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Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Produtores do Ceasa pedem revisãodo aluguel

Produtores do Ceasa pedem revisão do aluguel

Texto: Luciano Augusto

Os produtores que trabalham no entreposto de Bauru do Ceagesp-Ceasa alegam que o preço do aluguel cobrado, principalmente em relação aos boxes, está caro demais. Amargando uma queda nas vendas nos últimos quatro anos, que chega a 70%, eles afirmam que um aluguel de cerca de R$ 800,00 (para o box) está dificultando ainda mais a situação no entreposto.

"O aluguel aqui está caro e nós estamos passando por uma fase difícil", disse a representante dos permissionários Cíntia de Souza, 39 anos. Ela explica que com a queda das vendas no comércio e com a conseqüente sobra de mercadoria, do desemprego e da entrada de grandes redes na cidade, os produtores que trabalham no Ceasa de Bauru ficaram com as finanças abaladas. "As pessoas (os produtores) estão começando a pagar tudo atrasado. Se o aluguel for menor elas têm condições de manter as coisas mais em ordem", lembrou.

De acordo com Souza, o preço de cada porta do box que está valendo perto de R$ 800,00 deveria ser revisto. Um preço justo, segundo ela, seria alguma coisa próxima dos R$ 300,00. Pela pedra, que são módulos abertos demarcados por tinta, está perto de R$ 180,00.

O produtor de horti-fruti Ari da Silva Augusto, 41 anos, complementou dizendo que não só o aluguel deveria ser revisto como também o modo de funcionamento do entreposto, que dificulta para o comprador. "Deveria ter um espaço para a gente vender, porque agora a gente vende e carrega junto e fica uma bagunça".

O produtor afirmou que o aluguel poderia ser menor, porque em outros Ceasas, como o de Ribeirão Preto por exemplo, o preço da "pedra" diminuiu de R$ 180,00 para cerca de R$ 120,00.

Miguel Ponce Neto, que trabalha principalmente com a venda de abacaxi e melancia, também está descontente com o preço do aluguel. Ponce Neto paga R$ 1.730,00 (valor do aluguel de junho que deve ser pago no dia cinco de julho) pela locação de três boxes no Ceasa.

O produtor atrasou o pagamento de três meses e disse que precisou fazer um parcelamento em 10 vezes para poder continuar trabalhando e quitar a dívida. O valor de cada parcela

é de R$ 600,00. Mesmo assim, ele não sabe se vai ter caixa para saldar os aluguéis no dia certo.

Além da revisão do preço do aluguel, ele espera que o Ceasa tome medidas para estimular o comprador a ir até o entreposto.

Os permissionários já procuraram a gerência do entreposto, mas ainda não tiveram uma resposta definitiva. Em contato com o gerente do Ceasa-Ceagesp de Bauru, Edson Antônio Guarido Ribeiro, ele afirmou que recebeu a reclamação dos permissionários e encaminhou para a diretoria estadual do Ceasa-Ceagesp em São Paulo, que é o órgão responsável pela revisão dos aluguéis.

Em face da demora de uma resposta por parte da diretoria em São Paulo, os permissionários apelaram, então, para a Câmara Municipal, através do vereador Futaro Sato

(PMDB), que enviou outro requerimento à gerencia regional de Bauru, que também foi mandada para São Paulo.

De acordo com o vereador, o requerimento solicitava o "abatimento de, pelo menos, 50% nos preços dos aluguéis dos boxes e das pedras... considerando que o preço dos aluguéis, em geral, sofreram uma queda em seus valores nos últimos anos". O vereador argumentava ainda que os lucros na venda de qualquer tipo de produto tem diminuído em demasia, o que vem dificultando a comercialização.

Sato adiantou que deverá ser feito um abaixo-assinado em favor dos permissionários que será levado até o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, também do PMDB. Entretanto, este ato irá ficar para o segundo semestre em função do recesso parlamentar de julho.

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