ECCB paralisa por falta de pagamento
ECCB paralisa por falta de pagamento
Texto: Márcia Buzalaf
Entre 30 e 40 mil usuários foram prejudicados pela paralisação de cerca de quatro horas, que terminou com uma trégua para a empresa fazer o pagamento até às 17 horas de hoje
A falta de 30% dos salários dos funcionários da Empresa Circular Cidade Bauru (ECCB) foi o motivo da greve provisória desencadeada por motoristas e cobradores da empresa ontem, que durou do início da tarde até às 17h30.
Depois de assembléia realizada entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (SindiTran) e os funcionários, foi decidido acatar a trégua de 24 horas pedida pela empresa para efetuar o pagamento integral. Portanto, a ECCB tem até às 17 horas de hoje para fazer o pagamento integral dos recebimentos dos funcionários.
De acordo com o presidente do sindicato, o presidente do sindicato, Elias Pinheiro da Silva, 39 anos, a assembléia deliberou também que, se o a empresa não cumprir o compromisso, a greve será retomada.
Silva afirma que a empresa não deu previsão de quando pagaria o restante dos salários. O presidente do sindicato afirmou que os representantes dos trabalhadores ficaram até
às 14 horas em frente da empresa para obter uma resposta que não chegou.
A ECCB alega que não está fazendo o pagamento pela retenção de 10% da receita da empresa, que soma R$ 55 mil, concretizada no último dia 30, pela Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural e Bauru (Emdurb). Silva diz que a empresa pediu 24 horas de trégua para poder viabilizar a liberação desta verba e efetuar o pagamento dos funcionários (veja matéria ao lado).
A folha de pagamento da empresa soma R$ 500 mil, com os impostos, chega a R$ 800 mil, segundo o SindiTran. A retenção de parte dos salários foi de R$ 80,00 a R$ 150,00 por trabalhador, segundo informa Silva. Alguns funcionários receberam, ontem, 70% do salário e, outros, não haviam receberam nenhuma parte.
Os funcionários afirmam que a adesão ao movimento grevista dentro da empresa está sendo unânime porque o corte foi no salário. Um motorista que preferiu não se identificar afirmou que, quando a empresa retém o ticket ou algum outro benefício, não é tão grave quanto reter parte do salário, geralmente comprometido com o pagamento de aluguel e contas. "Ninguém trabalha parcelado, por isso, não pode ganhar parcelado", conclui Silva.
Transtornos
A paralisação da ECCB alterou o caminho de 30 a 40 mil usuários, que ficaram prejudicados com a paralisação, anuncia a Emdurb. Nos primeiros 30 minutos da paralisação, cerca de 80 dos 100 ônibus da empresa estavam parados nas proximidades do centro da cidade. O sindicato estima que 700 funcionários da empresa aderiram à paralisação de aproximadamente quatro horas.
Durante a tarde de ontem, os ônibus da ECCB estacionaram na avenida Rodrigues Alves e nas transversais. De acordo com o presidente do SindiTran, a ordem era não parar nos pontos de ônibus para não atrapalhar o andamento das outras empresas e deixar os passageiros nos seus destinos, para, depois, recolher o ônibus.
Na porta da empresa, outro problema. Os guardas da ECCB não permitiram que os motoristas recolhessem os ônibus, causando transtorno para os moradores daquela região.
Apesar da volta às atividades, a Emdurb optou por manter o sistema de emergência, convocando 30 veículos das outras duas empresas de transporte coletivo da cidade.
O advogado da ECCB, Fábio José de Souza, foi procurado diversas vezes pela reportagem do jornal, mas não foi encontrado.
Dívida é origem do não-pagamento
A dívida de R$ 1,9 milhão com a Câmara de Compensação Municipal é a origem do não-pagamento dos funcionários. Frente ao pedido de intervenção na Empresa Circular Cidade Bauru (ECCB), a Prefeitura Municipal determinou um processo administrativo que retém 10% da receita total da empresa por mês. O objetivo do bloqueio
é saldar a dívida da ECCB com a Câmara de Compensação.
A empresa arrecada mensalmente cerca de R$ 1,2 milhão. Para o presidente da Emdurb, Joaquim Thomaz Sanches Madureira, 50 anos, a retenção de 10% do total de arrecadação da ECCB não é motivo para o pagamento parcial dos funcionários.
Para Madureira, a empresa teve tempo suficiente para contestar judicialmente a decisão da retenção. O despacho do processo administrativo pelo Prefeito Municipal foi feito em 15 de junho. "A ECCB nunca contestou oficialmente a retenção", afirma Madureira.
Ele diz que a Emdurb tem sido maleável com a empresa, que vem descumprindo várias determinações da autarquia, como a padronização dos ônibus. Além disso, as outras duas empresas de transporte público, a Transportes Urbanos de Araçatuba (Tua) e Kuba, não têm débitos com a Câmara de Compensação.
A ECCB procurou a Emdurb na semana passada, segundo Madureira. Ele diz que alertou a empresa sobre a possível recorrência judicial da decisão.