Assessores do prefeito vão depor na CEI
Assessores do prefeito vão depor na CEI
Texto: Nélson Gonçalves
Comissão Especial de Inquérito (CEI) vai ouvir esclarecimentos sobre a compra de carne para a merenda escolar
Assessores da Prefeitura Municipal de Bauru, dos setores de finanças, gabinete e de licitação, estão sendo convocados para prestar depoimento na Comissão Especial de Inquérito
(CEI) que apura possíveis irregularidades na compra de 28 mil quilos de carne (patinho) para a merenda escolar. A CEI realizou sua terceira reunião, ontem, na Câmara Municipal e marcou o depoimento de 13 representantes da Prefeitura e dos fornecedores. Os depoimentos serão realizados nos próximos dias 30 de junho e 1º de julho, a partir das 14 horas.
A CEI está convocando para os depoimentos no dia 30 de junho o presidente da comissão de sindicância da compra de carne, Darcy Bernardi, a diretora da divisão de merenda escolar, Izilda Aparecida Brandão, a diretora do departamento de administração de materiais e presidente da comissão de licitação da Prefeitura, Maristela Lemos de Almeida Gebara, o diretor de divisão de serviço da administração de materiais, Nivaldo Luiz China, a chefe de seção de gestão de compras, Cláudia Regina Soares, e a nutricionista Marisleine Oliveira Trefillo. O proprietário da empresa Bom Bife será
último a depor no dia 30 de junho. Os depoimentos serão de 30 em 30 minutos, a partir das 14 horas.
No dia 1º de julho serão chamados a Secretária Municipal de Educação, Izabel Campoi Bono Algodoal, o secretário de Economia e Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, um representante da Distribuidora de Carnes e Gêneros Alimentícios Roma, um representante do Frigorífico Vangélio Mondelli, um membro da empresa Frigol Comercial, um representante do Frigorífico Itarumã e outro da Disk Carne.
Os integrantes da CEI demonstram que não vão se limitar à apreciação de suspeita de superfaturamento, como foi levantado inicialmente. O presidente da CEI, Rogério Medina (PTB), já indica que serão analisados itens como a regularidade da entrega, do processo de licitação, da utilização e das condições do próprio convênio com o Estado que gerou o repasse de verba para a merenda. Medina alfineta que o defeito da sindicância municipal foi justamente ter simplificado a avaliação na suspeita de superfaturamento.
A agenda de depoimentos aponta um bom debate da comissão exatamente com o presidente da sindicância municipal, o corregedor geral da Prefeitura Darcy Bernardi. O relator Rubens Spíndola (PSDB) também disse que não gostou da postura da administração, interpretando que a Secretaria da Educação tentou responsabilizar a CEI pela possível falta de carne na merenda escolar. A Prefeitura alegou que não tinha como pagar o fornecedor diante da apuração pela comissão parlamentar e que a demora na conclusão dos trabalhos levaria à falta de carne na merenda.
O prefeito Nilson Costa deu sua opinião para o episódio, ontem. Ele disse que o Poder Executivo deu um sinal de respeito ao Legislativo ao não efetuar o pagamento da compra de carne até que a CEI conclua seus trabalhos. "Mas a partir da declaração do relator e do presidente da CEI de que a situação é regular vamos pagar", cita. Nilson Costa combate que o presidente da CEI chegou a ridicularizar a conclusão da sindicância e que, ainda assim, o Executivo deu demonstrações de respeito à comissão, cancelando o pagamento enquanto
é feita a investigação. "A interpretação para essa posição da administração está sendo mal feita. A sindicância foi criticada e nós esperamos a apuração da CEI para o pagamento. Agora a Prefeitura está novamente sendo mal interpretada porque aponta para a possibilidade de falta de carne", comenta.
Para Nilson Costa, "a comissão tem de verificar a alegação de superfaturamento que foi o que ela acusou. Sobre a possibilidade de falta de carne foi o fornecedor que procurou a Secretaria da Educação para reclamar pela falta de pagamento. Agora, diante da manifestação da CEI, vou pagar".