Bancada tucana se organiza contra Tuga
Bancada tucana se organiza contra Tuga
Texto: Josefa Cunha
A estratégia dos vereadores do PSDB para abalar a pré-candidatura do ex-deputado Tuga Angerami a prefeito já está desvendada: consiste na composição com o volumoso grupo que se filiou sob a "apresentação" de Natan Chaves. A tática da bancada tucana ficou claramente explícita ontem, quando Rubens Spíndola oficiou desistência, em caráter irrevogável, do recurso que movia contra as novas filiações.
Spíndola vinha tentando impugnar o ingresso dos 502 apadrinhados de Natan Chaves há mais de três meses. Apegando-se ao estatuto do partido - e ao suposto vínculo entre o grupo e Tuga -, o vereador vinha sustentando que as filiações se deram "em bloco", prática vetada pelo regimento tucano e passível de anulação.
A Executiva Municipal, justificando improcedência dos argumentos apresentados por Spíndola, indeferiu o pedido, mas o parlamentar interpôs recurso junto à direção estadual do partido. O recurso ainda não havia obtido de resposta de São Paulo. Durante o período de contestações, Spíndola e Natan Chaves trocaram farpas, mas, segundo afirmou ontem o próprio vereador, o relacionamento com aquele que chegou a classificar de "pára-quedista" está bem mais "estreito".
Embora negue a máxima "se não pode com os adversários, se una a eles", Rubens Spíndola não esconde que pretende agora "trabalhar" com o grupo dos 500 em busca de apoio a sua já anunciada pré-candidatura a prefeito. "Na realidade, fui convencido de que esses novos filiados não vieram com posições fechadas. Diante disso, do fato de que a impugnação já havia sido rejeitada aqui e das minhas pretensões eleitorais, só me restou somar ao grupo", justificou. "Acabei convicto de que continuar questionando seria pior, mas já avisei que não vou aceitar qualquer procedimento sem a devida transparência", acrescentou.
Spíndola alega que a mudança de opinião ocorreu após muitas conversas com os colegas de bancada Edmundo Albuquerque e Antonio Carlos Garmes, e até com o próprio Natan. "Eles conseguiram me mostrar que o grupo não está com disposição favorável a uma determinada pessoa. Isso significa que esses filiados podem vir a ser meus potenciais apoiadores", animou-se, endereçando, inclusive, elogios ao "ex-desafeto". "O Natan é inteligente e tenho que bater palmas para ele. Eu disse que ele era pára-quedista, mas sua posição foi resultado da omissão do próprio Tuga. A indecisão do Tuga em sair candidato acabou abrindo espaço para o Natan, que não pensou duas vezes em transferir seu domicílio para Bauru. Foi o Tuga quem abriu espaço para ele", pós-avaliou.
Colegas aprovam
Edmundo Albuquerque e Toninho Garmes, manifestos opositores do ex-deputado, aprovaram a atitude de Spíndola, embora continuem mantendo cautela ao relacionar o fato à possível aliança com o "grupo de Natan". "Havia necessidade de um entendimento entre o grupo recém-chegado, filiado ou não pelo Natan, e o Spíndola. Trata-se de uma atitude que nos permitiu superar pelo menos uma dentre as muitas divergências que existem dentro do partido. Já quanto
à questão do apoio desses novos filiados a uma ou outra pessoa é mais difícil avaliar. Só saberemos qual a posição deles na convenção, que, aliás, ocorre por voto secreto", disse, evitando admitir estratégias para a disputa interna.
Garmes também acha que o colega agiu corretamente ao desistir do recurso e lembra que o incentivou a isso. "Eu senti no Natan Chaves o propósito de somar com o partido e não o de apoiar esse ou aquele grupo. Ele me convenceu de suas boas intenções e estou certo de que sua finalidade pessoal
é ser candidato a deputado federal. Esses mais de 500 filiados, que ingressaram no PSDB a pedido dele, mas abonados por outros membros, representam fortalecimento e, sinceramente, não me preocupo para que lado vão pender. Quem tem abobrinhas se estabelece na feira no momento certo. Se, amanhã, o grupo decidir apoiar algum lado, acharei normal. Afinal, eles são potenciais aliados de qualquer um que tenha pretensões eleitorais", avaliou.