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TV Câmara

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Salvador quer reduzir cobertura televisiva das sessões da Câmara

Salvador quer reduzir cobertura televisiva das sessões da Câmara

Texto: Josefa Cunha

Justificando preocupação com os gastos "exorbitantes" das transmissões televisionadas das sessões da Câmara, o vereador Salvador Afonso (PDT) resolveu propor ao presidente da Casa, Paulo Madureira (PPB), a rescisão do contrato com a TV Prevê ou o fechamento da TV Câmara, emissoras que hoje veiculam as atividades legislativas em canal aberto e a cabo, respectivamente. Para o pedetista, a manutenção de dois canais com a mesma finalidade apenas provoca despesas desnecessárias.

A proposta de Salvador Afonso foi oficiada anteontem, em termos de indicação à Presidência da Câmara. No ofício, o parlamentar argumenta que seu objetivo é buscar economia "neste momento de dificuldades financeiras do município" e que a "duplicidade" da tarefa onera, sem motivos justificados, os duodécimos".

Afonso entende que a cobertura das sessões já é feita a contento, vez que as notícias da Casa veiculam em "dois jornais que dão cobertura sem custo, numa rádio contratada e em outras duas rádios que prestam serviços de transmissão gratuitos. "Não acho justo a continuidade de duas TVs com custos tão altos. Um canal seria o bastante para servir aos vereadores e à população. Anualmente, está se gastando cerca de R$ 340 mil, o que é muito dinheiro", avaliou.

Apesar de não palpitar quanto à emissora que deveria permanecer, Salvador considera os gastos da TV Câmara muito altos em proporção ao número de telespectadores que atinge. "A TV Prevê gasta só R$ 6 mil, enquanto a TV Câmara, R$ 20 mil (ele justifica o valor com a inclusão das despesas com o funcionalismo - férias, 13.º, FGTS, etc). Se ficar a TV Câmara, ela deveria ser ampliada, porque a abrangência é muito pequena. Eu não quero escolher uma ou outra; isso será critério do presidente. Não acho que estou sendo incoerente ou errado de pedir economia", defendeu-se.

A TV Câmara foi instituída a partir de projeto de lei aprovado pelos vereadores. Na época, Salvador votou favoravelmente à proposta - embora anteontem tenha inicialmente se esquecido da tramitação em plenário. Posteriormente e com a memória recuperada, o vereador recordou do apoio

à implantação da emissora na Casa, mas ressalvou que "só aprovou o projeto porque havia o compromisso de que apenas um único canal seria mantido".

O ex-presidente da Câmara e autor da proposta de criação da TV Câmara, Luiz Carlos Valle (PDT), não criticou a postura do colega de partido, mas se colocou contrário ao fim da emissora da Casa. Segundo ele, o canal funciona através de uma concessão gratuita pelo sistema a cabo, ampliando a difusão dos trabalhos legislativos. "Particularmente, não acho muito sensata essa proposta do Salvador. Os gastos não cresceram tanto assim, uma vez que parte dos atuais funcionários já trabalhava no sistema utilizado anteriormente - feito através de gravações. Quanto à TV Prevê, sua manutenção foi prevista em projeto de emenda à Lei Orgânica, no qual se dispôs sobre a transmissão em canal aberto. Bastaria a revogação do artigo para que houvesse a suspensão, mas também acho isso um equívoco", comentou.

Plenário decide

Embora tenha autonomia para resolver a questão sozinho, o presidente Paulo Madureira já adiantou que levará a proposta de Salvador Afonso para o plenário decidir.

"Se os vereadores entenderem que assim deve ser feito, essa presidência terá toda disposição em promover as mudanças", afirmou.

A decisão, porém, destacou Madureira, dirá respeito exclusivamente à proposta de rompimento com a TV Prevê. "A TV Câmara, que é da Casa, fica. Se quiserem manter apenas uma emissora, que decidam em relação

à TV Prevê", pré-sentenciou.

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