Bancários protestam contra laudo médico
Bancários protestam contra laudo médico
Texto: Luciano Augusto
Divergências em laudos médicos pedidos para atestar a ocorrência de lesão por esforços repetitivos
(LER) em funcionários do setor de retaguarda, serviço burocrático, do Bradesco, motivaram um ato promovido ontem pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região.
Um laudo inicial, de sete de abril, assinado pela médica contratada pelo Bradesco, Maria Cristina de A. Prado Mello, atestava que o bancário José Carlos Grassi estava inapto para exercer a função de digitador experiente por ser portador de LER. No mesmo setor do banco, segundo Laércio Pereira, 36 anos, diretor do sindicato, haviam mais cerca de 20 casos da doença, inclusive já com o comunicado de acidente de trabalho (CAT). Nestes exames periódicos constatou-se mais seis casos de LER, além dos que já estão atestados com o CAT.
Já no dia 28 de maio, uma outra médica, Nair Sumie Katakura, também contratada pelo banco, atestou que o funcionário estava reabilitado e era considerado apto para exercer a mesma função, sem riscos ocupacionais específicos.
De acordo com Pereira, "o banco refez o exame médico com outro médico fazendo somente para estes seis (que haviam sido diagnosticados com a doença) e ele atestou como tudo apto. Quer dizer mais fraude ainda".
O sindicato, além do ato de ontem, avisou ainda que deve protocolar na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho um pedido de abertura de inquérito para apurar o caso. Também entraram com o mesmo pedido no Ministério Público e no Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-SP) contra a médica que assinou o atestado liberando os funcionários com LER para voltar ao exercício da função.
"Estamos denunciando isso, porque ao mesmo tempo em que o banco está demitindo pessoas com doença profissional, acaba de comprar, anteontem, o Baneb (Banco do Estado da Bahia). Quer dizer, não é falta de caixa", concluiu o sindicalista.
Bradesco
A reportagem do JC entrou em contato com o setor de serviço burocrático do Bradesco em Bauru para conhecer, junto ao gerente do setor, qual o posicionamento do banco à respeito da denúncia lançada pelo Sindicato dos Bancários.
Um funcionário que atendeu à ligação, mesmo dizendo que não poderia falar em nome do Bradesco, adiantou que a função de digitador não existe mais no pólo de serviços burocráticos do banco, a praticamente dois anos e que provavelmente, o funcionário tenha sido recolocado em outra função.
A reportagem deixou novamente pedido para que o gerente entrasse em contato com a redação do JC mas, até o fechamento desta edição, ninguém do banco retornou o pedido.