Sucessos importados
Sucessos importados
Texto: Gustavo Cândido
O número de brasileiros que requer a cidadania estrangeira tem aumentado ano a ano. Em contrapartida o Brasil recebe todos os anos, uma quantidade enorme de pessoas de outros países, que se encantam com o clima, o povo, o ritmo, a vida brasileira e nunca mais vão embora. Bauru, como quase todas as cidades do interior paulista, tem a sua população formada por um grande número de descendentes de europeus e asiáticos, que vieram para cá no começo do século. Hoje, no final do milênio, a cidade continua a receber (bem) seus visitantes de fora, que agradecem e crescem nos seus negócios.
No Brasil desde 1973, o sul-africano Kishor Bhai Ishwar Lal Ranghod,
é um exemplo de estrangeiro que veio para o País e "se deu bem". Vivendo em Bauru há 19 anos, onde veio para trabalhar como professor de Inglês, depois de morar em Campinas, ele é o atual diretor da escola de Inglês Fisk. De acordo com ele a travessia do atlântico rumo ao Brasil foi feita "por aventura", já que não tinha nenhum conhecimento sobre o País a não ser o que havia lido em alguns livros. Kishor que acabou se casando com uma brasileira e tem duas filhas nascidas aqui, acha que uma das coisas que mais atraem no Brasil é o povo, que, segundo ele, é muito aberto e conversador.
Outra professora, só que do oriente, também adotou Bauru como lar e hoje tenta aproximar a terra natal da terra onde vive e de onde já é cidadã. A chinesa, nascida na cidade de Huan, Lili Long chegou ao Brasil em 1967 com o intuito de estudar Odontologia, acabou estudando Educação Artística e depois virando comerciante, profissão que exerceu até alguns anos atrás e agora dá aulas de chinês na Universidade do Sagrado Coração
(USC). Há quase vinte anos em Bauru, ela, que conhece muitos países do mundo, coloca a alegria e a receptividade do brasileiro como a sua principal qualidade. "O povo brasileiro
é muito amigável", diz.
Lili Long está empenhada atualmente em promover o intercâmbio entre Brasil-China, aproveitando um pacto de irmandade entre Bauru e a cidade chinesa de Yangzhou. "Quero que os brasileiros possam ir estudar e conhecer a cultura chinesa assim como os chineses a brasileira", afirma. Além dos intercâmbios culturais, a professora acredita que Bauru possa ganhar muito se vier a abrir suas portas para investimentos chineses, outra de suas lutas: "Yangzhou é uma cidade muito rica e pode ajudar muito Bauru a se tornar uma cidade melhor do que já há. A cidade precisa de investimento estrangeiro".
Redescobrindo o Brasil
Os portugueses nunca deixaram de vir para o Brasil desde o descobrimento e estão presentes em todas as fases da história e do desenvolvimento econômico e cultural do País. A família do empresário Manuel Gomes Mendes veio para cá por causa da Segunda Guerra. Então com 9 anos, ele conta que se adaptou facilmente ao País que hoje considera como se fosse a sua terra. "O povo brasileiro faz com que os estrangeiros não se sintam diferentes quando chegam aqui, é um povo bom demais, muito acolhedor, generoso", elogia.
Em Bauru há 28 anos, Mendes diz que quando viaja para Portugal sente a mesma coisa de quando viaja para São Paulo ou para a Bahia, "para mim é a mesma coisa, nossos povos são tão próximos que não há diferença", afirma.
País peculiar
"Vocês devem se orgulhar do seu país", diz o peruano Alejandro Gutierrez, gerente geral do Garden Plaza Hotel, que desde dezembro do ano passado mora em Bauru. Ele diz isso quando lembra que em nenhum lugar do mundo o povo é tão receptivo, tão bom. Gutierrez esteve pela primeira vez no País em 1988, quando veio após conhecer vários turistas brasileiros em Machu Pichu, no Peru. Depois dos estudos na área de turismo, ele se casou com uma brasileira, morou na Europa e voltou para o Brasil, onde está desde 1993.
Segundo ele Bauru é uma cidade única no interior, pois é tranqüila, limpa e segura. Ainda sem saber se vai permanecer por muito tempo na região, já que a profissão às vezes exige mudanças bruscas de vida, Gutierrez diz que se pudesse não sairia mais do Brasil. "O Brasil tem muitas peculiaridades como as diferenças de comida, de música, de costumes que existem no norte e no sul. Vocês valorizam isso o que é importante,
é um país que deveria receber mais turistas".