Julgamento em Marília só deve terminar amanhã
Julgamento em Marília só deve terminar amanhã
Marília - Começou ontem o julgamento do ex-policial Antonio Miguel Ferreira, o Ferreirinha, um dos acusados de matar o empresário Luiz Augusto Spila e o engenheiro Murilo Mendes Benincasa, em Marília. As atividades de ontem deveriam se resumir, porém, à leitura do processo, que reúne 4,4 mil páginas. Se houvesse tempo hábil antes da interrupção do julgamento, seria iniciada, ainda ontem, a fase de oitiva do réu e das testemunhas. O julgamento, porém, só deve terminar amanhã, e as pessoas sorteadas para compor o corpo de jurados passariam a noite de ontem (e a de hoje, se o julgamento se prolongar) incomunicáveis, em um hotel de Marília.
Ferreirinha havia admitido, em depoimento durante a fase de inquérito judicial, que participara do assassinato mas, posteriormente, disse que só confessou o crime porque foi submetido a tortura.
Spila era proprietário de uma fábrica de garrafas plásticas, onde Benincasa trabalhava. O crime aconteceu por volta das 19 horas do dia 21 de setembro de 1996, quando os dois caminhavam pela pista de cooper da avenida das Esmeraldas. Eles foram atingidos por 16 tiros, disparados por uma pistola 9 milímetros. A polícia localizou os corpos após ser avisada do crime através de um telefonema anônimo. A hipótese de ter havido um assalto foi descartada, porque nenhum objeto foi roubado das vítimas.
Até hoje, a polícia não conseguiu concluir qual a razão do crime nem quem o teria praticado. Várias hipóteses foram investigadas e três pessoas são acusadas de terem planejado e praticado o crime: além de Ferreirinha, que está sendo julgado, também foram indiciados o piloto de avião Edmundo Rocha Barros e Pedro Casarin Neves, o Pedro Barriga. Este deve ser julgado nos próximos meses.
Mas ainda existe um inquérito para apurar quem foram os mandantes do crime e por qual razão teriam agido. Os documentos já acumulam 1,2 mil páginas e, conforme versões extra-oficiais, indicam como principais suspeitos de terem mandado matar a dupla o então sócio de Luiz Augusto Spila, Antônio César Martins, e a viúva do empresário, Darlene de Pádua Spila.
Uma novidade, aguardada para a fase do julgamento em que as testemunhas devem depor, é o pronunciamento do ex-policial federal Joaquim de Almeida Lima, o Almeidinha. Ele teria sido afastado da instituição por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas na região de Ponta Porã, onde teriam sido contratados dois dos acusados de executar o crime, Ferreirinha e Pedro Barriga.
O promotor que atua no julgamento é Jurandir Afonso Ferreira, e os advogados de defesa são João Simão Neto e José Cláudio Bravos. O pai de Murilo Benincasa, Alderacy de Campos Benincasa, havia contratado o advogado Luiz Celso de Barros para atuar como assistente de acusação
(o advogado que auxilia o Ministério Público na acusação ao réu). Mas Barros foi afastado por uma determinação judicial, porque também atua como advogado de Antonio Cesar Martins, outro suspeito de envolvimento no caso.
Pressão das famílias
A pressão dos familiares das vítimas pela condenação de Ferreirinha é intensa. Eles distribuíram jornais, estamparam outdoors e participaram de diversos programas de televisão em Marília, sempre expondo seu drama. As dúvidas que pairam sobre o motivo e os mandantes do crime fazem com que, para as famílias, a tragédia seja constantemente relembrada.
Familiares esperam que, caso sejam condenados, os supostos executores do crime decidam contar à polícia quem foram os mandantes e, assim, oferecer a solução definitiva para o caso.