Farmácias perdem movimento com reajustes
Farmácias perdem movimento com reajustes
Texto: Márcia Buzalaf
As farmácias de Bauru estão perdendo movimento depois dos cinco consecutivos reajustes nos preços dos remédios aprovados no acordo entre a indústria farmacêutica e o Ministério da Fazenda. Apesar de não ter incidido em todos os produtos, o aumento de preço foi de uma média de 5% em três meses consecutivos (março, abril e maio), além do outro bloco de reajustes, em junho (3%), julho (3%) e agosto (ainda indefinido). O último reajuste, que começou a vigorar a partir de hoje, deverá atingir 88,4% dos medicamentos, mas deve ser repassado aos produtos apenas na próxima semana.
De acordo com o proprietário da DrogaNova, Rui Pagano Júnior, 41 anos, os reajuste prejudicam tanto o consumidor quanto as farmácias, que ficam sem opção de concorrência. Um dos mecanismos usados como atração para manter fiel os consumidores de remédios - a promoção vinculada a sorteios - foi proibida pelo Governo Federal desde a última sexta-feira (veja matéria ao lado).
Sem muita mobilidade para mexer nos preços, as farmácias não têm perspectiva de melhorar o movimento, já que os reajustes devem continuar. De acordo com Pagano Júnior, as empresas estão tentando manter o movimento. "E o reajuste está sendo aplicado principalmente em produtos de alto giro, de uso constante", afirma ele.
Apesar dos aumentos terem sido anunciados para três parcelas, o acordo foi "renovado" por mais três meses. "A verdade é que todo mês a gente tem aumento de preço nos remédios. A desvalorização continua sendo usada como o motivo do reajuste", afirma Pagano Júnior.
O problema apontado por ele é que as farmácias já não mantêm estoques grandes para poder ganhar com o aumento de preços. "Essa época já foi", garante. Por este motivo, o reajuste deve ser repassado para os produtos na segunda-feira.
Na opinião de Américo de Magalhães Moura, 54 anos, proprietário da farmácia Moderna e tesoureiro da rede BioDrogas em Bauru, o consumidor tem, inclusive, diminuído o consumo de alguns remédios que não são de uso contínuo. Na opinião dele, esta não
é uma "reação boa" do consumidor.
Genéricos
Uma das saídas do consumidor para o reajuste nos preços de remédios é o uso dos genéricos, isto é, ao invés do médico prescrever a receita de um remédio específico, ele receitaria apenas a fórmula do produto. A farmácia seria encarregada de apresentar todos os produtos que contém aquela fórmula específica e o consumidor poderia optar qual produto compraria.
De acordo com Pagano Júnior, o preço do remédio comprado pela fórmula genérica pode dar uma diferença de preço de até 50%. "Dependendo do remédio, o consumidor pode comprar por até metade do preço com os genéricos", afirma.
Por ainda não ter sido regulamentada, esta lei ainda não ganhou força. Segundo Pagano Júnior, de dez receitas que chegam hoje em dia na sua farmácia, apenas uma receita a fórmula genérica.
Moura afirma que, na BioDrogas, a incidência de receitas de remédios genéricos é feita com mais freqüência pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele concorda que a lei, depois de regulamentada, deve trazer benefícios especialmente nos preços dos remédios.
Barrados do sorteio
As farmácias e drogarias, desde sexta-feira, estão proibidas de fazer promoções e campanhas vinculadas a sorteio, que induza o consumo de remédios. Em Bauru, a única farmácia que fazia este tipo de promoção com sorteio era a BioDrogas.
De acordo com Américo de Magalhães Moura, 54 anos, proprietário da farmácia Moderna e tesoureiro da BioDrogas em Bauru, a rede fez uma campanha nos padrões das que foram banidas pelo governo em dezembro passado, quando sortearam um carro. De acordo com Moura, a campanha foi um sucesso.
A proibição governamental visa banir a indução ao consumo de remédios. Na opinião das farmácias, as promoções tinham o caráter de "fidelização do cliente". Uma outra campanha deste estilo estava sendo projetada pela rede, mas já foi cancelada.