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Josefa Cunha
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PPS arrebanha administração Nilson Costa

PPS arrebanha administração Nilson Costa

Texto: Josefa Cunha

O Partido Popular Socialista (PPS) filia hoje um número expressivo de membros da administração municipal de Bauru. Além do prefeito Nilson Costa, que deixa o PL, estarão ingressando no partido os presidentes do DAE, Flávio Uchoa (ex-PL), e da Emdurb, Joaquim Madureira (ex-PMDB), e os secretários municipais das Finanças, Raul Gomes Duarte Neto (ex-PMDB), de Obras, Leandro Joaquim, e das Administrações Regionais, Celso Donizeti. Outros prefeitos e lideranças políticas da região engrossam a lista de filiações, que serão abonadas pelo ex-ministro Ciro Gomes, em ato formal na churrascaria H2. Alguns vereadores também intencionam migrar para o PPS, mas nenhum nome havia sido confirmado até ontem.

O fortalecimento do PPS na região central e noroeste do Estado será comemorado com uma grande festa popular no Bauru Atlético Clube (BAC). Sete grupos musicais (pagode e sertanejo) foram contratados para animar um público estimado em 4 mil pessoas durante oito horas - a festa começa meio-dia e deve terminar às 20 horas. Ciro Gomes fará uma pequena passagem pelo local.

Na manhã de ontem, o presidente estadual do PPS, deputado federal João Herrmann, e o prefeito Nilson Costa concederam entrevista à imprensa e revelaram os planos partidários para as próximas eleições. Sustentado pela história política iniciada com o extinto PCB, o partido quer se apresentar como a alternativa "centro-democrática" para eleger prefeitos no ano que vem e derrubar as forças conservadoras na sucessão presidencial de 2002. "Nossa tarefa é deslocar os partidos centro-democráticos para o espectro de esquerda, abrindo um grande diálogo nacional", definiu Herrmann, que citou o PL, PC do B e setores

"descontentes" do PMDB e PDT como potenciais aliados. Garantido mesmo na futura composição só o PL, que já caminhou com o PPS nas últimas eleições e que deve continuar nas mãos do grupo político ligado a Nilson.

A idéia de lançar candidato próprio à Prefeitura no próximo ano foi confirmada ontem, ainda que sob o suspense de quem será o candidato. Nilson Costa não assume e nem descarta postular a reeleição. "As circunstâncias é que irão dizer se serei ou não candidato, mas não queremos levantar nesse momento nenhuma intenção política-eleitoral. Por ora, temos a difícil missão de recuperar a cidade e isso exige a colaboração de todos. Sei que existem vozes discordantes que se preocupam com o buraco de determinada rua e omitem o trabalho da Prefeitura na resolução de grandes problemas, como as avenidas Cruzeiro do Sul e Elias Miguel Maluf. Trata-se, entretanto, de pessoas com mentalidade pequena", disparou.

Apesar da linha socialista, o comando do PPS não vê problemas em compor com partidos ideologicamente divergentes como o PL. "De direita" e conservador, proclamou Herrmann,

"é o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que se aliou ao PFL e abandonou o programa social". "Temos que aglutinar as forças descontentes, os partidos de centro-democrático e dar aquela pitada de esquerda. Essa proposta nada tem a ver com o que o PDT e setores do PT estão fazendo ao pedir a renúncia de FHC. Eles estão se prestando a um papel da direita, pregando o golpismo, e o golpe não é patrocinado pela democracia. Não se pode governar pelo humor da sociedade e é preciso respeitar a Constituição. As eleições de 1998 foram legítimas e reelegeram o Fernando Henrique no primeiro turno. Além do mais, não vejo, do ponto de vista constitucional, nenhum desvio administrativo forte para cassá-lo", avaliou Herrmann.

A proposta do PPS de consolidar representatividade e forças, aliás, vem atingindo seu objetivo. Sem contar as lideranças regionais que se filiam hoje - prefeito de Gália, Sidrachi Pires (ex-PTB); prefeito de Presidente Alves, Orlando Gimenes

(ex-PSL); de Platina, Manoel Posidonio; vice-prefeito de Piratininga, Paulo Coimbra (ex-PT); vice-prefeito de Itapuí, Antonio Simão (ex-PMDB), e os ex-prefeitos de Penápolis, João Carlos de Lia (ex-PSB) e Sinoel Batista (ex-PMDB)

-, o partido conseguiu recentemente um aumento expressivo em sua bancada na Assembléia Legislativa.

Os deputados peemedebistas Arnaldo Jardim, Vítor Sapienza e Dimas Ramalho ingressaram no partido, elevando de três para seis o número de representantes na bancada pepeessista

- o PMDB, por sua vez, passou de oito para apenas cinco deputados. Outro parlamentar cotado para somar ao PPS é o pedetista Peterson Prado. A expectativa do partido, aliás, é chegar ao final deste ano com dez deputados, o que significaria mais de 10% dos votos da Assembléia.

Bauru é estratégica

A escolha de Bauru para sediar as filiações locais e regionais não foi à-toa. O comando do PPS quer fazer do município um exemplo, aproveitando a atual fase de reconstrução. "Bauru, assim como o país, sente a necessidade de resgatar a moralidade pública e o PPS, através da administração municipal, quer ser o agente dessa mudança. Além do mais, o município tem representatividade e perspectivas de crescimento", justificou o deputado.

Partido não convidou vereadores

O presidente estadual do PPS, João Herrmann, reservou comentários e o prefeito Nilson Costa afirmou que não convidou nenhum dos vereadores para ingressar no partido. O nome de Catarina Carvalho, há vários meses sem partido, é cotado para o PPS, mas nem ela confirma a filiação. Os pepebistas Harley Caçador e Lucrécio Jacques também foram citados como os possíveis representantes do partido no Legislativo bauruense, mas, oficialmente, parece não haver intenções nesse sentido. "Nenhum vereador foi convidado, mas se algum deles manifestar interesse em compor conosco, levaremos o caso para ser estudado e deliberado pela direção municipal que será formada. De qualquer forma, digo que da minha parte não houve qualquer ação de convencimento no sentido de atrair quem quer que seja", enfatizou Nilson.

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