Maternidade pode ter Instituto de Mamas
Maternidade pode ter Instituto de Mamas
Texto: Paulo Toledo
A Maternidade Santa Izabel, administrada pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), pode ter instalada, em breve, o Instituto de Mamas, um centro especializado em prevenção, diagnósticos e tratamento dos cânceres de mama, a principal causa de morte devido às doenças malignas na população feminina brasileira, entre 40 e 59 anos. O projeto foi entregue pelo deputado estadual e médico Pedro Tobias (PDT) ao governador Mário Covas (PSDB), na semana passada, que, segundo o parlamentar, se comprometeu em fazer com que o projeto seja viabilizado.
Tobias disse que sentiu que o governador vai, realmente, se empenhar no projeto. Ele destaca que acredita muito na viabilização. O deputado disse que o governador iria tentar verbas federais, com o ministro da Saúde, José Serra. Porém, se não forem possíveis, o Estado vai custear o projeto.
"É um compromisso assumido pelo governador Mário Covas", afirmou.
Pedro Tobias destaca que uma em cada dez mulheres está sujeita a ter câncer de mama. Ele destaca que os custos de tratamento são elevadíssimos e, quando diagnosticado tardiamente dificilmente há bons resultados nos tratamentos.
Para se ter uma idéia da importância da questão do diagnóstico, no ano passado, o "National Cancer Institute", dos Estados Unidos, aumento seu investimento na área de US$ 133 milhões para US$ 197 milhões. Enquanto isso, naquele país, enquanto os investimentos públicos para o câncer geral cresceu 35% para o câncer de mama aumentou 177%.
O médico-deputado destaca que, de 1950 a 1990 a incidência desse tipo de câncer cresceu 52% e, o pior, é que 80% dos casos são diagnosticados tardiamente, reduzindo extremamente a possibilidade de cura. Nos países de Primeiro Mundo, apenas 30% dos cânceres de mama são diagnosticados tardiamente.
Para se ter uma idéia, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 1997, foram registrados 28.310 novos casos de câncer de mama no País, sendo que a região Sudeste, que inclui Bauru, foi responsável por 9.510 casos.
O projeto apresentado por Pedro Tobias destaca que a melhor estratégia para reduzir a mortalidade, diminuir o sofrimento e abater os custos resume-se na adoção de meios de rastreamento e de mecanismos de detecção precoce. Quanto menor o tumor, maior as possibilidades de cura, mais simples são os procedimentos de tratamento e mais reduzidos os custos para a saúde pública.
Para se ter uma idéia, uma mastectomia radical (retirada da mama) tem um custo aproximado de R$ 4,3 mil, enquanto que uma mastectomia simples custa R$ 1,6 mil, ou seja, 35% da radical. Somente por esses números simples é possível perceber a importância e economia que se obtém com o disgóstico precoce.
O projeto apresentado por Pedro Tobias traz estimativas do Inca que, somente em 1999, cerca de 7,3 mil mulheres devem morrer vítimas de câncer de mama. O número de novos casos deve chegar a algo em torno de 31,2 mil.
O parlamentar afirmou estar confiante de que o projeto entregue ao governador Mário Covas possa ser implementado. Para ele, será uma vitória para as mulheres de Bauru e região, que ficarão muito mais assistidas com o Instituto de Mamas.