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Fábio Grellet
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Promotor vai avaliar Ferroban na próxima semana

Promotor vai avaliar Ferroban na próxima semana

Texto: Fábio Grellet

Jaú - O promotor de Justiça Celso Élio Vannuzini, um dos responsáveis pelas questões que envolvem a cidadania na comarca de Jaú, deve decidir apenas no início da próxima semana quais medidas vai tomar quanto à linha férrea por onde trafegam os trens da Ferroban (antiga Fepasa), em Jaú. Ele já recebeu documentos enviados pelo delegado titular do 3.º Distrito Policial de Jaú, Antonio Carlos Piccino Filho, que sugeria ao promotor o envio de um pedido ao juiz de direito competente, para que este determinasse a interrupção do transporte ferroviário no trecho de Jaú. A alegação é que a condição dos trilhos e dormentes, naquele trecho,

é bastante precária e, como a ferrovia passa por dentro da cidade, eventuais acidentes podem causar vítimas.

O promotor afirmou que, durante esta semana, está discutindo medidas relativas a outras questões também importantes, como as frequentes interdições da ponte sobre o rio Tietê, na rodovia Bauru-Jaú. Por isso, apenas durante o final-de-semana o promotor deve passar a estudar os documentos enviados pelo delegado, e na segunda-feira talvez já proponha a medida que considerar cabível.

A Ferroban ainda não se manifestou sobre a eventual interdição da linha, no trecho que passa por Jaú. Circulam por ali, diariamente, seis trens de carga, que transportam 80 mil toneladas de produtos por mês. Não foi informado qual a extensão do trecho que passa por Jaú. Entre as estações de Ave Maria e Banharão, duas localidades entre as quais se localiza a cidade de Jaú, há 16,5 quilômetros, mas parte deles fica em área desabitada. A assessoria de imprensa da Ferroban informou que a recuperação de trilhos e dormentes no trecho de Jaú está prevista através de um cronograma de obras, mas não há data para ser realizada. A extensão das linhas administradas pela empresa é grande e, como a recuperação está sendo realizada por etapas, o serviço ainda não chegou a Jaú. Mas a assessoria não soube informar qual trecho está sendo recuperado atualmente.

Pelas linhas que a Ferroban administra, hoje em dia só trafegam trens de carga. A empresa começou a administrar efetivamente as Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) em 1 de janeiro deste ano e, na época, circulavam trens de passageiros e de cargas. Mas as chuvas ocorridas no início do ano comprometeram ainda mais o estado já precário de trilhos e dormentes. Temendo a ocorrência de acidentes, a Ferroban decidiu suspender o tráfego de trens de passageiros, mantendo apenas o transporte de cargas. Mas estas composições, que muitas vezes carregam produtos tóxicos, também trafegam por dentro das cidades, e a precariedade das condições das linhas pode causar acidentes nesses trechos, causando problemas

à população. Segundo um funcionário da Ferroban que preferiu não se identificar, é frequente a ocorrência de tombamentos dos vagões, mas eles são rapidamente recolocados nos trilhos e seguem viagem, normalmente sem grandes danos. Alguns acidentes sérios, porém, já foram registrados - o mais grave deles aconteceu em Dois Córregos e provocou a morte de Gérson Rodrigues Escaramelo, de 5 anos, atingido por um vagão que descarrilou e o prensou contra uma árvore, em 28 de fevereiro.

Além dos trilhos e dormentes ao longo da linha, outra preocupação do delegado de Jaú é com a situação da Estação Ferroviária. Abandonada, ela teve várias salas arrombadas e, conforme alguns moradores vizinhos do prédio, serve como ponto de referência para traficantes e consumidores de drogas.

Inquérito

Ao tomar conhecimento desses fatos, o delegado Piccino instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades sobre a falta de manutenção da linha férrea e de conservação do prédio da estação ferroviária.

Mesmo antes de concluir as investigações (que devem se estender até o mês de julho), Piccino encaminhou ao promotor da Cidadania documentos que demonstram a precariedade da situação e os acidentes que podem decorrer dela. Entre eles, há laudos emitidos pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, que confirmam o estado crítico da linha férrea.

Ontem, dando prosseguimento ao trâmite do inquérito, Piccino tomou o depoimento do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Ferrovias da Zona Paulista (Ferroban), Waldemar Raffa, que confirmou a condição precária das linhas.

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