPB), na época líder do ex-prefeito na Câmara, não encontrou solução para a necessidade de auditar as contas. O ex-prefeito acabou caindo, através de cassação do mandato, em agosto de 1998, mas a esperada CEI continuou engavetada no Legislativo. As entidades que lutaram pela sua aprovação acabaram se acomodando. Nilson Costa assumiu provisoriamente e prometeu um levantamento contábil para sua administração de transição. O vice que virou prefeito acabou deixando o cargo e, agora, mesmo após seu retorno, também deu demonstrações que a promessa foi abandonada. Ontem, foi a vez dos vereadores, inclusive o bloco de oposição, abortarem de vez a CEI das Finanças, com o arquivamento do processo.

Em votação unânime, os vereadores acolheram pedido do presidente da CEI, Rino Biagio, de encerrar os trabalhos sem que nenhum relatório fosse concluído, ou analisado. A CEI, na prática, acaba sem ter sido iniciada. A comissão especial de inquérito mais longa do Legislativo acumulou centenas de documentos, incluindo balancetes sobre os anos das administrações anteriores, de Izzo Filho no primeiro mandato, passando até por Tidei de Lima e, por fim, fechando com o primeiro ano da gestão do ex-prefeito, em 1997. O bloco de oposição, agora desfigurado no Legislativo, não reagiu e a necessidade de levantamento de meses atrás agora parece que não teria mais sentido: apesar da dívida continuar aumentando dia-a-dia com a aplicação de juros.

A CEI das Finanças acaba junto com a falta de motivação política que a criou. As entidades que defenderam sua instalação, com vários protestos na galeria da Câmara e nas ruas, deixaram se esquecer diante da cassação do ex-prefeito. A acomodação política atingiu os vários partidos de esquerda que a defenderam e as entidades que levantaram bandeiras contra os atos da gestão que venceu a eleição em agosto de 1996. O vice assumiu, prometendo um levantamento contábil nos diferentes departamentos da administração municipal. Mas, ainda que enumere algumas sindicâncias realizadas por necessidade de ação em razão do cargo que exerce, também deixou a promessa se perder entre o tempo. O último argumento foi de que não iria fazer

"caça às bruxas" e que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai fazer esse papel.

Com a decisão do Legislativo de ontem e a manifestação do prefeito Nilson Costa, a população, em última instância, vai continuar ficando sem saber como ficou a administração pública e porque a Prefeitura Municipal de Bauru está com uma dívida de cerca de R$ 90 milhões, construída em poucos anos, a partir, sobretudo, de 1998, passando, na sequência, pelas gestões de Izzo, Tidei e Izzo.

O assunto, com certeza, será retomado em meados do segundo semestre do ano que vem. Entretanto, não por motivações técnicas mas estritamente eleitorais. Apesar disso, como a aprovação do fim da CEI das Finanças foi unânime, pela motivação do prefeito em simplificar a auditoria contábil e pela votação dos vereadores de ontem, nenhum dos supostos candidatos a prefeito pelos partidos representados hoje na vida política local terá legitimidade para se apropriar do tema para atacar este ou aquele. Mas, com certeza, a dívida da Prefeitura, será prato cheio para as eleições municipais do ano 2000.

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