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Núcleo de saúde

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 4 min

Saúde fecha "núcleo" da Independência

Saúde fecha "núcleo" da Independência

Texto: Adriana Amorim

A Secretaria Municipal de Saúde, mediante autorização do Conselho Municipal de Saúde, decidiu fechar a unidade que funciona atualmente na Vila Independência como extensão do Centro de Saúde da região central. Levantamento realizado pelo órgão mostra que não há demanda suficiente para justificar a manutenção dos serviços e o pagamento de aluguel do imóvel onde vem sendo mantido o atendimento.

A unidade funciona como uma espécie de núcleo de saúde improvisado, mas não pode ser considerado um núcleo porque não possui os requisitos mínimos exigidos pelo Ministério da Saúde. Apenas um auxiliar de enfermagem, uma enfermeira, um pediatra e um clínico geral, removidos do Centro de Saúde Central, prestam atendimentos básicos apenas no período da manhã. Não há vacinação, inalação, sala de curativos e cozinha, por exemplo.

A unidade foi instalada em caráter provisório em 94, quando o Centro de Saúde Central foi municipalizado e passou por uma reforma. O questionamento sobre a manutenção dos serviços no local começou a ser feito no ano passado, quando o imóvel no qual está localizada a unidade, foi condenado por um laudo técnico da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan).

Além do alto custo do aluguel - R$ 800,00 mensais - a Secretaria de Saúde constatou que a demanda é baixa. Segundo dados fornecidos pelo órgão, o clínico geral atende cerca de 40% da capacidade diária. Isso significa que são realizados apenas de 6 a 7 atendimentos dos 16 permitidos. O número sobe para 65% com relação ao pediatra.

Sem lógica

"Não tem lógica manter o serviço para um grupo tão pequeno de pessoas enquanto outras regiões da cidade estão com problemas", argumenta a secretária Eliane Fetter Telles Nunes. Ela explica que a questão da manutenção da unidade no bairro vem sendo analisada há nove meses e que o fechamento do local foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Saúde, que analisa e aprova ou não as medidas propostas pela Secretaria.

A renovação do contrato do aluguel do imóvel não foi realizado e nesta semana uma nova reunião com o Conselho vai definir a data do encerramento do atendimento no bairro. A partir daí, os moradores da Vila Independência e da região que utilizam os serviços no bairro terão que se deslocar para o Centro de Saúde Central, localizado na quadra 5 da rua Quintino Bocaiúva.

A secretaria Eliane Nunes diz que a Secretaria previa a construção de um núcleo de saúde no bairro, mas houve corte na dotação orçamentária deste ano. O recurso, R$ 112.500,00, seria utilizado para a instalação de uma unidade em um ponto do bairro que favorecesse também outras localidades vizinhas, o que aumentaria a demanda e justificaria a existência do núcleo. Para este ano, ela explica que não há possibilidade da unidade ser transferida para outro local no mesmo bairro.

Associação quer outra alternativa

A dona-de-casa Clélia Camargo, 74 anos, é moradora da Vila Independência e há 5 anos realiza o tratamento de diabetes na unidade de saúde do bairro. Ela é um dos moradores contrários ao fechamento do local. "Nos outros lugares é preciso enfrentar muita fila e nem sempre dá para conseguir vaga no mesmo dia", argumenta.

Clélia já foi usuária do Centro de Saúde Central e diz que precisava levantar de madrugada para garantir lugar na fila. "Aqui na Independência a gente tem lugar garantido. Para ir ao Centro, preciso ir a pé", afirma. Para evitar a locomação e o transtorno dos moradores, a Associação de Moradores do bairro já entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde e agendou uma reunião com representantes do órgão para o dia 29.

A entidade quer que a própria Secretaria transmita a notícia aos moradores e ao mesmo tempo pretende lançar alternativas para que o atendimento continue sendo prestado no bairro. Uma delas é que a unidade permaneça como extensão do Centro de Saúde, mas seja transferida para um imóvel localizado em uma área que possa facilitar o atendimento para usuários de outros bairros.

"Embora já tenha sido decidido que não vai mais ficar onde está, queremos apresentar alternativas para tentar fazer com que o bairro continue com uma unidade", explica a presidente da entidade, Célia Maria dos Santos. Ela diz que não pode contestar os dados sobre a demanda oferecidos pela Secretaria de Saúde, mas afirma que também não pode aceitar a situação, uma vez que a população será prejudicada.

A Associação convida os moradores do bairro para participar da reunião que será realizada na sede da entidade no próximo dia 29, às 19h30. (AA)

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